10h: Cravinho diz que cedência das Lajes fragilizou Portugal
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Miguel Vítor Dias. Começamos este jornal com o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros. João Gomes Cravinho considera que a cedência da base das Lajes aos Estados Unidos fragilizou Portugal.
Em entrevista à Agência Lusa, João Gomes Cravinho considera que a cedência desta base militar fragiliza o cumprimento do direito internacional por parte do governo português e questiona a utilização das Lajes por parte dos norte-americanos.
A base das Lajes foi utilizada para ações militares ou foi utilizada apenas para transporte? É evidente que o transporte servia para alguma coisa, era fundamental para alguma coisa. Que eu saiba, não partiram das Lajes aviões para bombardear o Irão. E eu penso que o nosso ênfase teria que ter sido diferente, teria que ter sido mais no sentido de defender a legalidade internacional.
João Gomes Cravinho à entrevista à Agência Lusa, em que diz ainda que é um erro Portugal comprar os caças F-35 aos Estados Unidos e lembra que existem outras possibilidades mais viáveis.
Portugal precisa de ter o melhor avião que por aí anda ou pode ter o segundo melhor, com um conjunto de outros benefícios em matéria de indústria de defesa e em matéria de integração europeia. Versus uma situação em que criamos uma dependência face a um aliado cujo percurso futuro é muito incerto. Eu não tenho dúvidas nenhumas que seria um erro grave apostarmos nos F-35.
Este alerta de João Gomes Cravinho surge numa altura em que o governo está a escolher um substituto para a frota de F-16 da Força Aérea Portuguesa. O negócio está a ser realizado entre os norte-americanos da Lockheed Martin, os suecos da Saab ou um consórcio europeu que inclui a Airbus.
No conflito do Médio Oriente, Donald Trump rejeitou a proposta do Irão para reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias.
É o que avança o Wall Street Journal, que cita responsáveis norte-americanos não identificados. Em causa estão as declarações do ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, que à margem da Assembleia Geral da ONU, anunciou esta proposta que entraria em vigor assim que Washington a aceitasse. Agora, o presidente norte-americano rejeita esta iniciativa por desconfiar da capacidade de Teerão para corresponder às exigências dos Estados Unidos. O Wall Street Journal que avança ainda que os norte-americanos poderão retomar os ataques depois das eleições intercalares, marcadas para 3 de novembro. Trump, no entanto, já disse várias vezes que a guerra vai terminar imediatamente depois destas eleições. Já o presidente do Irão garante que a situação no estreito pode ser resolvida através da diplomacia, mas também diz que já não confia nos Estados Unidos da América, vincando que não será pelo uso da força que o estreito de Ormuz vai ser reaberto. Numa entrevista à Al Jazeera, o presidente do Irão alerta que não tem confiança na administração de Trump, devido às sanções e aos ataques feitos pelos Estados Unidos depois de negociações diplomáticas.
Por cá, o parceiro do PSD no governo, o CDS, critica os pedidos dos ministros para que os portugueses poupem combustível.
O deputado centrista João Almeida discorda em absoluto dos apelos do governo à diminuição do consumo de combustíveis. Em causa as declarações do ministro da Economia e também da ministra do Ambiente, que pediram aos portugueses para consumir menos energia. À RTP, o deputado centrista diz que muitas pessoas não têm mesmo outra possibilidade para reduzir os consumos.
Eu devo dizer que discordo em absoluto dessas declarações dos dois ministros. Discordo em absoluto e acho que é a pior coisa que se pode dizer às pessoas neste momento. Do ponto de vista da sensibilidade política, não foram minimamente acertadas e também não lhes reconheço às declarações, uma consequência evidente que fosse positiva, porque há muita gente que não tem alternativa de transporte público, por exemplo, para levar os seus filhos à escola, para levar os seus idosos a tratamentos.
João Almeida a criticar as recomendações dos ministros na RTP Notícias. Também à direita, a líder da Iniciativa Liberal Mariana Leitão defende que o governo tem a obrigação moral de descer o imposto sobre os produtos petrolíferos.
O governo legalmente não é obrigado, moralmente é obrigado. As pessoas estão a passar mal, as pessoas estão com dificuldades. Várias pessoas, famílias, são profundamente afetadas por isto. Não é só o custo da gasolina, é o custo depois em tudo o resto, pelo impacto que esse aumento do custo dos combustíveis tem. Portanto, moralmente, o governo devia pôr a mão na consciência e fazer a sua parte. E a sua parte é, uma vez na vida, em vez de virem com o argumento "não estamos a faturar", poder dizer uma vez que seja: "estamos verdadeiramente a ajudar as pessoas".
Mariana Leitão no evento de rentrée da IL de Lisboa, em que critica ainda a atitude paternalista deste governo com os pedidos para a poupança de combustível.
Já o PCP quer mais esclarecimento sobre as reservas de combustível que existem em Portugal.
Em causa está a mobilização de parte das reservas estratégicas nacionais para França. A ministra do Ambiente explicou esta semana que Portugal foi obrigado a enviar uma parte das reservas para fora do país por falta de capacidade de armazenamento, devido ao encerramento da central de refinação de Matosinhos. Ora, Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, questiona esta justificação e pergunta quais são as soluções em cima da mesa.
Perante essa possibilidade, perante essa justificação que levou a todo esse processo, com que situação estamos confrontados hoje? É uma multinacional, neste caso espanhola, poder vir a ficar nas mãos com a única refinaria que o país tem, que é a Refinaria de Sines. E o governo sobre isso não diz nada? O PS sobre isso não diz nada? Estão preocupados com a reserva estratégica e não estão preocupados com aquilo que pode acontecer amanhã, que é ficarmos sem nenhuma possibilidade, tendo reservas, não poder refinar?
Paulo Raimundo em Loures, o secretário-geral do PCP aproveitou também para apontar o dedo ao que chama de partidos de porcelana por não quererem avançar com uma taxa sobre os lucros extraordinários.
O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares alerta que se não existir uma solução para os médicos tarefeiros, vamos ter um inverno difícil.
Foi a entrevista ao jornal "Público" que Xavier Barreto diz que a resposta dos hospitais no inverno vai ser determinada pela solução que for proposta aos prestadores de serviços, os médicos tarefeiros. Portanto, pede ao governo para dar mais tempo às unidades locais de saúde para que consigam atrair estes profissionais. Xavier Barreto pede cedências de ambas as partes nas negociações. Fala ainda também do problema dos internamentos sociais, que diz ser um problema que ninguém consegue resolver e que contribui muito para a sobrelotação dos serviços de urgências. Nesta entrevista ao jornal "Público", o presidente da Associação dos Administradores Hospitalares fala na asfixia financeira dos hospitais, diz que estão com orçamentos abaixo das necessidades e acusa o governo de não ter a intenção de alterar um modelo que já mostrou que dá maus resultados.
Mário Centeno afasta comparações com as intenções de Passos Coelho e garante que neste momento não é candidato ao PS ou à liderança do governo.
Garantia deixada pelo antigo ministro das Finanças de António Costa, e também antigo governador do Banco de Portugal, na apresentação do livro "Contas Certas". Uma apresentação que, Martim Madeira, contou com várias figuras do Partido Socialista.
Mário Centeno apresentou o livro "Contas Certas", com a coautoria do jornalista Filipe Santos Costa. Uma apresentação que contou com grandes nomes da história do PS. António Costa e o atual secretário-geral do partido marcaram presença e momentos antes do evento, questionados sobre uma possibilidade de Centeno poder vir a ser um concorrente na liderança do PS, Mário Centeno e José Luís Carneiro tiveram uma interação, no mínimo, constrangedora.
Vou ter aqui um concorrente.
Um concorrente para quê?
Não sei. O senhor é que sabe.
Não.
Então há um cartão, se Mário Centeno aceitar.
Isso é um assunto que diz respeito a Mário. Até já.
Uma questão sobre um cartão militante, que fica a cargo agora do ex-ministro das Finanças. Já no final do evento, Centeno explica que o livro é apenas uma visão sobre o caminho do país.
O meu papel neste momento é tão só, e se calhar já não é pouco, o de apresentar aquilo que é a minha visão sobre o caminho que o país fez.
O ex-governante do Banco de Portugal utiliza ainda uma analogia de uma mesa de três pernas como uma obrigação de os governos darem estabilidade a Portugal.
É obrigação de quem está e quem vive o ciclo político em cada momento, criar essas mesas de três pernas. Cada momento permite fazer o país avançar. Não vai ser entregue pelo IKEA, nem vêm as instruções de montagem. É preciso construí-las.
Já sobre vir a ser primeiro-ministro, Centeno recusa.
Não gostava nada de ser primeiro-ministro.
Ainda sobre uma comparação, sobre ser o novo Passos Coelho da esquerda, Mário Centeno diz que é uma comparação sem qualquer cabimento.
Essa comparação é despropositada, porque o nosso passado é completamente diferente e não há nenhuma comparação possível, mesmo entre uma situação e a outra.
O livro "Contas Certas", de Mário Centeno, uns bastidores da vida do ministro, que no final até tem direito a uma playlist com a primeira música a ser de Amália e que Centeno diz ter dedicado ao secretário de Estado do Orçamento em 2016.
O jornalista Martim Madeira, que acompanhou a apresentação do novo livro de Mário Centeno, que decorreu ontem na Fundação Gulbenkian.
A esta hora temos outras notícias em destaque, Miguel.
Também para além de Mário Centeno, Pedro Nuno Santos voltou às intervenções públicas. O ex-secretário-geral do PS aponta ao imobilismo de António Costa e ao centrismo de José Luís Carneiro. Pedro Nuno Santos, que falou num debate no ISEG com João Cotrim Figueiredo, começou por criticar os governos que fez parte ao dizer que existiu muito que não foi feito devido a políticos hábeis que levaram Portugal à paralisia, nomeadamente na questão da localização do novo aeroporto, e falou também dos entraves colocados pela pasta das Finanças, que durante os anos em que esteve no governo foram responsabilidade, por exemplo, de Mário Centeno, João Leão e Fernando Medina. Já sobre a liderança dos socialistas, diz que o principal responsável por Portugal não sair da cepa torta é o extremo centro. A Federação Nacional dos Professores admite que vai avançar com uma queixa contra o ministro da Educação. Alega que Fernando Alexandre teve declarações insultuosas para com a estrutura sindical a propósito do processo de classificação dos exames nacionais. Fernando Alexandre que acusou a FENPROF de tudo ter feito para que o processo corresse mal. O secretário-geral da FENPROF será também convidado do Explicador desta manhã na Rádio Observador. Este ano já morreram dois bombeiros no socorro às populações. Mais de 300 ficaram feridos. A última morte aconteceu ontem, uma bombeira de Resende, Maria João Carneiro, que se junta a um outro no início do ano em Campo Maior, segundo as contas da Liga de Bombeiros de Portugal ao Jornal de Notícias, totalizam-se agora cerca de 258 mortes nos últimos 46 anos de atividade.
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