Cientistas recrutam voluntários para caçar e identificar novos buracos negros na Via Láctea
Pesquisadores do Reino Unido estão estudando a possibilidade de haver dezenas de milhões de buracos negros na Via Láctea e, para tentar comprovar a hipótese, talvez eles precisem da sua ajuda, pois estão recrutando voluntários para realizar uma combinação entre dados de telescópios espaciais, inteligência artificial e análise humana.
O projeto Black Hole Hunters (Caçadores de Buracos Negros) aceita candidatos que não precisam ser astrônomos, apenas terem acesso a algum computador, para ajudar na identificação de possíveis novos buracos negros. Até então, a ciência registra cerca de 50 buracos negros na Via Láctea.
Para a realização do projeto, são utilizados dados do TESS (Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito), da Nasa, que foi desenvolvido, inicialmente, para procurar planetas fora do Sistema Solar. O projeto também utiliza dados do SuperWASP, levantamento que monitorou as estrelas entre 2004 e 2016.
Leia Mais
Via Láctea engoliu uma outra galáxia menor há cerca de 11,8 bilhões de anos Maior filme cósmico já feito: telescópio começa pesquisa sem precedentes Galáxia "Shadow Blaster" pode ter enviado partícula fantasma à Terra
Os voluntários devem procurar padrões específicos em variações de brilhos das estrelas. Esses padrões podem indicar a presença de um buraco negro.
Como participar
O Black Hole Hunters está depositado na Zooniverse, uma plataforma que conecta pesquisadores com qualquer pessoa interessada em contribuir para pesquisas científicas e que você pode acessar aqui.
Ao realizar um login para ser voluntário, o participante é apresentado a uma introdução de como identificar um possível buraco negro. A partir da explicação, imagens do TESS para classificação são apresentadas.
Até o momento, 77% do projeto foi realizado, com mais de 120 mil classificações, realizadas por 23.190 voluntários. Os resultados dessa etapa ainda estavam em análise no momento da publicação do material original.
Após a triagem dos dados, as pesquisadores irão realizar observações complementares, para verificar se a variação dos brilhos condiz com a influência gravitacional de um buraco negro.
Com essa pesquisa, os cientistas querem ampliar a investigação, utilizando dados da missão Euclid, da Agência Espacial Europeia e do Nancy Grace Roman, um dos telescópios espaciais da Nasa. Os pesquisadores acreditam que o cruzamento de conjuntos diversos de dados pode ajudar a identificar e direcionar as futuras observações e voluntários.
Como encontrar um buraco negro
A ciência explica que buracos negros podem se formar quando estrelas muito massivas acabam com seu combustível nuclear e, assim, colapsa com a sua própria gravidade. A atração gravitacional desses casos é tão forte que a luz não consegue sair do interior do objeto, o que faz com que sua identificação dependa dos efeitos que estão provocando ao seu redor.
Os astrônomos costumam procurar por eventos de microlente gravitacional, que ocorrem quando a gravidade de um objeto massivo curva a luz de algo que está atrás dele. A depender do alinhamento entre os objetos, essa curva pode fazer com que uma estrela pareça mais brilhante.
O estudo em questão está procurando principalmente sistemas binários, em que uma estrela continua orbitando um buraco negro que foi formado a partir de uma outra estrela que estava próxima.
Se o sistema estiver alinhado favoravelmente com o planeta Terra, o buraco negro pode passar entre a estrela, provocando o aumento temporário do brilho da estrela. O buraco negro não precisa emitir luz para a produção desse efeito. Por isso, os astrônomos podem investigar sua presença a partir das mudanças observadas na luminosidade das estrelas.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.