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Saturday, October 31, 2026

Exercício físico pode fazer mais do que fortalecer o coração — estudo revela novo efeito

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A prática regular de exercícios físicos pode provocar mudanças que vão além do fortalecimento do coração. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, mostrou que a atividade aeróbica também pode modificar a estrutura dos nervos responsáveis por regular os batimentos cardíacos.

A pesquisa, publicada na revista científica Autonomic Neuroscience, identificou alterações diferentes nos lados esquerdo e direito do sistema nervoso que controla o coração. Os resultados foram obtidos em ratos submetidos a dez semanas de exercícios aeróbicos moderados.

O trabalho contou com a participação de cientistas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da University College London (UCL). As descobertas podem contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais precisos para problemas cardíacos, embora ainda seja necessário investigar se os mesmos efeitos ocorrem em humanos.

Como o exercício físico modifica os nervos do coração?

O coração é regulado, em parte, pelo sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções involuntárias do organismo, como os batimentos cardíacos, a respiração e a digestão.

Dentro desse sistema, os gânglios estrelados são conjuntos de células nervosas localizados dos dois lados da região inferior do pescoço e superior do tórax. Essas estruturas enviam sinais que ajudam a regular a frequência cardíaca, sobretudo quando o organismo precisa responder a situações como esforço físico ou estresse.

Para investigar como o exercício afeta esses nervos, os pesquisadores analisaram ratos submetidos a dez semanas de treinamento aeróbico moderado. A equipe utilizou uma técnica de análise tridimensional chamada estereologia, que permite estimar a quantidade, o tamanho e a distribuição de células nos tecidos.

Os resultados revelaram que o treinamento provocou alterações estruturais nos gânglios estrelados, mas de maneiras distintas em cada lado do corpo.

O que mudou no coração após dez semanas de exercícios?

Nos ratos que realizaram exercícios, o gânglio estrelado do lado direito apresentou aproximadamente quatro vezes mais neurônios do que o do lado esquerdo, uma diferença em relação ao padrão observado nos animais não treinados.

O tamanho das células nervosas também mudou. Enquanto os neurônios do lado esquerdo quase dobraram de tamanho, os do lado direito apresentaram uma pequena redução. Essas diferenças indicam que o exercício aeróbico pode provocar uma remodelação assimétrica dos nervos envolvidos no controle da atividade cardíaca.

Segundo Augusto Coppi, professor sênior de Anatomia Veterinária da Universidade de Bristol e principal autor do estudo, os resultados revelam um padrão de adaptação entre os lados esquerdo e direito que ainda não havia sido reconhecido.

A descoberta sugere que os dois conjuntos nervosos respondem de maneiras diferentes à prática regular de atividade física.

Descoberta pode ajudar no tratamento de doenças cardíacas

Os pesquisadores acreditam que compreender essas diferenças pode contribuir para aprimorar tratamentos de condições associadas à atividade nervosa que regula o coração.

Entre elas estão as arritmias, caracterizadas por alterações no ritmo cardíaco, e a angina, que provoca dor ou desconforto no peito, geralmente devido à redução do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco.

Outra condição mencionada é a síndrome do coração partido, que envolve um enfraquecimento repentino do músculo cardíaco e pode ser desencadeada por estresse físico ou emocional intenso.

Em determinados casos, médicos utilizam procedimentos para reduzir a atividade nervosa excessiva que chega ao coração. Entre as técnicas estão o bloqueio do gânglio estrelado e a desnervação de determinadas vias nervosas.

De acordo com Coppi, conhecer melhor as diferenças entre os gânglios esquerdo e direito pode ajudar, futuramente, a identificar qual lado deve ser tratado para obter melhores resultados. No entanto, os pesquisadores destacam que a descoberta ainda não representa uma nova opção de tratamento.

O que se sabe sobre os efeitos em humanos

Embora o estudo tenha identificado alterações na estrutura das células nervosas, os cientistas precisam determinar como essas mudanças afetam o funcionamento do coração. A equipe pretende investigar se as diferenças entre os lados esquerdo e direito influenciam a atividade cardíaca durante o repouso e o exercício.

Também estão previstas análises em outros modelos animais e, posteriormente, em humanos. Para essa etapa, os pesquisadores esperam utilizar métodos não invasivos capazes de avaliar a atividade nervosa sem procedimentos cirúrgicos.

Caso os resultados sejam confirmados em pessoas, as descobertas poderão contribuir para o desenvolvimento de tratamentos personalizados para arritmias, angina e síndrome do coração partido.

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