ESPNThe only MLB playoff preview you need: World Series odds, likely MVPs and how far all 12 teams will goThe Jerusalem PostHezbollah's Nasrallah commemoration exposes its lost standing in Lebanon, expert saysPunchAI should complement, not replace, judicial officers – A’Ibom CJESPN DeportesAl Rojas Vivo: Álvarez, Sánchez, Durán, Stewart y Espada, los latinos de 2026Inquirer‘Most unique’ birds documented in Apayao biosphereColliderNew James Bond Release Officially Adds a 'Game of Thrones' StarAnime News NetworkStalled Despera Anime Project Gets MangaPopular ScienceBald eagles Shadow and Kaydee share a peaceful morning, Jackie’s memorial service approachesVariety‘Stillwater’: Amazon Series Based on Graphic Novel Casts Ben Hardy in Lead RoleBBC عربي"محادثات مرتقبة غير مباشرة" بين واشنطن وطهران في نيويورك، وخامئني يقول إن "القوات الأمريكية ستُجبر على مغادرة بحر العرب"20 Minuten«Bin 100 Meter reingelaufen»: Bodensee-Pegel so tief wie noch nieBBC NewsBest thing we can offer young people is a job, not benefits, says chancellor
The Daily Newsstand · Free, Always
Monday, September 28, 2026

O fim da compra da casa "para a vida"

Translate

A “casa para a vida” era mais do que uma escolha imobiliária. Era um objetivo de vida. Mas será que continua a ser? Olhando para as novas gerações, a resposta parece cada vez mais clara: não.

Não porque as pessoas tenham deixado de querer comprar casa — essa ideia está longe da realidade. O desejo de ser proprietário continua muito presente: os últimos Censos do INE mostram que 2,9 milhões de portugueses são proprietários das suas casas, ou seja, cerca de 70% dos alojamentos são detidos pelos seus ocupantes.

O que mudou foi a relação com a habitação. A compra de casa continua a ser uma ambição, mas deixou de ser necessariamente uma decisão para toda a vida. Passa a ser uma sequência de decisões que acompanha a evolução das pessoas e das famílias.

O primeiro apartamento à entrada no mercado de trabalho (apesar das conhecidas dificuldades de acesso que hoje estão mais evidentes). Uma casa maior com o primeiro filho. Uma mudança de cidade por motivos profissionais, uns anos no estrangeiro, o regresso a Portugal. Mais tarde, uma habitação mais eficiente ou próxima dos serviços essenciais. Cada fase da vida pede uma resposta diferente, porque as nossas vidas mudaram mais depressa do que o mercado imobiliário — com mais mobilidade entre cidades e países, famílias diversas, trabalho remoto e maior longevidade, ao ponto de atravessarmos várias etapas residenciais numa vida de 80 ou 90 anos.

A própria ideia de sucesso mudou: estabilidade já não é permanecer no mesmo sítio, mas ter capacidade de escolha — sem ficar refém a uma decisão tomada décadas antes.

A habitação continua essencial, mas é vista de forma mais funcional — menos destino final, mais ferramenta para concretizar projetos pessoais e profissionais. Aproxima-se mais da lógica de utilização do que da posse permanente: tal como mudamos de emprego, carro ou de cidade, também mudaremos mais vezes de casa. Não por instabilidade. Por adequação.

Estamos a entrar na era do consumidor imobiliário em série — alguém que compra, vende, arrenda, volta a comprar e ajusta as escolhas habitacionais aos diferentes momentos da vida.

Esta transformação não reduz a importância do mercado residencial — pelo contrário. Significa encará-lo de forma mais racional e alinhada com as necessidades das pessoas, contribuindo para um mercado mais saudável, com maior liquidez e melhor ajustamento entre oferta e procura. Um mercado onde as pessoas mudam de casa quando a vida muda é, regra geral, mais eficiente do que um onde permanecem por falta de alternativas ou por custos de mudança elevados.

A questão é que continuamos com um mercado pensado para a permanência. Em Portugal, mudar de casa continua a ser uma decisão pesada: entre impostos, custos de transação, financiamento e burocracias várias, cada movimento imobiliário implica um esforço significativo.

Se uma família poderá mudar de casa várias vezes ao longo da vida, faz sentido apostar num enquadramento mais favorável a essa mobilidade? Um mercado mais eficiente exige encarar a mobilidade residencial como algo natural — o que passa pela fiscalidade, mas também pela inovação financeira, pela flexibilidade do crédito e pela diversificação da oferta: arrendamento profissionalizado, projetos build-to-rent, habitação flexível e modelos híbridos, que respondem a uma procura mais móvel e menos dependente de escolhas definitivas.

Na JLL temos observado sinais claros desta evolução. Em 2025, o mercado residencial português registou níveis recorde de atividade, impulsionados sobretudo pela procura nacional: as compras realizadas por portugueses cresceram 32%, enquanto o segmento dos compradores até aos 35 anos registou um crescimento próximo dos 60% no recurso ao crédito à habitação, demonstrando a entrada de uma nova geração no mercado.

Mas talvez o mais interessante seja aquilo que os números não mostram: uma parte crescente destes compradores não procura a casa onde pretende viver até ao final da vida. Procura a casa certa para a vida que tem hoje.

E isso muda tudo: a forma como se financia uma compra, como se escolhe uma localização e como promotores, bancos e decisores públicos olham para a habitação.

Durante anos, o debate resumiu-se a uma pergunta: comprar ou arrendar? Talvez seja a pergunta errada. A questão relevante é: como criar um mercado capaz de acompanhar as pessoas nas várias fases da vida?

A casa para a vida não desapareceu e continuará a fazer sentido para muitas famílias, mas deixou de ser a única forma de olhar para a habitação. E isso não é um problema — é o mercado a adaptar-se, finalmente, à forma como as pessoas vivem hoje.

Este artigo foi publicado no âmbito do projeto Rota Imobiliária, em parceria com a JLL: https://observador.pt/seccao/rota-imobiliaria/

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.