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Tuesday, October 6, 2026

Punição de universidade dos EUA para acusado de estupro foi escrever redação, mostram documentos

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Depois que uma aluna da Universidade Cornell, em Nova York, acusou sete integrantes de uma fraternidade de a estuprarem em 2024, a instituição instaurou um procedimento sigiloso para determinar o que havia ocorrido e se aqueles homens deveriam ser punidos.

Desde então, as sanções impostas a cada um deles —e a fundamentação dessas decisões— permaneceram em segredo. A universidade pouco se pronunciou.

Mas resumos detalhados das punições obtidos pelo The New York Times oferecem a primeira visão de como os reitores distribuíram a responsabilidade pelo encontro que, segundo a mulher, a deixou devastada e humilhada.

Dois integrantes da fraternidade foram expulsos. Outro, que já havia se formado, foi proibido de entrar no campus. Outros dois foram suspensos, e os demais receberam punições mais brandas, mostram os documentos.

Todos negaram qualquer irregularidade, e o promotor público do Condado de Tompkins, onde fica o campus, decidiu não apresentar a denúncia em 2024. Nenhum dos homens foi acusado criminalmente, e a fraternidade deles, Chi Phi, foi banida do campus.

Ainda assim, desde que as acusações da mulher que passou a ser conhecida como "Jane Doe" —termo usado para se referir de forma anônima a alguma mulher em processos— vieram à tona em uma ação judicial em 16 de setembro, elas desencadearam intensa indignação com os abusos sexuais no campus e com a falta de medidas mais firmes para punir os responsáveis. Outros criticaram o que consideram uma precipitação em julgar os sete homens envolvidos.

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Em sua ação, Jane Doe afirmou que, desde o início do encontro, era incapaz de consentir por estar sob efeito das substâncias que ingeriu. O processo provocou revolta ao afirmar que todos os réus "tiveram a oportunidade de atenuar sua conduta apresentando suas versões a Cornell", afirmação que, segundo a universidade, não retratava com precisão o que ocorreu.

Juntamente com mais de mil páginas de transcrições de entrevistas, relatórios policiais e outros documentos reunidos pelos investigadores de Cornell e obtidos anteriormente pelo Times, os resumos das medidas disciplinares mostram que a universidade baseou suas decisões em um conjunto complexo de provas.

Ao fim, as punições impostas pelo painel de três integrantes, que se reuniu pelo Zoom durante 12 dias em maio de 2025, variaram bastante. O painel, responsável por aplicar as normas federais de direitos civis em Cornell, não concluiu que Jane Doe havia sido assediada sexualmente por todos os homens que acusou, segundo os resumos.

Os arquivos da investigação da universidade descrevem em detalhes o que os integrantes da fraternidade foram acusados de fazer na noite de 19 de outubro de 2024.

O aluno Matthew Ingalls foi a pessoa que Jane Doe inicialmente foi visitar na casa da fraternidade Chi Phi, por volta das 23h. Ela caminhou sozinha até lá, saindo de um bar, para encontrá-lo. Segundo disse aos investigadores, depois de beber durante toda a noite, seu nível de embriaguez estava em cerca de 5 numa escala de 0 a 10.

Depois que ela chegou, Ingalls perguntou se ela queria fazer sexo a três com outro integrante, Jonathan Newell, disse Jane Doe. Durante esse encontro, os homens lhe deram cetamina e álcool. Mais tarde, outros homens apareceram e praticaram atos sexuais com ela enquanto ela estava incapacitada, afirmou.

No fim da noite, quando estava perto de ter alucinações, houve mais abusos, disse Jane Doe aos investigadores.

Ingalls e Newell foram expulsos. Newell foi o responsável por enviar uma mensagem pelo Snapchat a outros integrantes da fraternidade, incentivando-os a entrar no quarto onde Jane Doe estava para participar do ato, de acordo com os resumos.

Os arquivos mostram que o painel de reitores considerou Ingalls culpado por agressão sexual. Eles concluiram que o aluno estava disposto a manipular, explorar e colocar a jovem em risco para o seu benefício e de seus colegas. Um advogado de Ingalls não quis comentar.

Os arquivos da universidade mostram que Newell também foi acusado de estupro. Jane Doe disse à polícia em 2024 que ele havia batido nela com força suficiente para deixar hematomas durante a relação sexual, manipulando-a para que ingerisse cetamina.

Não está claro se Newell contratou um advogado. Ele não respondeu a vários pedidos de comentário.

Os integrantes da fraternidade Winston Lee e Gillio Lopes receberam suspensões e ficaram em período probatório disciplinar. Jane Doe acusou Lee de inalar drogas sobre seu corpo e de forçá-la a praticar sexo oral. No caso de Lopes, ela afirma que ele manteve relações com ela sem seu consentimento.

Lee foi suspenso por dois anos e, ao retornar, deverá cumprir vários semestres em período probatório disciplinar. Lopes recebeu suspensão de três semestres e dois anos de período probatório, mostram os resumos. Ambos também foram proibidos de entrar em contato com a jovem e foram obrigados a estudar sobre assédio sexual e a escrever trabalhos de reflexão.

Os advogados de Lee e Lopes também não responderam aos pedidos de comentário.

Uma ordem de persona non grata foi emitida contra Diego Sarabia, que já havia se formado quando o painel disciplinar proferiu sua decisão. Sarabia, acusado por Jane Doe de beijá-la à força, foi proibido de entrar no campus por três anos.

Os dois homens restantes, Scott Norris e Scott Kretzschmar, também foram proibidos de entrar em contato com Jane Doe e obrigados a estudar assédio sexual, uso de redes sociais e intervenção de testemunhas, além de escrever redações sobre o que aprenderam. Eles foram acusados de integrar o grupo que entrou no quarto depois de ler a mensagem de Newell.

Um processo judicial de Kretzschmar contra a universidade recém retirado de sigilo mostra que ele não foi considerado responsável por assédio. Em vez disso, a Cornell concluiu que ele havia cometido uma "tentativa de exploração sexual", infração considerada menos grave.

Jeremy Saland, advogado de Kretzschmar, disse em comunicado na sexta-feira (2) que a punição recebida por seu cliente demonstrava que ele "nunca foi acusado de estupro nem considerado responsável por isso". "Ele nem sequer estava presente durante qualquer atividade sexual", disse Saland.

Não se sabe se Norris é representado por um advogado, e tentativas de contato a ele e seus familiares não foram respondidas.

Thomas Giuffra, advogado de Jane Doe, afirmou que as punições "não refletiram a gravidade das acusações".

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"Com exceção de dois desses homens, todos poderão se formar, receber um diploma e viver suas vidas colhendo os benefícios desse cobiçado título", disse Giuffra. "Em contrapartida, até hoje, é incerto se a Sra. Doe conseguirá sequer concluir a faculdade ou voltar a ter uma vida normal devido ao que esses homens fizeram com ela."

Um porta-voz da instituição não quis comentar, citando leis federais de proteção à privacidade dos estudantes.

Após a ação judicial de Jane Doe, a governadora de Nova York, Kathy Hochul, determinou na semana passada uma análise independente da forma como Cornell conduziu o caso. Na quinta-feira (1º), ela nomeou a procuradora-geral do estado, Letitia James, como promotora especial, com poder para apresentar acusações criminais.

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