China e Djibuti reforçam cooperação em segurança

A China e o Djibuti acordaram reforçar a cooperação em matéria de segurança face às ameaças às rotas marítimas do mar Vermelho e do golfo de Áden, agravadas pelo alastramento dos conflitos no Médio Oriente.
Segundo um comunicado divulgado esta quarta-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, o acordo foi alcançado durante uma reunião, em Pequim, entre o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, e o homólogo do Djibuti, Abdoulkader Houssein Omar.
Após o encontro, os dois países assinaram um memorando de entendimento para promover a cooperação no âmbito da Iniciativa de Segurança Global, lançada por Pequim.
Os dois ministros divulgaram também uma declaração conjunta sobre a manutenção da paz e da estabilidade no Corno de África e a segurança das rotas marítimas do mar Vermelho e do golfo de Áden.
Durante a reunião, Wang alertou que “os conflitos no Médio Oriente estão a estender cada vez mais as suas repercussões ao Corno de África e à região do mar Vermelho”, enquanto “a segurança das rotas marítimas do mar Vermelho e do golfo de Áden enfrenta novas ameaças”.
O chefe da diplomacia chinesa manifestou a disponibilidade de Pequim para reforçar a cooperação com o Djibuti e outros países, visando “reduzir as tensões, evitar uma escalada dos conflitos e preservar eficazmente a paz e a estabilidade regionais”, sem anunciar medidas operacionais concretas.
Wang recordou ainda os quatro princípios apresentados este ano pelo Presidente chinês, Xi Jinping, para abordar os conflitos africanos, incluindo o respeito pela soberania dos Estados e o protagonismo dos países do continente na resolução das próprias crises.
O ministro do Djibuti manifestou apoio às iniciativas diplomáticas de Pequim e destacou, em particular, a proposta de que “sejam os próprios africanos a resolver os problemas de África”.
Abdoulkader Houssein Omar expressou a vontade de alargar a coordenação bilateral em questões internacionais, segundo o comunicado da diplomacia chinesa.
No plano económico, Wang incentivou as empresas chinesas a aumentarem os investimentos no Djibuti e defendeu o aproveitamento da localização geográfica do país e da política de zero tarifas aduaneiras para impulsionar o comércio bilateral.
O ministro destacou ainda o potencial do corredor económico associado à linha ferroviária Adis Abeba–Djibuti para transformar o país africano num centro regional de comércio, logística e conectividade.
O Djibuti ocupa uma posição estratégica junto ao estreito de Bab el-Mandeb, que liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e constitui uma das principais rotas marítimas entre a Ásia e a Europa, através do canal de Suez.
O país africano acolhe, desde 2017, a primeira base militar chinesa no estrangeiro, criada para apoiar missões de escolta naval, manutenção da paz e assistência humanitária.
O Djibuti alberga também instalações militares dos Estados Unidos, França, Japão e Itália.
O reforço da cooperação entre Pequim e o Djibuti ocorre num contexto de agravamento do conflito na região etíope de Tigré e das tensões entre a Etiópia e a Eritreia, que romperam relações diplomáticas no início de outubro e se acusam mutuamente de agressões.
Pequim tem defendido o diálogo, o respeito pela soberania e o protagonismo dos países africanos na procura de uma solução.
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