Benfica x Alverca. “VAR anula bem o golo do Alverca”

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Está dado o apito inicial para mais um Sem Falta, da Rádio Observador. Décima jornada, o último jogo que aqui acompanhámos, Benfica 1, Alverca 0, no Estádio da Luz. Jogo apitado por Bruno Pires Costa, árbitro da Associação de Futebol de Viana do Castelo, de 35 anos. Pedro Henriques, ao minuto nove, começou por faltar um amarelo para Boyang, da equipe do Alverca, na tua opinião.
Sim, é um lance em que se recordam, é sobre o Daldo, o Boyang acaba sem qualquer hipótese de chegar à bola, no ato da aproximação e no momento da passada, acaba por pisar de sola e com os pitons o tornozelo esquerdo do defesa sueco do Benfica. O árbitro bem deixou seguir, porque houve lei da vantagem e, portanto, nesse aspecto, tudo correto, mas depois com a repetição percebe-se que realmente é um pisão, entrada dura, negligente, e devia ter mostrado cartão amarelo na primeira interrupção, não o fez e faltou aqui o cartão amarelo.
Temos depois, ao minuto 12, outra falha disciplinar por parte da equipe de arbitragem, porque na tua opinião Palhinha devia ter visto amarelo no lance em que o árbitro terá, de alguma forma, eventualmente sido iludido que havia ali um corte e deu o lançamento.
Sim, o árbitro fica com a ideia, até porque o Palhinha levanta-se rápido e faz o sinal que foi na bola, fica com a ideia que porventura teria sido ele, Palhinha, ao esticar a perna, porque veio por trás em esforço, a tocar na bola. Mas depois da repetição, e o árbitro não tem essas repetições, é um lance muito difícil, percebe-se que o Kamara é que toca na bola com o pé esquerdo. Ou seja, aquilo que parecia ser um desvio de bola por parte do Palhinha, não, é o próprio Kamara, que em corrida, toca na bola com o pé esquerdo. O Palhinha já não toca na bola e com a perna derruba as pernas do avançado do Alverca. Portanto, além do livre direto, que não assinalou, obviamente, também havia o respectivo cartão amarelo, porque ele já ia em velocidade a fazer uma transição e era claramente para cartão amarelo.
Ao minuto 15, Boyang vê amarelo num lance, creio que envolvendo com o Pavlídis.
Não, é com o Prestianni.
Exatamente, com o Prestianni. Eu queria dizer Prestianni, com uma cotovelada na cara do Prestianni.
Sim, não é tão grave como parecia, porque não foi com o cotovelo. Eu na altura também fiquei com a ideia que era cotovelo, foi com o antebraço, o que é diferente. Ou seja, o cumprimento e a atitude é a mesma, a entrada é negligente. O Boyang levanta o seu braço e de forma deliberada acerta ali na zona de pescoço, rosto do Prestianni. O cotovelo é sempre mais contundente e muitas vezes aproxima muito mais da agressão. Neste não foi o caso, ele faz um movimento de perto, não é aquele armar de braço e acertar em cheio. É aquele movimento de proteção da sua posição e tentar meter o adversário fora da jogada e ao levantar esse mesmo braço com o antebraço, que é diferente, neste caso, do cotovelo, acaba por acertar. Portanto, o árbitro teve bem naquilo que é o cartão amarelo, porque a atitude é antidesportiva e a entrada é negligente e, por isso, tudo certo.
E falámos aqui na emissão que poderia ser eventualmente um segundo amarelo se ele tivesse visto o primeiro, mas se tivesse visto o primeiro, poderia muito bem ter mudido o curso das coisas.
Nem sequer coloco isso como situação, porque quando um jogador já tem um cartão amarelo, o árbitro não mostra o segundo, aí sim, dizemos que fica uma expulsão por fazer e tem impacto. Não tendo nenhum cartão amarelo, não se pode dizer que ele seria expulso, porque provavelmente o cumprimento por isso é diferente.
E muito provavelmente um jogador com amarelo não arriscaria pôr a mão na cara do adversário. Temos ao minuto 25, talvez um dos lances, senão o mesmo lance capital deste jogo, a par com o pênalti do Benfica.
Exatamente, são os dois.
Temos ao minuto 25 um VAR a anular o gol do Alverca. Acredito que bem anulado, Pedro.
Sim, na televisão ficava a ideia que era uma grande margem. Parecia maior a margem. O pontapé livre é batido, o Figueiredo desvia a bola, a bola vai à baliza, o guarda-redes defende, bate no poste e ressalta pro Boyang, que depois acaba por recarregar e fazer o gol. O que conta aqui é se no momento do toque do Figueiredo, é esse é que é o momento da análise, se o Boyang estava ou não adiantado em relação ao último adversário. E parecia estar mais adiantado. Porque é uma imagem paralaxe, nós não conseguimos ver na imagem que havia um pé de um jogador do Benfica que estava quase a validar a posição. Portanto, aquilo que nos dá em termos de imagem visual e sem linhas era a questão do corpo. E por isso, o fora de jogo existiu, foi confirmado por cinco centímetros. Eu relembro que o assistente validou o gol, portanto, é o VAR que acaba por reverter. Pensava que a margem é maior e foi por cinco centímetros. Eu recordo duas coisas muito rápidas. Em primeiro lugar, acredito nas tecnologias. Andamos aí com polêmicas de um centímetro e de sete centímetros. Agora é a mesma coisa, cinco centímetros, portanto é a mesma coisa. Acredito sempre na tecnologia, seja pra validar, seja pra anular, porque o procedimento é sempre igual, é sempre o mesmo. E relembro que sempre que estamos com estas margens muito à pele, muito à queima, que o videoárbitro, você sabe que demora sempre mais um bocadinho, porque isto não é tecnologia semiautomática, o videoárbitro, não vou agora aqui explicar o processo, dá cinco centímetros, desfaz tudo, como é uma margem pequena, e volta a colocar outra vez o processo. E normalmente faz isto três vezes para ter a certeza que os cinco centímetros batem sempre na mesma margem ou pelo menos que haja duas medições que tenham a mesma métrica. E isto para garantir, de alguma maneira, a solução ou a resolução de validar ou anular. E, portanto, o procedimento é igual pra todas as equipes. Hoje, aqueles que se queixaram de um centímetro e de sete centímetros, porventura não se vão queixar dos cinco centímetros, mas aqueles que sofreram essa pressão, agora se calhar estão a falar exatamente ao contrário, é o futebol que temos. De qualquer maneira, tecnologia ao serviço da arbitragem, não é a mais perfeita, porque obviamente a melhor será sempre semiautomática, que pelo menos já se fala que Portugal vai adquirir, e aí ainda ficaremos melhor. Mas de qualquer maneira, gol bem anulado ao Alverca por fora de jogo, cinco centímetros do Boyang.
Ao minuto 33, ainda na primeira parte, queixava-se Pavlídis de um toque quando tentou cabecear a bola, um toque ali algo no ombro por parte do jogador do Alverca. Queixou-se de grande penalidade, resta saber se havia motivo para tal.
Pra mim, não. Há dois momentos de contato entre o Nabil Touaizi, que é o número dois do Alverca, e o Pavlídis. Um primeiro momento é com a mão esquerda, ele está por trás, o Touaizi. É uma mão esquerda a tocar no ombro direito e depois, no ato do salto, é com o antebraço e com a outra mão direita a tocar ali na zona do ombro e do peito, portanto, está por trás, mas coloca pela frente. São contatos ligeiros e na minha perspectiva, inconsequentes, isto é, sem infração. Não há garrão, não há puxão, não há impedimento do Pavlídis. Claro que o contato podemos dizer que perturba sempre, mas não há propriamente uma infração, ou seja, nós dizemos que aquilo foi suficiente pra que o Pavlídis não pudesse saltar à bola ou chegar à bola, até porque ele saltou. E portanto, pra mim, boa decisão, sem motivo pra pontapé de pênalti.
Temos depois, já na segunda parte, o primeiro lance do Pedro Henriques ao minuto 49, foi de penalty sobre o Echeverri, marcado por Sergi, o capitão da equipa do Alverca.
O Sergi Gomes.
Sergi Gomes a fazer uma falta sobre Echeverri. O árbitro não hesitou, marcou penalty, o VAR também não reverteu e acredito que tu também vás dar como boa a decisão.
Sim, é boa decisão. Eu acho que o lance, ao vivo e em direto, num evento normal, pareceu-me logo penalty. As repetições, as três que deram, todas elas provam o mesmo. O Sergi Gomes faz uma coisa que é sempre um risco na área, que é fazer um take, um carrinho, vai a deslizar com a perna direita à frente e a perna esquerda dobrada, que é o normal nos carrinhos. Uma perna à frente esticada e a outra sempre dobrada. Não é com a perna que vai à frente que ele toca, com a direita, mas é com a perna que vai dobrada, porque ele não para o movimento, vai a deslizar, por isso é que é um carrinho, e com o pé esquerdo acerta no pé direito do Echeverri, rasteirando. O Echeverri até já está ali, quando vai fazer a finta para dentro, de certa forma em desequilíbrio, mas aquilo que o derruba mesmo é realmente esta entrada a varrer sobre o Echeverri, tocando no pé direito e derrubando ou rasteirando, como queiram dizer. Portanto, pontapé de penalty bem assinalado e, como disseste, e bem, o VAR limitou-se a confirmar.
Temos depois, ao minuto 58, um amarelo para Chiquinho, bem mostrado, o jogador acabou por perder a cabeça. Mais do que a falta em si, foi pela frustração com que teve o lance.
Ele queria que o árbitro assinalasse uma falta sobre ele, que no meu ponto de vista não houve, e foi tirado de força sobre o Echeverri. É uma entrada negligente com o objetivo não de jogar a bola, mas apenas de virar o adversário. Portanto, livre direto e cartão amarelo bem mostrado.
Temos depois, ao minuto 63, mais um amarelo para o Ian Lucas.
Para o Ian Lucas, um homem da equipa do Alverca. De resto, todos os amarelos até aqui tinham sido apenas para homens do Benfica. O último não foi assim, mas primeiro vamos a este, ao minuto 63 para Ian Lucas, do Alverca. É o Ian Lucas que acaba por ir atrás do Echeverri, que vai fazer uma transição ofensiva e aqui o Echeverri a sacar, entre aspas, o segundo cartão amarelo, porque ele derruba o médio argentino quando ele vai em velocidade no makeup adversário, portanto livre direto e cartão amarelo bem mostrado.
E para fechar os lances em análise neste jogo, ao minuto 65, amarelo, o único para o Benfica neste jogo, foi para Lingard.
Sim, é ele que com o pé esquerdo pontapeia o pé/tornozelo direito do Chiquinho. É um pontapé durinho, uma entrada durinha, negligente e foi bem sancionado também com o respectivo cartão amarelo.
Resta saber que nota merece o árbitro Bruno Pires Costa, Bruno Costa, que apitou hoje este Benfica 1, Alverca 0.
Vou dar seis. Os dois lances que dariam entre sete e oito, eu daria oito se o árbitro tem acertado no penalty, como acertou, e o árbitro tem acertado, ou o árbitro assistente, na questão do fora de jogo. Portanto, penalizo aqui em dois pontos. Primeiro, porque a decisão é boa, mas é devida ao árbitro. Já sabem que eu valorizo sempre mais um árbitro quando a equipa de arbitragem em campo decide tudo sozinho, sem ajuda do VAR. E depois tiro-lhe porque há dois cartões amarelos que ficam por mostrar. E daí, como é uma nota positiva, é nota seis. Aqui é pouco relevante a parte quantitativa, dizer que fez uma boa arbitragem e naqueles que são os dois momentos importantes e decisivos do jogo, isto é, o gol anulado, VAR, e o penalty, árbitro, digamos que esta equipa no seu global esteve bem e por isso nota seis, nota positiva.
Nota seis para o árbitro Bruno Costa nesta vitória do Benfica por uma bola a zero frente ao Alverca. Jogo da 10ª jornada, que aqui acompanhámos com o áudio arbitragem do Pedro Henriques, que amanhã tem mais uma sessão, mas em contexto Liga dos Campeões.
Exatamente.
Porque aqui vamos acompanhar a partir das 19h45 o Shakhtar Donetsk-Sporting, que se vai jogar em Londres. Pedro, um grande abraço.
Um abraço. Até amanhã.
Também vamos sempre ouvindo o Pedro Henriques em "Sede do Campeão", com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia, sempre de segunda a sexta, depois de 13h, também com edições ao fim de semana e sempre disponível em observador.pt e nas plataformas podcast. Um grande abraço, Pedro.
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