Presidente do TSE, Kassio Nunes ignora risco de interferência do EUA nas eleições
A poucos dias da eleição presidencial, é obrigatória a vigilância máxima para conter as tentativas de interferência política dos Estados Unidos.
Donald Trump deu o recado ao fazer de seu discurso na ONU um canal de ameaças sobre o uso de força militar na América Latina.
O que essa ameaça diz sobre o Brasil e a economia?
Não podemos esperar os livros de história, no futuro, para saber se esse risco se concretizou. A eleição é aqui e agora, e há sinais claros de que o governo Trump busca desequilibrar o jogo.
Dois tarifaços; a classificação das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas; a aplicação da Lei Magnitsky; um relatório enviado ao Congresso americano que acusa o Brasil de falhar no combate ao crime; o envio de funcionários para questionar as eleições; a escalada da pressão pública do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sobre o governo Lula.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares de direita dizem que já há uma lista de 130 alvos de novas sanções a serem acionadas pelos EUA a qualquer momento.
No coração dessa discussão, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) deve explicações sobre a mobilização que seus aliados comandam nos Estados Unidos e sobre a oferta que ele já fez de colocar uma equipe de transição de governo à disposição de Trump caso seja eleito presidente.
As empresas brasileiras que exportam para países que não são amigos de Trump, como a China, cobram explicações. O temor é que sejam impostas restrições à venda de produtos brasileiros para esses países em acordos futuros com os EUA.
Para o agronegócio exportador, esse risco é mortal.
No podcast Café da Manhã, da Folha, Fernando Neisser, professor de direito eleitoral da FGV, chama a atenção para a lacuna na atuação do TSE no monitoramento do risco de interferência estrangeira.
O tribunal, que deveria ser a principal instituição de proteção do sistema eleitoral brasileiro, está alheio a esses sinais.
Enquanto isso, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, citado em apurações da Polícia Federal sob suspeita de ligação com o Banco Master, não parece nada preocupado.
Só que, ao contrário do que parece, o STF (Supremo Tribunal Federal) não é candidato nas eleições.
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