Fachin se autoimpôs a tarefa de dar primeiro voto sobre Moraes

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Edson Fachin desligou André Mendonça da tomada. Assumiu no sábado a relatoria do caso sobre as relações potencialmente criminosas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Com isso, será Fachin, e não Mendonça, quem fará o relato dos fatos na sessão plenária da próxima terça-feira. Caberá ao presidente do Supremo também proferir o primeiro voto. Terá que dizer se há indícios fortes o bastante para investigar Moraes.
A conjuntura exala um aroma de história. É a primeira vez que o plenário do Supremo se reúne para decidir se abre investigação criminal contra uma de suas togas. O ineditismo está crivado de suprema ironia. Moraes é vice-presidente do tribunal. Se nada acontecer, assumirá o comando em setembro de 2027.
Há o risco de um pedido de vista na sessão de terça. Isso adiaria a decisão. Mas antes de executar a manobra, a falange pró-Moraes terá que ouvir o voto de Fachin. Ele tem declarado que seu dever é "assegurar a integridade" do Supremo. Não é desprezível a hipótese de Fachin votar pela investigação.
Ainda que surja no plenário um pedido de vista, ministros contrários ao adiamento podem antecipar seus votos. Isso não impediria a postergação. Mas pioraria a imagem de Moraes. Nunca um vice do Supremo pareceu tão versa — a ponto de a eventual vitória de um magistrado ser tratada como perdição da instituição.
Opinião
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