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Friday, September 11, 2026

Síndico denunciado por matar corretora é indiciado por usar dinheiro do condomínio em benefício próprio

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O síndico acusado de matar a corretora de Caldas Novas Daiane Alves de Souza, de 43 anos, e o filho dele foram indiciados pela Polícia Civil por usar dinheiro do condomínio onde morava em benefício próprio. Entre os gastos de Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, está o valor de R$ 25,2 mil, que teria sido usado em postos de combustíveis, segundo documento da investigação obtido pela TV Anhanguera.

O g1 não conseguiu contato com a defesa de Cléber Rosa e do filho dele, Maicon Douglas, até a última atualização desta reportagem.

Cleber foi preso no dia 28 de janeiro e apontou onde havia deixado o corpo da corretora, que ficou mais de um mês desaparecida. Também havia manutenções de veículos entre as despesas, no valor de R$ 4,4 mil, mas, segundo a polícia, a associação de moradores não tinha carro próprio.

Os desvios também teriam sido usados em contas de planos telefônicos entre 2023 e 2025, um gasto de R$ 3 mil. Além disso, Cléber teria pago escrituras de imóveis usando o valor, o que totalizou o gasto de R$ 28,1 mil.

O documento descreve, ainda, que Cléber chegou a alugar um apartamento para uma pessoa como se o imóvel fosse dele e recebeu dois meses de aluguéis, resultando em um valor de R$ 2,6 mil.

O inquérito destacou que o prejuízo total causado à associação pelo síndico passa de R$ 106,4 mil. Desse valor, R$ 18 mil teriam sido usados para pagar o escritório de advocacia que fez a defesa do Cléber no início do processo pela morte da corretora.

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De acordo com o documento, o dinheiro teria sido transferido primeiro para a conta de Maicon Douglas, e depois repassado ao escritório de advocacia. Por isso, Maicon também foi indiciado.

"A pessoa que assumiu a presidência da associação suspeitou de algumas atividades, principalmente desse PIX mesmo para o Maicon Douglas, e a partir de então verificou outras coisas que também estranhou, contratou auditoria externa, que apontou uma série de inconsistências", relatou o delegado Tiago Ferrão à TV Anhanguera.

Cléber responde por homicídio qualificado e ocultação de cadáver e está preso desde janeiro.

Caso Daiane

Vídeo mostra momento em que corretora é atacada no subsolo de prédio

Vídeo mostra momento em que corretora é atacada no subsolo de prédio

A corretora de imóveis, Daiane Alves Souza, de 43 anos, desapareceu no dia 17 de dezembro, após enviar vídeos para uma amiga enquanto descia ao subsolo do prédio para verificar a caixa de energia de seu apartamento. Dias após o corpo da corretora ser localizado, a Polícia Civil encontrou o celular dela contendo o vídeo do momento em que ela foi atacada pelo síndico (veja acima).

O vídeo mostra o momento em que Daiane chega ao subsolo e vai até os quadros de luz. Segundo a polícia, Cléber aparece no vídeo à espera da corretora com luvas nas mãos, indicando premeditação.

No dia do crime, o vídeo que mostra o ataque não chegou a ser enviado. O celular em que a gravação foi recuperada foi achado dentro de uma caixa de esgoto do prédio, onde ficou por 41 dias.

Após reunir provas, a polícia concluiu que Daiane foi morta com dois tiros na cabeça e que os disparos provavelmente foram feitos fora do prédio.

"A perícia mostrou claramente que qualquer disparo dado seria ouvido na recepção do prédio”, informou o delegado André Luiz Barbosa na época.

Corpo de corretora foi encontrado a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, em Goiás — Foto: Arte/g1

Motivação

Cléber e Daiane tinham um histórico de brigas que evoluíram para processos na Justiça. Segundo a polícia, os conflitos eram motivados pela administração dos seis apartamentos da família da vítima, que antes era feita pelo síndico.

“O síndico administrava [os apartamentos] e eles [família da vítima] passaram a administração para Daiane. Desde então, houve uma série de atritos. Ele foi denunciado por perseguição”, contou o delegado.

Ao todo, são 12 os processos que envolvem Cléber e Daiane na Justiça. Quando Daiane ainda estava desaparecida, o síndico foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) pelo crime de perseguição contra a corretora.

De acordo com a denúncia, Cléber teria utilizado a posição de síndico para criar obstáculos à rotina de Daiane, passando a vigiá-la por meio do sistema de câmeras do condomínio e submetê-la a constrangimentos.

Síndico Cléber Rosa de Oliveira é suspeito de matar corretora Daiane Alves — Foto: Diomício Gomes/O Popular

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