FCP X ESTORIL. "Uma primeira parte avassaladora"

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Relatório de jogo na Rádio Observador. Vamos falar sobre o encontro entre o Futebol Clube do Porto e o Estoril. Triunfo, goleada dos portistas por 4 x 0. Augusto Inácio, muito bem-vindo. Quais são as primeiras notas a retirar deste encontro?
A primeira grande nota que se tira já deste encontro é a forma como o Porto, assim que o árbitro deu o encontro por iniciado, atacou a baliza do Estoril. O Porto sabia que o Estoril estava inseguro, que o Estoril estava em último, e a melhor forma de tentar desestabilizar ainda mais o Estoril foi a forma dinâmica, rápida e intensa com que o Porto entrou em campo. Conseguiu fazer um gol cedo, aos três minutos, e esperava-se que o Porto tivesse uma cavalgada e que marcasse muito mais gols na primeira parte. O que é certo é que o Porto atacou de tal maneira o Estoril que eu diria que o Estoril, embora quisesse, às vezes, aqui ou acolá, jogar, chegar um pouquinho mais à frente, o Porto não deixava. Os jogadores do Porto foram realmente aqueles jogadores que queriam arrumar o jogo cedo, até para o treinador, Farias, poder gerir de melhor forma a segunda parte com as substituições que teria que fazer. O que é certo é que o Estoril, por incrível que pareça, porque o Estoril praticamente não fez nenhum arremate à baliza na primeira parte, sai vivo do jogo. Sai vivo do jogo por 1 x 0. Tudo pode acontecer, porque depois as coisas já não são tão iguais como foram na primeira parte, talvez falte um pouquinho mais de fôlego físico, talvez porque haja outras substituições que o treinador do Porto não queria fazer e se calhar teria que fazer. Eu diria que o Estoril, enquanto não sofreu o segundo gol, ficou um bocadinho na expectativa de que também poderia lá chegar, até porque na segunda parte veio com outras intenções, com outro ritmo, com outra intensidade, com outras ideias. Enfim, eu vi o Porto algumas vezes ser apanhado em contrapé no sentido de estar, se calhar, dois contra dois, três contra dois. Eu diria que o Porto pôs-se jeito, como se costuma dizer, ao não marcar o segundo gol. Não que a vitória estivesse em dúvida, porque não esteve, o Estoril também tinha essa dificuldade, mas quando o Porto marcou o segundo gol, eu diria pelo jogador que até então não tinha tido nenhuma interferência no jogo, não tinha tido nenhuma influência.
O Borges Santos estava apagado.
O Borges Santos estava completamente apagado no jogo. Faz um golão daqueles que é de levantar o estádio e o Porto aí sossega com 2 x 0. E depois foi como eu te disse, Rafael. Estas equipas, quando sofrem o segundo gol, depois esticam-se um pouquinho mais no terreno, tal e qual como o jogador do Estoril acabou de dizer agora no flash interview, a equipa esticou-se mais um bocadinho e claro, depois há mais espaços. O Porto marcou o terceiro, o Porto marcou o quarto, embora o Estoril também podia ter marcado um gol. Uma bola à trave, depois bateu nas costas do Diogo Costa e ainda foi ao poste. Esse foi o grande lance de perigo que o Estoril criou e uma outra em que realmente o jogador do Estoril falhou o arremate. Praticamente foram esses dois arremates que fizeram à baliza, não enquadrados, mas fizeram esses dois arremates.
E o Futebol do Porto acaba por conseguir o que acredito que Farias também quisesse, um triunfo construído cedo, para poder gerir e pensar em quarta-feira.
Sim, mas eu acho que ele queria construir um resultado mais robusto na primeira parte. Acho que lhe dava uma outra confiança, depois, para a segunda parte, para aquilo que era as suas ideias. Mas de qualquer maneira foi cedo. Acabou o Porto por construir um resultado cedo. Deu para ver o Gabriel Mek, por exemplo, como é que é este menino. Viu-se que cada vez que recebia a bola, queria fazer tudo sozinho para poder mostrar ao treinador que tem qualidade. Deu para tirar o Bédnarik, que já tinha um cartão amarelo, mas também para gerir o seu estado físico para o jogo de quarta-feira com o Nápoles. Enfim, o Alberto Costa só não saiu mais cedo também porque já não havia mais substituições para fazer, a não ser aquela que foi pelo cartão azul e que o Porto teve direito a mais uma substituição. Eu diria que realmente é um Porto que justifica, e de que maneira, ter tido até então nove jogos, nove vitórias, e agora fica com 10 jogos, 10 vitórias, inteiramente merecido, porque o Porto foi de longe, mas mesmo de longe, muito melhor do que o Estoril. E o Estoril, se quiser ainda ter alguma coisa a dizer neste campeonato, tem que trabalhar muito e tem que arranjar resultados o mais rapidamente possível.
Para já, em maus lençóis os canarinhos.
Muito mal. Está muito mal. Dois pontos. Para quem não sabe isto, e as pessoas às vezes não têm noção, cada jornada que passa e tu continuas, como se costuma dizer, no fundo do poço, quando eu digo o fundo do poço, é no fundo da classificação, para saíres dessa posição, é muito complicado, porque uma vitória só não chega para saíres dali. É preciso muito mais coisas. E o Estoril está a precisar urgentemente de ter uma, duas, três vitórias seguidas para tentar ganhar um outro estatuto, ganhar uma outra confiança e para se acreditarem neles próprios de que é possível ficar na Primeira Liga.
Augusto Inácio, vamos ao melhor e ao pior deste encontro. A começar pelo melhor da partida.
O melhor da partida, tal como o Ricardo Loureiro disse, foi o Bédnarik ao chamar a atenção ao árbitro de que havia uma pessoa na bancada que não estava bem e foi chamar o médico do Porto e os bombeiros para fazer a assistência a esse adepto. Esse, para mim, é o melhor gol do jogo. É aquele gol que ninguém quer que aconteça no estádio, mas aconteceu, e já que aconteceu, houve alguém, e esse alguém dentro da equipa do Porto, dentro do campo, dentro do relvado, que teve a sensatez de chamar a atenção de que estava uma pessoa a passar mal e, por isso, para mim, é a nota mais positiva do jogo. Da equipa do Futebol Clube do Porto, dos jogadores do Futebol Clube do Porto, eu diria, destacar a primeira parte do Futebol Porto. Foi simplesmente avassaladora.
E o pior?
O pior é realmente a primeira parte também do Estoril. Para teres uma boa do Porto, tiveste que ter uma muito má do adversário e do Estoril. Na primeira parte foi mesmo muito mau, eu diria que parecia que era uma equipa que não estava na Primeira Liga.
Ora bem, está feito o relatório de jogo com Augusto Inácio. Augusto, um grande abraço. Até uma próxima oportunidade.
Um abraço.
Após o triunfo do Futebol Clube do Porto, goleou o Estoril por 4 x 0 na décima jornada da Primeira Liga.
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