O cantor que entrou para o Black Sabbath após noitada em bar

Geezer Butler relembra o dia em que ele e Tony Iommi beberam tanto em um pub que acordaram com um novo vocalista na banda
Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)
A história do Black Sabbath é repleta de momentos insólitos, mas poucas alianças em sua trajetória nasceram de forma tão curiosa quanto a entrada de Ian Gillan, antes vocalista do Deep Purple, na banda. O que começou como uma simples reunião de velhos amigos em um pub em Oxford terminou com um acordo firmado sob os efeitos de muita bebida.
Após a saída de Ronnie James Dio, o guitarrista Tony Iommi e o baixista Geezer Butler passaram meses em busca de um novo frontman para a banda. Paralelamente, Ian Gillan estava sem rumo fixo após paralisar as atividades de sua carreira solo devido a problemas nas cordas vocais. O destino, porém, tratou de aproximar as lendas em uma noitada de bar.
Conforme relembrou o próprio Geezer Butler em entrevista sobre os bastidores do álbum Born Again (1983), a ideia surgiu em uma mesa de pub. Ele recorda (via BraveWords):
“Nós fomos a um pub em Oxford e ficamos completamente bêbados. Imagino que, em algum momento da noite, tenhamos conversado sobre trabalhar juntos e, no dia seguinte, descobrimos que Ian Gillan havia entrado para a banda!”

Além da entrada de Ian Gillan, Born Again marcou também o retorno do baterista Bill Ward. O álbum divide opiniões, mas rendeu algumas músicas cultuadas no repertório da banda, como “Trashed”, “Disturbing The Priest”, “Zero The Hero”, “Digital Bitch” e a própria faixa-título.
Geezer Butler avalia:
“Eu achava o álbum bom, mas a mixagem foi malfeita. As músicas eram boas, mas a mixagem do disco não ficou muito boa. E, na turnê, eu não achava que o Ian Gillan realmente combinava com o Sabbath.”
Ian Gillan no Black Sabbath
Sobre a convivência com Ian Gillan durante o período da gravação de Born Again, Geezer afirma:
“Ele é gente boa; só é um pouco excêntrico. Como pessoa, ele era tranquilo de lidar e tudo mais. O estilo de vida dele é meio peculiar. Ele insistiu em morar numa barraca (risos) enquanto estávamos gravando o álbum. É o jeito dele, sei lá. Morava numa barraca e tinha o próprio barco lá, para poder velejar todo dia. E ele com certeza gosta de uma bebida.”
Ian Gillan saiu do Black Sabbath em 1984. Na época, ele aceitou uma oferta para se reunir com outros membros da formação clássica do Deep Purple.
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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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