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Wednesday, August 19, 2026

Trump manda repórter se calar, e Casa Branca diz que filhos 'vão se envergonhar' dela

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou uma repórter da CNN durante entrevista coletiva na Casa Branca nesta segunda-feira (17), mandando que ela se calasse e dizendo que trabalha para uma emissora de fake news.

Trump recebia na sede do governo americano um salva-vidas e um menino de dez anos resgatado por ele no litoral da Califórnia quando abriu espaço para a imprensa. Enquanto vários repórteres tentavam se fazer ouvir ao mesmo tempo, Trump se voltou para a jornalista Kristen Holmes e mandou que ela ficasse quieta.

Holmes havia perguntado se o republicano conversara com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, antes de decidir cancelar um exercício militar conjunto com a Coreia do Sul.

"Quieta. Quieta. Você é muito desrespeitosa, está desrespeitando esse menino", afirmou Trump, virando-se em seguida para seu convidado. "Você não acha que ela é desrespeitosa?", perguntou, antes de se voltar novamente para Holmes: "Calada. Você trabalha para quem?". Quando a jornalista respondeu "CNN", o republicano retrucou: "Fake news".

Em seguida, tentando falar mais alto do que a repórter, que repetia a pergunta sobre a relação entre Trump e Kim, o presidente disse: "Você fala alto demais, você é uma pessoa grosseira e que publica notícias falsas. Cale-se. Cale-se. Cale-se. Você é uma repórter falsa."

Horas depois do ocorrido, uma das contas da Casa Branca na rede social X intensificou os ataques contra Holmes, dizendo: "Um dia, seus filhos vão encontrar sua pergunta nojenta e desumana. Eles ficarão enojados e envergonhados de ter uma mãe tão insensível e vingativa. É perturbador".

Dezenas de colegas de Holmes, tanto na CNN quanto em outros veículos, saíram em defesa da jornalista após os ataques. Em nota, a emissora disse que Holmes "é uma das repórteres mais respeitadas e bem-sucedidas que cobrem a Casa Branca". "Ela fez uma pergunta relevante, difícil e noticiosa em nome do povo americano", prosseguiu o comunicado.

"Autoridades públicas têm o direito de questionar reportagens com as quais discordam, mas ataques pessoais contra jornalistas por fazer perguntas não fazem jus a esses cargos e são incompatíveis com os princípios da liberdade de imprensa. Estamos ao lado de Kristen e rejeitamos esses ataques nos termos mais fortes possíveis", concluiu.

Trump tem um longo histórico de ataques, xingamentos e grosserias contra jornalistas mulheres. Em junho, o presidente abandonou uma entrevista com a jornalista Kristen Welker, da NBC, após chamá-la de "corrupta ou burra". Em novembro de 2025, mandou a repórter Catherine Lucey, da Bloomberg News, calar-se e xingou-a de "porquinha" depois que a jornalista fez uma pergunta sobre o caso Jeffrey Epstein.

A explosão do presidente americano nesta segunda aconteceu em meio a uma série de reportagens da CNN e de outros veículos sobre as condições cada vez piores para militares americanos a bordo do porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln.

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O navio, no qual vivem e trabalham cerca de 5.000 pessoas, está no mar desde novembro de 2025. Trata-se de um período extremamente longo sem aportar: em condições de paz, embarcações da Marinha americana costumam visitar um porto a cada 45 dias. Durante operações militares, o período entre visitas a portos amigos costuma ser de, no máximo, seis meses. O porta-aviões está desde janeiro no Oriente Médio, participando da guerra dos EUA contra o Irã.

Dois veículos americanos especializados em assuntos militares, o Navy Times e o Stars and Stripes, noticiaram nesta semana tentativas de suicídio a bordo do navio. O Pentágono nega. Trump disse na segunda que o USS Abraham Lincoln está em ótimas condições e que a imprensa mente.

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