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Friday, October 2, 2026

Mercado de canetas emagrecedoras mira aumento no faturamento com profusão de genéricos

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São Paulo O mercado das chamadas canetas emagrecedoras está em profusão. Desde que a patente da semaglutida caiu no país, em março de 2026, diversos laboratórios correram para lançar suas próprias versões sintéticas do princípio ativo. Pelo menos 16 produtos similares e genéricos de semaglutida foram registrados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) este ano.

A primeira a registrar sua versão nacional do produto foi a EMS, que lançou a Ozivy nas farmácias em junho. A Hypera Pharma chegou ao mercado recentemente com a Semavy, sob a marca Mantecorp, que pode adicionar R$ 359 milhões em receita líquida para a empresa em seu primeiro ano completo de vendas (ou 4% da estimativa de receita total da Hypera para 2027), segundo relatório do Itaú BBA.

A Eurofarma usou a mesma molécula do Wegovy para lançar a Poviztra, enquanto uma molécula similar à do Ozempic foi usada para desenvolver um produto chamado Extensior.

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Com preços estimados entre 30% e 50% menores que os produtos originais, os genéricos devem elevar o potencial de faturamento desse mercado no Brasil. Estima-se que nos oito primeiros meses deste ano, o mercado brasileiro de GLP-1 movimentou cerca de R$ 10,1 bilhões, segundo o relatório. Hoje, o Mounjaro, produto protegido por patente até 2036, representa cerca de 65% da receita desse segmento.

Três dispositivos médicos sobre superfície metálica: caneta injetora azul e vermelha rotulada como Ozempic, seringa transparente com rótulo Mounjaro 2,5 mg, e pequeno frasco com tampa laranja.
Canetas emagrecedoras em teste realizado na Unicamp, em Campinas - Rubens Cavallari - 1º.jun.26/Folhapress

Sergio Mena Barreto, presidente da Abrafarma, entidade que representa os interesses das drogarias no país, vê com bons olhos a chegada de novos produtos para o tratamento de diabetes e obesidade.

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"Há uma parcela da população que vai se beneficiar desses novos produtos, já que hoje não conseguem comprá-los pelo preço proibitivo para parte das famílias", diz ele. "Toda medida que possa facilitar a vida do cliente é bem-vinda."

O governo vê na queda da patente um potencial para levar as canetas emagrecedoras à base de semaglutida para o SUS (Sistema Único de Saúde).

Há duas semanas, o presidente Lula (PT) disse, sem detalhar um cronograma, que os medicamentos injetáveis para obesidade devem ser disponibilizados de forma gratuita pelo sistema de saúde. O anúncio ocorreu em um evento durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG).

A Ozivy, semaglutida da EMS, chega ao mercado com preço a partir de R$ 452, podendo chegar a algo entre R$ 287 e R$ 300 mensais em pacotes de compra de 90 dias. A Mantecorp, por sua vez, pode ser encontrada nas farmácias a R$ 333.

Os valores são consideravelmente inferiores aos praticados pelas canetas importadas, como Ozempic e Wegovy (cerca de R$ 999 cada) e Mounjaro, que varia de R$ 1.422 a R$ 3.499.

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"Estamos vivendo um momento de maior conscientização sobre a obesidade como doença crônica. Cerca de 25% da população brasileira vive com obesidade e mais de 60% está acima do peso. Ao firmar uma parceria com a Novo Nordisk em 2025, reforçamos o compromisso de ampliar o acesso à semaglutida biológica original", diz Andréa Frazão, diretora de prescrição médica da Eurofarma.

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Com a queda do preço para o consumidor, a tendência é que o mercado de canetas emagrecedoras piratas diminua. O mercado paralelo é sustentado por contrabando de medicamentos irregulares do Paraguai e laboratórios clandestinos em "fundos de quintal" pelo país.

Com esse potencial, outra disputa ganhou os holofotes. A EMS, maior farmacêutica do país, tenta elevar em 108% a alíquota de importação das canetas que chegam prontas do exterior. Um pedido feito pela empresa à Camex (Câmara de Comércio Exterior), em setembro, pede que o imposto de importação suba de 7,2% para 15%.

No mercado, há um receio de que esse aumento de imposto, se adotado, atinja parte dos concorrentes que fornecem as canetas da mesma substância, como a Novo Nordisk, dona do Ozempic e Wegovy, além da Hypera, Sandoz e Eurofarma.

O Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos) disse à Folha que apoia "a ampliação da produção nacional de medicamentos", mas que "o caminho para fortalecer a indústria local é reduzir o custo de produzir no Brasil, e não aumentar o custo de quem importa", diz a entidade.

"A concorrência em igualdade de condições, inclusive tributárias, é saudável para o mercado e, sobretudo, para o paciente. Por isso, se for chamado pela Camex para se manifestar, o Sindusfarma será contrário à elevação do imposto de importação sobre o produto acabado", afirma o presidente da entidade, Nelson Mussolini.

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O presidente da Interfarma, Renato Porto, diz que um regime diferenciado poderia reduzir o potencial do mercado. "As diferenciações podem, na nossa avaliação, em vez de ajudar, dificultar que tenhamos um mercado saudável", afirma.

"É importante que a gente faça com que o medicamento tenha o menor preço e que tenha as menores alíquotas, para que esses produtos, de fato, consigam ter o menor preço possível no país, seja para quem produz, para quem importa e para o consumidor."

Um representante de uma empresa que possivelmente será atingida pelo aumento da tributação afirmou à reportagem que o aumento do custo de produção poderá fortalecer o mercado pirata do produto.

O Grupo FarmaBrasil, por sua vez, disse que defende a "preservação do equilíbrio". "Para que isso funcione, precisamos de segurança jurídica e previsibilidade. As empresas precisam saber qual é o prazo de proteção para tomar as decisões de investimento, tanto em inovação quanto na produção de medicamentos que entrarão no mercado depois da expiração da patente", afirma Reginaldo Arcuri, presidente do grupo.

De acordo com dados levantados pela Abifina (Associação Brasileira da Indústria de Química Fina), cerca de 1.500 patentes de princípios ativos e processos industriais vinculados a aproximadamente mil medicamentos vão expirar nos próximos anos. Juntos, os medicamentos que perderão a exclusividade representam um mercado potencial total estimado em dezenas de bilhões de reais.

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