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Friday, October 23, 2026

João Milliet revela bastidores da mixagem e de projetos indicados ao Grammy Latino

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Mixer de artistas como Liniker, Sandy e Anitta explica como constrói a identidade sonora de cada projeto e defende a valorização da música brasileira no exterior

Karla Sthefany

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João Milliet - Foto: Reprodução/YouTube
João Milliet - Foto: Reprodução/YouTube

A mixagem é uma das etapas fundamentais para definir como uma música será ouvida pelo público. Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o mixer João Milliet revelou os bastidores desse processo e compartilhou experiências em trabalhos com artistas como Liniker, Sandy, Anitta, JP e Chitãozinho & Xororó. 

Com cerca de 10 projetos indicados ao Grammy Latino neste ano, ele também comentou a influência das redes sociais no consumo musical e a presença da música brasileira no mercado internacional.

A identidade sonora de cada artista

Para Milliet, a mixagem exige compreender as referências e respeitar a visão artística de cada projeto. O objetivo não é impor uma assinatura própria, mas valorizar as características da música e encontrar o equilíbrio entre voz, instrumentos e efeitos.

“Eu não quero que as pessoas escutem um som e digam: ‘Ah, foi fulano de tal que fez’. Eu prefiro que as pessoas escutem o som e perguntem: ‘Quem foi que fez isso aí?’”, afirmou.

O profissional destacou que sua formação musical, marcada pelo contato com diferentes gêneros desde a infância, contribuiu para desenvolver essa sensibilidade. Segundo ele, pequenos ajustes podem mudar completamente a percepção de uma faixa, tornando essencial conhecer as referências do artista.

A comunicação entre os envolvidos também é determinante. Enquanto algumas produções chegam praticamente prontas ao mixer, outras permitem maior liberdade criativa. Cabe ao profissional compreender o que o artista e o produtor desejam antes de definir os caminhos da mixagem.

Grammy Latino e música brasileira no exterior

Ao comentar os projetos indicados ao Grammy Latino, Milliet ressaltou que o reconhecimento é resultado de um trabalho coletivo. Para ele, uma das experiências mais importantes acontece quando o artista escuta a mixagem e se identifica ainda mais com a própria música.

“Eu sinto que, quando o artista se emociona, ele consegue transbordar isso para as pessoas e contagiar”, explicou.

Entre os trabalhos mencionados na conversa, o mixer destacou CAJU, álbum de Liniker, e a clareza da cantora na construção da narrativa do disco. Ele recordou as discussões sobre a ordem das faixas e como a artista demonstrava segurança em relação à proposta que desejava apresentar.

Milliet também defendeu a valorização da identidade musical brasileira no mercado internacional. Para ele, artistas nacionais não precisam reproduzir padrões estrangeiros para conquistar novos públicos.

“É muito bonito quando você escuta uma música que é feita, pensada, trabalhada para valorizar essa identidade e não para tentar soar que nem a música americana”, afirmou.

O profissional citou nomes como Gilberto Gil, Milton Nascimento, Sepultura, Angra e Tom Jobim como exemplos de artistas que levaram diferentes expressões da música brasileira ao exterior. Ele também destacou o interesse internacional pelo funk e ressaltou a importância de explorar as particularidades culturais do país.

“A gente tem que valorizar o que a gente sabe fazer de bacana e não tentar copiar o que eles fazem”, defendeu.

TikTok, streaming e os desafios da mixagem

A popularização dos vídeos curtos exige que a mixagem considere como as músicas soam em diferentes dispositivos, especialmente nos celulares. “Não adianta eu achar maravilhoso no estúdio e estar soando mal no telefone”, afirmou Milliet.

Sua experiência como músico, incluindo trabalhos com André Matos e Sandy, também influencia o processo. Nas faixas vocais, ele começa pela voz e constrói a sonoridade ao redor dela, respeitando a interpretação e a dinâmica de cada música.

O reconhecimento dos profissionais dos bastidores

Apesar de sua importância para o resultado final, a mixagem costuma passar despercebida pelo público. Milliet avalia que os ouvintes geralmente notam o trabalho quando algo compromete a experiência de escuta, mas ressalta que uma boa mixagem não substitui a qualidade da composição.

Para ele, a função do mixer é valorizar a música e permitir que o artista se sinta representado pelo resultado.

“Eu quero que o artista se apaixone pela música dele mais do que ele se apaixonou”, resumiu.

O profissional também defendeu o reconhecimento dos mixers brasileiros e criticou a ideia de que uma produção precisa ser enviada ao exterior para alcançar qualidade. Segundo ele, o país reúne profissionais capazes de desenvolver trabalhos relevantes e construir sonoridades próprias.

Mesmo longe dos holofotes, esses profissionais desempenham um papel essencial na indústria musical: transformar a visão artística em uma experiência sonora que conecte o artista ao público.

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Karla Sthefany

Karla Sthefany é formada em jornalismo e já foi repórter em diversos sites de entretenimento, como o Observatório dos Famosos, Entretê Spin OFF e NerdWeek. Hoje atua como repórter na CARAS Brasil, na Contigo! e na Rolling Stone Brasil. Apaixonada por música, cinema e livros. Críticas ou sugestões: [email protected]

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