O plano de R$ 20 milhões do Hopi Hari para atrair 500 mil visitantes com a Hora do Horror
Todos os dias, por volta das 14h, começa uma espécie de linha de montagem de monstros. Mais de 180 atores precisam passar por maquiagem, aplicação de próteses, perucas e figurinos para se transformar em robôs e criaturas assustadoras. O processo leva de quatro a cinco horas. Tudo precisa estar pronto para o primeiro espetáculo da noite, às 18h30.
Essa é parte da operação por trás da Hora do Horror, principal evento do Hopi Hari, parque de diversões localizado em Vinhedo, no interior de São Paulo.
A produção mobiliza mais de dez maquiadores, profissionais de figurino e uma equipe responsável por fabricar os elementos usados na caracterização dos personagens. É uma estrutura montada para funcionar durante quase três meses, com centenas de pessoas envolvidas.
Em 2026, o tamanho dessa operação ganhou uma nova dimensão.
Para celebrar os 25 anos da Hora do Horror, o Hopi Hari destinou 20 milhões de reais à temporada, o maior investimento já realizado no evento. A expectativa é receber 500 mil visitantes até 9 de novembro.
A edição também marca um novo momento para a empresa, que saiu da recuperação judicial em outubro de 2025 e tenta acelerar o crescimento.
“É o investimento do mesmo nível de uma área temática inteira, para um evento do ano”, diz Fernando Fiszbein, integrante da diretoria do Hopi Hari, em entrevista à EXAME.
A aposta, porém, vai além dos três meses de terror.

Fernando Fiszbein do Hopi Hari (Hopi Hari/Divulgação)
Depois de receber cerca de 1,5 milhão de visitantes em 2025, o Hopi Hari pretende chegar a 1,7 milhão em 2026.
O desafio da nova diretoria é aproveitar o público atraído pela Hora do Horror para fortalecer a marca, alcançar consumidores de outros estados e, principalmente, reduzir a diferença de movimento entre os meses mais fortes e os períodos de baixa temporada.
Como funciona a fábrica de monstros do Hopi Hari
A preparação para a Hora do Horror começa meses antes da abertura dos portões. É preciso desenvolver personagens, criar figurinos, produzir cenários e organizar a operação que transforma o parque quando começa a programação de terror.
Em 2026, a complexidade aumentou. O tema escolhido foi "N3KRON: O Protocolo", uma história que coloca a inteligência artificial no centro de um conflito entre humanos e máquinas.
Para construir esse universo, o Hopi Hari precisou criar personagens inspirados em robôs e no estilo cyberpunk, gênero de ficção científica que mistura tecnologia avançada e cenários sombrios.
As próteses usadas pelos atores são produzidas dentro do próprio parque. O mesmo acontece com as perucas e parte dos elementos de caracterização. Há profissionais dedicados à criação dos moldes, enquanto outros trabalham na maquiagem e na preparação dos figurinos.

Hora do Horror 2027 (Hopi Hari/Divulgação)
A operação conta ainda com uma parceria com o CULTSP PRO, programa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, voltado à formação de profissionais do setor cultural. Segundo Oliver Krause, executivo responsável pelas operações do Hopi Hari, a parceria permitiu contratar mais de 200 profissionais para funções ligadas à produção artística, incluindo atividades de cenografia e figurino.
No total, o parque trabalha com uma operação de aproximadamente 700 a 800 funcionários durante a temporada, segundo Krause. São profissionais envolvidos em atrações, atendimento, segurança e outras atividades necessárias para receber o público.
O que mudou na Hora do Horror de 2026
A edição de 25 anos também trouxe mudanças na estrutura do evento.
O Hopi Hari montou três túneis temáticos, incluindo o retorno de um terceiro percurso de terror. Segundo a empresa, a temporada reúne as maiores fachadas já construídas para as atrações e o maior palco da história da Hora do Horror.
A diferença está também na forma como os visitantes interagem com os cenários.
Pela primeira vez, o parque incorporou automações e recursos interativos capazes de fazer ambientes e efeitos responderem à presença do público. “O horror interage com o visitante”, diz Krause.
Embora a inteligência artificial seja o tema central da história, a experiência continua dependendo do trabalho dos atores, da cenografia e dos efeitos especiais.
De monstros a bonecos de pelúcia: como o terror vira negócio
A Hora do Horror também movimenta outras atividades comerciais dentro do Hopi Hari.
A cada edição, o parque cria produtos ligados aos personagens e à história apresentada ao público. Em 2026, a comemoração de 25 anos ampliou esse trabalho.
Um dos produtos que surpreendeu os executivos foi o Necronzinho, boneco de pelúcia inspirado no universo da temporada. “O bonequinho é mais feio que o Chucky”, diz Fiszbein, em referência ao personagem de filmes de terror.
Segundo Krause, o Hopi Hari costuma produzir edições limitadas de pelúcias temáticas, geralmente entre 250 e 300 unidades por ano. Nesta temporada, a empresa ampliou a produção diante do interesse dos fãs.
A estratégia também envolve marcas parceiras que passaram a criar produtos e experiências ligados diretamente à história do evento. Entre elas estão Coca-Cola FEMSA, Germânia, Docile, Gela Boca e Doritos.
A Germânia, por exemplo, desenvolveu um chope verde para a temporada. A Docile participa com doces temáticos, enquanto a Gela Boca oferece produtos relacionados ao universo da Hora do Horror.
Por que a Hora do Horror é tão importante para o Hopi Hari
A Hora do Horror representa o principal período de movimento do Hopi Hari. É quando o parque concentra parte relevante dos visitantes que recebe ao longo do ano.
A expectativa de chegar a 500 mil pessoas em 2026 mostra a dimensão do evento.
Se a meta for alcançada, o público da temporada representará o equivalente a quase 30% dos 1,7 milhão de visitantes que a empresa pretende receber no ano inteiro.
Criada em 2002, a Hora do Horror passou a ocupar um papel central na estratégia comercial do parque. A cada edição, a empresa precisa apresentar um novo tema, construir cenários e desenvolver personagens para atrair tanto novos visitantes quanto quem já participou em anos anteriores.
A aposta acontece em um período de reorganização do negócio. Em outubro de 2025, o Hopi Hari deixou a recuperação judicial. Segundo Krause, a saída desse processo abriu espaço para ampliar parcerias e retomar investimentos.
Uma das novidades de 2026 foi a inauguração do Aero Venture, atração apresentada ao público no fim de abril. O parque também vem realizando intervenções de revitalização e ampliando as parcerias comerciais.
A nova diretoria, formada com a chegada de Krause em 2025 e de Fiszbein em 2026, pretende combinar os investimentos em atrações com uma estratégia para fortalecer a marca do Hopi Hari.
O plano para atrair visitantes de outros estados
Uma das apostas para sustentar o crescimento é fazer o Hopi Hari deixar de depender tanto dos visitantes de São Paulo.
O parque continua tendo como principal mercado os consumidores da capital paulista e de cidades do interior, mas a diretoria diz perceber mudanças no perfil do público.
Segundo Fiszbein, a Hora do Horror de 2026 começou a atrair mais visitantes do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Paraná. A empresa também relata crescimento da presença de turistas do Nordeste e do Centro-Oeste. “A gente tá furando a bolha”, diz Fiszbein.
O executivo afirma que a proximidade com os aeroportos de Viracopos, Congonhas e Guarulhos ajuda a ampliar o alcance do parque para outras regiões do país.
Para os próximos meses, o Hopi Hari prepara uma ampliação do Natal Mágico. Segundo os executivos, a intenção é realizar a maior edição do evento natalino já promovida pelo parque.
A estratégia é manter o ritmo de visitas depois do encerramento da Hora do Horror, em 9 de novembro, e estender a movimentação até o verão.
O plano também enfrenta um obstáculo: o fim do ano coincide com um período em que muitos moradores de São Paulo deixam a cidade para viajar.
A diretoria quer fazer com que o Hopi Hari se torne uma alternativa para quem permanece na região e uma opção de viagem para consumidores de outros estados.
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