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Saturday, October 3, 2026

Peste mata uma mulher na Sibéria, 200 pessoas em isolamento

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Uma mulher de 28 anos, que trabalhava como técnica de laboratório no Instituto de Combate à Peste de Irkutsk, na Sibéria, morreu vítima da doença, anunciaram esta sexta-feira as autoridades russas, que já colocaram quase 200 pessoas sob observação médica e isolamento, de forma a controlar a propagação da doença, refere o jornal The Moscow Times.

Inicialmente, as autoridades de Irkutsk tinham descrito a doença como uma “infeção particularmente perigosa”, mas, mais tarde, o governador da região de Buriátia (que faz fronteira com Irkutsk) revelou que a mulher morreu vítima de uma forma não especificada de peste.

O governador da região russa de Irkutsk, Igor Kobzev, adiantou esta sexta-feira que se reuniu com a chefe da Rospotrebnadzor, a agência de saúde pública da Rússia, para tratar de “um caso suspeito de um residente da região com uma infeção particularmente perigosa”, sem referir que a pessoa em causa tinha morrido. A mulher foi identificada pela publicação ‘Povo do Baikal’, um órgão de comunicação independente regional, como Daria Shipilova, uma técnica de laboratório.

Segundo os relatos divulgados pela imprensa russa, Shipilova disse à equipa médica que a assistiu que tinha partido acidentalmente um tubo de ensaio que continha bactérias de peste (uma doença causada pela bactéria Gram‑negativa Yersinia pestis), enquanto recolhia amostras para análise.

Técnica de laboratório ainda foi ventilada, mas acabou por morrer

A jovem foi hospitalizada na terça-feira com sintomas de pneumonia em Shelekhov, uma cidade próxima da cidade de Irkutsk, já perto da fronteira com a Mongólia. Daria Shipilova ainda foi ventilada, mas acabou por morrer na quinta-feira. O hospital distrital de Shelekhov foi colocado em quarentena enquanto aguarda avaliação por uma comissão especial de saúde.

Pelo menos 197 pessoas que podem ter tido contacto com a técnica de laboratório foram colocadas em isolamento médico, incluindo mais de 100 em enfermarias hospitalares. As autoridades regionais cancelaram já vários eventos públicos planeados em Irkutsk, enquanto a polícia abriu uma investigação criminal sobre possíveis violações das normas de segurança sanitária. O governador da região de Irkutsk, Igor Kobzev, pediu à população que mantenha a calma depois de se reunir com a chefe da Rospotrebnadzor, Anna Popova, para coordenar medidas de contenção.

Detetados dois casos de peste pneumónica na China, a forma mais perigosa da doença

“Todas as pessoas que tiveram contacto com o caso foram colocadas sob observação médica. Até ao momento, não apresentam sintomas e os resultados dos exames laboratoriais foram negativos”, escreveu Kobzev no Telegram, esta sexta-feira.

Embora não seja conhecido o tipo de peste em causa, alguns relatos (nomeadamente num popular canal de Telegram com ligações aos serviços de segurança russos) apontam para a possibilidade de se tratar de peste pneumónica. Este tipo de peste é descrito pela OMS como “a forma mais virulenta da peste”, que afeta os pulmões e pode ter um período de incubação de apenas 24 horas. A peste pneumónica causa sintomas como tosse e falta de ar, sendo considerado o tipo de peste mais contagioso, pois pode ser facilmente transmitida de pessoa para pessoa por partículas respiratórias. Este tipo de peste tem uma taxa de mortalidade bastante alta, próxima dos 100% se não for tratada, e de 50% se for tratada.

Contudo, o tipo mais comum de peste é a peste bubónica, que provoca calafrios, vómitos, dores no corpo e febre em quem contrai a doença — normalmente transmitida após a picada de uma pulga infetada. Em estados avançados, a peste bubónica pode disseminar-se e afetar os pulmões, tornando-se também em peste pneumónica. Se a peste bubónica atingir a corrente sanguínea, pode levar à peste septicémica.

Dez países relataram casos suspeitos ou confirmados de peste entre 2019 e 2025, totalizando quase 4 mil casos suspeitos por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o Instituto Robert Koch, órgão responsável pelo controlo de doenças na Alemanha, são registados até 3 mil casos de peste por ano em todo o mundo. As regiões mais afetadas atualmente por surtos de peste são a República Democrática do Congo, Uganda e, principalmente, Madagáscar, onde ocorreu o último grande surto, em 2017.

Contudo, a região da Ásia Central também tem um histórico de infeções por peste. Entre 2019 e 2025, a Mongólia — país que faz fronteira com a Sibéria — confirmou 17 casos de peste, que resultaram em sete mortes. Ao mesmo tempo, um estudo científico publicado em junho concluiu que as populações que viviam nas imediações do Lago Baikal, no sudeste da Sibéria, sofreram surtos mortais de peste há aproximadamente 5.500 anos.

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