Presidente do PL diz que não aprova carta em tom golpista publicada por Flávio Bolsonaro

Valdemar Costa Neto falou ao chegar para uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. O presidente do PL ainda não havia se manifestado sobre a carta.
Repórter: Presidente, o que você achou da carta do Flávio ontem, presidente?
Valdemar Costa Neto: Não gostei.
Repórter: Não gostou?
Valdemar Costa Neto: Não.
Na quarta-feira (28), Flávio publicou duas versões de carta nas redes sociais. Na primeira, em tom golpista, às 17h19, se autoproclamou "o verdadeiro presidente do Brasil" e "presidente eleito". Depois, mudou o documento e passou a se apresentar como "líder do Brasil". No entanto, manteve os trechos em que não reconhecia o resultado das urnas e a afirmação, sem provas, de que as eleições foram fraudadas.
Na saída da casa de Bolsonaro, Valdemar voltou a criticar a carta.
“Ninguém aprovou a carta. Ninguém aprova isso. Queremos tocar a vida para frente. Ninguém quer ter problema, ninguém aprova essa situação que aconteceu com o Flávio. O Flávio passou uma situação difícil, nós compreendemos, mas não aprovamos. Queremos tocar o país para frente”, diz Valdemar Costa Neto.
O repórter, então, quis saber se Flávio havia se despedido do pai antes de fugir para os Estados Unidos.
Repórter: Flávio se despediu do pai dele?
Valdemar Costa Neto: Lógico, ele veio no dia seguinte.
Os jornalistas perguntaram de novo, e Valdemar negou que Bolsonaro soubesse antes da fuga:
“Ele veio para ver o pai. Não sabia que ia. Nem o Bolsonaro sabia que ele ia. Ninguém sabia”.
Presidente do PL diz que não aprova carta em tom golpista publicada por Flávio Bolsonaro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Além do PT, partido de Lula, 27 dos 30 partidos políticos do Brasil, de todos os espectros políticos, reconheceram o resultado das urnas, incluindo os que apoiaram Flávio Bolsonaro. O PL reconheceu oficialmente a reeleição de Lula já na segunda-feira (26). Até agora, apenas o Mobiliza não se manifestou. Só o Novo não reconheceu o resultado: o presidente do partido anunciou três ações pedindo a cassação da chapa de Lula.
Na quarta-feira (28), contrariando as afirmações de Flávio na carta, o senador Rogério Marinho, do PL, coordenador da campanha dele à Presidência, disse que não é possível afirmar que houve fraude nas eleições.
Repórter: O PL considera que houve fraude eleitoral?
Rogério Marinho, senador: Não. O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há prova nesse sentido.
Aliados de Flávio, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB, e a senadora Teresa Cristina, líder do Progressistas, também defenderam o respeito ao resultado das urnas.
A Polícia Federal considera que já está claro que Flávio Bolsonaro planejava fugir e, por isso, descumpriu a decisão do Supremo e não entregou os passaportes. A PF não tem uma confirmação oficial de que governos de outros países ajudaram Flávio a cruzar a fronteira e deixar o território brasileiro. Mas, segundo investigadores, se surgirem indícios de que um país estrangeiro está tentando interferir no processo democrático brasileirol, isso vai ser alvo de inquérito.
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