Como uma rebatida alterou o destino de um jogador de beisebol no 11 de Setembro
Um home run dramático, a jogada máxima do beisebol, reescreveu o destino de um atleta profissional e evitou sua presença em um dos episódios mais trágicos da história contemporânea. Uma reportagem publicada pelo portal Yahoo Sports recuperou os bastidores de um evento ocorrido em setembro de 2001, quando a trajetória de uma série eliminatória de beisebol nas ligas menores dos Estados Unidos convergiu de maneira improvável com os atentados de 11 de setembro.
O protagonista involuntário dessa reviravolta foi o jovem rebatedor Michael Cuddyer, cujos acertos em campo salvaram indiretamente a vida do arremessador australiano Brad Thomas.
A história remonta a um quarto de século atrás, no estádio de New Britain, em Connecticut. A equipe local, New Britain Rock Cats — filial da Double-A do Minnesota Twins —, enfrentava o rival Norwich pelo playoff divisional da Eastern League. Na partida de abertura da série melhor de cinco, o cenário era adverso para os mandantes na nona e última entrada, com dois eliminados e corredores em bases.
A rebatida decisiva e a extensão da temporada
Michael Cuddyer assumiu a responsabilidade como uma das principais promessas da organização dos Twins. Diante do arremessador rival Domingo Jean, o jovem de 22 anos trabalhou uma contagem longa e decisiva. Com três bolas e dois strikes, Cuddyer conectou uma bola rápida e a mandou por cima do muro do campo esquerdo, garantindo uma vitória de virada por walk-off, quando a rebatida finaliza a partida.
O impacto da rebatida inicial foi apenas o catalisador de uma virada na série. Impulsionados pelo momento, os Rock Cats eliminaram o Norwich em quatro jogos, garantindo a classificação em 9 de setembro de 2001. No total do confronto, Cuddyer acumulou seis rebatidas em doze oportunidades, incluindo outro home run massivo na partida que fechou o mata-mata.
O que parecia ser apenas um marco heroico na história esportiva da franquia de Connecticut assumiu proporções existenciais poucas horas depois. O planejamento original da diretoria previa o encerramento imediato das atividades para os atletas estrangeiros ao fim da participação no torneio. O arremessador canhoto Brad Thomas tinha passagens aéreas compradas para retornar a Sydney, na Austrália, junto com sua futura esposa, Kylie.
O 11 de Setembro e o voo evitado
Na manhã de terça-feira, 11 de setembro de 2001, o casal tinha assentos reservados no voo 11 da American Airlines, a aeronave sequestrada por terroristas que colidiu contra a Torre Norte do World Trade Center. O único motivo pelo qual Thomas e sua namorada não embarcaram na tragédia foi a extensão da temporada dos Rock Cats, viabilizada justamente pelo desempenho de Cuddyer nos playoffs.
A ficha caiu para o grupo de jogadores e comissão técnica quando os treinos e reuniões pré-jogo foram interrompidos pelas notícias dos ataques em Nova York e Washington. Ao conversarem com dirigentes da equipe, Thomas e a namorada descobriram que estariam entre os passageiros do avião condenado se o time tivesse sido eliminado na primeira série. O campeonato foi imediatamente paralisado, a liga declarou os finalistas co-campeões e o espaço aéreo americano foi fechado por dias, isolando os atletas em solo norte-americano.
Anos mais tarde, com passagens por equipes da Major League Baseball (MLB) e pelo beisebol japonês, Brad Thomas refletiu sobre o episódio com forte carga emocional. O arremessador reconheceu publicamente que sua sobrevivência e o nascimento de seus filhos decorreram diretamente daquela rebatida salvadora. Michael Cuddyer, que construiu uma carreira sólida na elite do esporte com quase duzentos home runs na liga principal, admitiu que nenhuma de suas marcas em finais de campeonato se compara, em termos de impacto humano, ao voo daquela bola em New Britain.
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