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Friday, November 6, 2026

Renúncia de Peña coloca agro paraguaio em alerta sobre crédito e câmbio

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A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, abre um período de atenção para o agronegócio e para os investidores estrangeiros que encontraram no país um ambiente favorável à expansão dos negócios. Embora as lideranças do setor não identifiquem, neste primeiro momento, impactos diretos sobre a produção agrícola, os contratos ou as operações das empresas, a crise envolvendo o sistema financeiro paraguaio e seus desdobramentos políticos colocam em discussão a capacidade do país de preservar a estabilidade econômica e a confiança do mercado.

A avaliação predominante entre representantes do agronegócio é de que a mudança no comando do Executivo não deve provocar alterações significativas na condução da economia. Isso porque a sucessão ocorre dentro do mesmo grupo político, com a expectativa de que o vice-presidente assuma o governo e mantenha as principais diretrizes adotadas pela administração Peña. Ainda assim, o episódio exige acompanhamento, principalmente pelos possíveis efeitos indiretos sobre a oferta de crédito, o comportamento do câmbio e a disposição de investidores brasileiros em ampliar seus negócios no território paraguaio.

O episódio tem como pano de fundo uma crise no sistema bancário, que colocou sob questionamento decisões relacionadas à concessão de benefícios a uma instituição financeira. Segundo relatos de representantes ouvidos pela reportagem, o banco teria recebido concessões que não estavam previstas nos procedimentos operacionais do Banco Central paraguaio, em um processo que envolveu decisões políticas e integrantes da estrutura financeira do país.

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A instituição, que teria origem em uma antiga empresa de factoring, passou por uma transformação até alcançar o status de banco. A crise ganhou dimensão política diante de questionamentos sobre a relação entre seus administradores e integrantes do governo, além de alertas que teriam sido feitos previamente sobre os riscos das decisões adotadas. O caso também alcançou o Banco Central, cuja condução passou a ser questionada em razão das autorizações concedidas à instituição.

A dimensão da crise financeira também preocupa pelo alcance da instituição envolvida e segundo Esther Storch, diretora-sócia da DASAGRO, o Ueno Bank tinha aproximadamente 3 milhões de clientes em um país com população estimada em 6,1 milhões de habitantes. Os depósitos públicos, incluindo recursos da previdência estatal, somavam cerca de US$ 850 milhões. O caso envolve acusações de desvio de recursos, conflito de interesses e outras irregularidades, ampliando a preocupação sobre os efeitos da crise para além dos correntistas e dos administradores do banco.

Na avaliação de um representante do setor agrícola paraguaio ouvido pela reportagem, a responsabilidade pelas decisões relacionadas ao banco não se restringe aos administradores da instituição. Segundo ele, o FMI (Fundo Monetário Internacional) também teria responsabilidade no episódio, diante dos benefícios concedidos, enquanto as decisões políticas teriam permitido condições que não estavam contempladas no manual de operações do Banco Central.

A crise resultou na saída de Peña, que apresentou sua renúncia em meio ao avanço das discussões sobre um possível processo de impeachment. O episódio também pode ter desdobramentos judiciais para os envolvidos na administração do banco e para os responsáveis pelas decisões questionadas. Para o agronegócio, entretanto, a principal preocupação está menos na mudança de nomes no Executivo e mais na capacidade de as instituições paraguaias conduzirem a investigação e preservarem o funcionamento do sistema financeiro.

Sucessão política deve preservar diretrizes econômicas

Para Lindemar Cesca, presidente da APS (Associação dos Produtores de Soja, Oleaginosas e Cereais do Paraguai), a renúncia não deve representar uma ruptura política capaz de alterar o ambiente de negócios no país. Ele avalia que a sucessão deve ocorrer rapidamente, com a manutenção do mesmo grupo político à frente do Executivo, o que tende a preservar as diretrizes econômicas e tributárias em vigor.

"Com a renúncia do presidente do Paraguai, a instabilidade política acredito que não vai ter, porque as soluções são rápidas aqui. O Congresso está reunido neste momento e provavelmente vai aceitar a renúncia do presidente e, na sequência, já vai nomear o vice como presidente. Então, a questão política não vai mudar, mesmo porque continua o mesmo partido. As ideologias, tudo continua igual", afirmou.

Na avaliação de Cesca, o fato de o vice-presidente ter participado das decisões do governo e acompanhado de perto a condução da política econômica reduz o risco de mudanças bruscas durante a transição. A expectativa é de continuidade das medidas que vinham sendo adotadas, especialmente na política tributária, considerada um dos pontos de sustentação da competitividade paraguaia.

"Questão tributária vem de longo prazo. O antigo presidente da República já vinha com IVA (Imposto sobre Valor Agregado) de 10% e, nessa linha política e econômica, o partido continua. Então, vai mudar de repente o comandante, mas a ideia econômica, os economistas continuam os mesmos. Não vemos isso como um problema", disse.

O calendário eleitoral também entra nessa avaliação, pois a expectativa de continuidade administrativa considera que o Paraguai terá eleições internas dos partidos em 2027, eleições presidenciais em abril de 2028 e a posse do novo presidente em agosto daquele ano. Até lá, a avaliação das lideranças é de que a atual orientação econômica deverá permanecer, mesmo com a mudança no comando do Executivo.

Na avaliação de Esther Storch, entretanto, a continuidade política não elimina os riscos para a confiança dos investidores. A diretora-sócia da DASAGRO considera que a renúncia pode ampliar a percepção de incerteza no curto prazo, especialmente enquanto não houver uma definição sobre a sucessão presidencial e a capacidade do novo comando de administrar a crise financeira.

Para ela, o principal fator de preocupação será a capacidade do sucessor de preservar a estabilidade financeira, garantir a continuidade administrativa e implementar as mudanças necessárias para solucionar os problemas do sistema bancário. Caso a transição se prolongue ou não consiga conter os efeitos da crise, a confiança dos investidores poderá ser comprometida.

Para o agronegócio, a manutenção desse ambiente é relevante porque decisões de investimento no campo costumam envolver compromissos financeiros e operacionais de longo prazo. A compra ou o arrendamento de terras, a instalação de estruturas de armazenagem, a aquisição de máquinas e a implantação de lavouras dependem de previsibilidade regulatória e de confiança na validade dos contratos.

Segurança jurídica é principal preocupação dos investidores

A preocupação com a preservação das instituições também aparece na avaliação de André Guillaumon, presidente da BrasilAgro. Para ele, a maneira como o Paraguai conduz a crise pode reforçar a percepção de que o país possui mecanismos institucionais capazes de responder a situações de instabilidade sem comprometer a segurança jurídica.

"O que aconteceu hoje no Paraguai mostra que o país é sério", avaliou Guillaumon durante o BrasilAgro Day, evento voltado a analistas financeiros.

A declaração está relacionada à capacidade de as instituições paraguaias darem encaminhamento à crise e responsabilizarem os envolvidos, sem que o episódio necessariamente represente uma mudança nas regras que orientam os negócios. Na visão do executivo, alterações no comando do governo não significam, por si só, uma ameaça aos investimentos. O ponto central é garantir que os contratos sejam respeitados e que a transição política ocorra dentro das regras institucionais.

"Mudanças de governo, por si só, não representam necessariamente uma ameaça aos negócios. O ponto central é a preservação das instituições, dos contratos e da segurança jurídica durante a transição política", afirmou.

A avaliação, porém, é de que o episódio já aumenta a percepção de risco entre os agentes econômicos. Esther Storch pondera que a insegurança política e a insegurança jurídica são conceitos diferentes. Na avaliação dela, a segunda se torna efetivamente mais concreta quando há decisões arbitrárias, como aplicação retroativa de regras ou descumprimento de obrigações assumidas pelo poder público.

A diretora-sócia da DASAGRO observa que o governo de Santiago Peña havia construído uma relação próxima com empresas de diferentes setores, o que também torna necessário acompanhar como essa interlocução será conduzida pela nova administração. Para ela, ainda não existe uma posição consolidada dos produtores sobre os efeitos da mudança política, mas o cenário exige uma análise mais cuidadosa dos riscos.

A avaliação ganha relevância diante da presença de empresas brasileiras no Paraguai. Nos últimos anos, o país se consolidou como uma alternativa para produtores e grupos empresariais interessados em diversificar operações na América do Sul, especialmente em atividades ligadas à agricultura e à pecuária.

A disponibilidade de terras, os custos de produção, a proximidade geográfica com o Brasil e um ambiente tributário considerado competitivo estão entre os fatores que sustentam esse movimento. A BrasilAgro, por exemplo, mantém operações no território paraguaio por meio da Fazenda Morotí, localizada no Chaco, onde desenvolve atividades agrícolas e pecuárias.

O interesse de investidores brasileiros também voltou a crescer após as eleições no Brasil, segundo relato de um representante empresarial que acompanha a movimentação de negócios no país. A avaliação é de que a crise poderá provocar uma pausa temporária nas decisões de investimento, com algumas semanas de maior cautela até que o cenário político esteja mais definido.

A expectativa, porém, é de retomada do ritmo de consultas e negociações assim que a sucessão presidencial estiver concluída e houver maior clareza sobre os desdobramentos da crise bancária.

Crise bancária acende alerta para crédito e fundos de aposentadoria

Embora o setor agrícola não tenha uma relação direta com a instituição financeira envolvida na crise, os possíveis efeitos sobre o sistema bancário como um todo são acompanhados com atenção. A principal dúvida é se o episódio poderá comprometer a disponibilidade de recursos para financiamento da economia paraguaia, inclusive para atividades produtivas.

Segundo a avaliação de um representante do setor agrícola ouvido pela reportagem, ainda não é possível dimensionar se haverá consequências de médio prazo sobre a oferta de crédito. A expectativa inicial é de que o sistema bancário consiga absorver o problema sem provocar uma deterioração generalizada das condições de financiamento, mas o resultado dependerá da extensão das perdas e da capacidade de resposta das autoridades.

"O setor agrícola não está diretamente afetado, mas, indiretamente, toda a instabilidade gera um momento de incerteza. Ainda não sabemos se, a médio prazo, isso afetará o crédito. Acreditamos que não, mas só o tempo nos dirá se o sistema bancário paraguaio como um todo vai suportar bem. Acreditamos que sim", afirmou.

A preocupação não é necessariamente com a exposição direta dos produtores ao banco que entrou em crise, mas com a possibilidade de o episódio provocar efeitos sobre a confiança dos depositantes, a liquidez das instituições e a disposição dos bancos de ampliar a concessão de financiamentos.

No agronegócio, o crédito tem papel importante para financiar o custeio das lavouras, a compra de insumos, a aquisição de máquinas e os investimentos em infraestrutura. Mesmo em um cenário no qual as operações agrícolas não estejam diretamente vinculadas à instituição financeira envolvida, uma eventual restrição de liquidez no sistema pode atingir empresas e produtores por meio de condições mais rigorosas de financiamento.

Para Esther Storch, a exposição financeira de cada empresa será mais determinante do que a atividade econômica em que atua. Os primeiros reflexos de uma eventual deterioração das condições de crédito devem aparecer no capital de giro e nas decisões de novos investimentos. Empresas que tenham recursos indisponíveis na instituição envolvida ou dependam de linhas de financiamento que venham a ser interrompidas podem enfrentar dificuldades imediatas.

A diretora-sócia da DASAGRO ressalta, entretanto, que não há evidências de uma escassez generalizada de crédito no Paraguai. Segundo ela, o sistema bancário do país apresenta solidez, liquidez e funcionamento normal. A preocupação está na possibilidade de as instituições financeiras adotarem critérios mais rigorosos para renovar limites e conceder novos financiamentos nas próximas semanas.

Nesse cenário, os impactos podem alcançar diferentes segmentos da cadeia produtiva. Entre os mais expostos estão os produtores de grãos e as revendas de insumos, que dependem de recursos para financiar sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas e combustíveis, o que uma eventual restrição de crédito pode dificultar compras e renegociações.

Cerealistas, cooperativas, armazenadores e processadoras também podem sentir os efeitos, já que precisam de capital de giro para adquirir grãos, manter estoques e financiar a comercialização. Na pecuária e na indústria frigorífica, o financiamento é utilizado para a compra de animais, alimentação, engorda e manutenção das operações. Transportadores e prestadores de serviços, por sua vez, podem enfrentar dificuldades caso ocorram atrasos nos pagamentos dos demais elos da cadeia.

Além da concessão de novos empréstimos, a crise pode provocar uma mudança no comportamento comercial entre fornecedores, produtores e compradores. Entre os efeitos possíveis estão a interrupção de linhas de financiamento da instituição afetada, exigências maiores de garantias pelos demais bancos e redução das vendas a prazo. Mesmo empresas financeiramente saudáveis podem enfrentar dificuldades caso clientes atrasem pagamentos ou seja necessário substituir rapidamente a instituição financeira utilizada nas operações.

Outro ponto de preocupação envolve os fundos de aposentadoria dos trabalhadores paraguaios, tanto do setor privado quanto do público. De acordo com o representante ouvido pela reportagem, parte dos recursos previdenciários pode ter exposição à instituição financeira, o que abre a possibilidade de perdas caso a liquidação do banco não permita recuperar integralmente os valores aplicados.

A preocupação é que, mesmo com a responsabilização dos administradores e o avanço das investigações, parte do dinheiro não seja recuperada. Nesse cenário, o prejuízo ultrapassaria o ambiente empresarial e atingiria diretamente trabalhadores que dependem dessas reservas para a aposentadoria.

"Provavelmente, quando o banco for liquidado, ficará um saldo e, mesmo com os responsáveis detidos, esse dinheiro provavelmente não volta, o que não é bom para a sociedade", avaliou.

O episódio também remete a uma experiência anterior do Paraguai, em que no fim da década de 1990, o país enfrentou uma crise bancária de grandes proporções, que levou à adoção de mecanismos de proteção aos depositantes e de medidas para preservar a confiança no sistema financeiro.

Agora, a expectativa é de que os instrumentos de proteção existentes sejam suficientes para evitar que a crise de uma instituição se transforme em um problema mais amplo. Entre esses mecanismos está o fundo garantidor de depósitos do Banco Central paraguaio, que prevê a cobertura de valores dentro de um limite estabelecido pelas regras locais.

Neivo Fritzen, produtor rural e representante do setor paraguaio ouvido pela reportagem, destaca que os recursos dos funcionários que mantinham contas na instituição terão cobertura do mecanismo de garantia, respeitado o limite previsto. Segundo ele, a proteção pode alcançar aproximadamente R$ 225 mil, com expectativa de pagamento em um prazo de até 15 dias.

O valor também é mencionado por outros interlocutores com pequenas diferenças nas estimativas de conversão para reais, a depender da cotação utilizada. A cobertura, contudo, não significa necessariamente a recuperação integral de todos os recursos eventualmente aplicados no banco, especialmente quando se trata de valores que ultrapassam o limite garantido ou de investimentos com características distintas dos depósitos protegidos.

Câmbio pode ser um dos canais de impacto para produtores

Entre os possíveis reflexos econômicos da crise, o comportamento cambial também aparece no radar dos produtores paraguaios. O setor trabalha com uma dinâmica na qual parte expressiva das receitas e das despesas está vinculada a moedas diferentes, especialmente nas operações relacionadas à soja e a outras commodities agrícolas.

Lindemar Cesca explica que a comercialização de grãos é predominantemente dolarizada, assim como parte importante das compras de insumos e dos contratos relacionados à produção. Entretanto, despesas operacionais, como salários, serviços, transporte e custos do dia a dia, são pagas em guaranis, a moeda paraguaia.

Essa diferença faz com que as oscilações cambiais tenham impacto direto sobre a rentabilidade das propriedades. Quando o dólar se valoriza em relação ao guarani, o produtor que recebe pela venda da soja em moeda americana pode obter mais recursos em moeda local. Por outro lado, também precisa considerar os custos de insumos e outros itens que possuem exposição ao mercado internacional.

Na situação relatada pelo dirigente da associação de produtores é que a desvalorização do dólar em relação ao guarani nos últimos períodos teria aumentado o custo relativo das despesas locais para os produtores que recebem suas receitas em moeda americana. Segundo ele, a variação chegou a aproximadamente 25% a 30% em determinadas comparações, ampliando a necessidade de dólares para fazer frente aos compromissos em moeda local.

"Para nós, que já temos na agricultura dolarizado tanto a compra quanto a venda de soja, o que nos afeta no dia a dia é o câmbio do dólar para o guarani. O dólar desvalorizou muito nos últimos tempos, então estávamos pagando caro por isso. Precisávamos de mais dólares para pagar a mesma conta diária, seja o funcionário, o diesel, o frete e os demais custos da operação", explicou.

Por esse motivo, Cesca avalia que uma eventual valorização do dólar diante do guarani poderia beneficiar parte dos produtores, ao aumentar o valor recebido em moeda local pelas vendas realizadas em dólares. O movimento, entretanto, não seria necessariamente positivo para toda a cadeia, já que também poderia encarecer produtos importados e componentes da estrutura de custos agrícola.

A trajetória do câmbio dependerá de diferentes fatores, entre eles a confiança dos investidores, a condução da política monetária e a capacidade do sistema financeiro de absorver os impactos da crise. Por isso, ainda é cedo para estabelecer uma relação direta entre a renúncia de Peña e uma mudança estrutural na cotação das moedas.

O dirigente da APS ressalta que, neste momento, o setor não trabalha com a perspectiva de alterações imediatas nos contratos agrícolas ou nas regras de comercialização. A preocupação está concentrada em acompanhar a reação do mercado financeiro e a evolução das condições econômicas nos próximos meses.

Investimentos brasileiros podem entrar em compasso de espera

Na avaliação de Esther Storch, a crise também pode alterar o ritmo de entrada de capital estrangeiro no Paraguai, especialmente de investidores brasileiros. A percepção de risco tende a elevar o retorno exigido para novos projetos e tornar mais lentos os processos de aprovação de aportes financeiros. A especialista, entretanto, diferencia as operações que já estão instaladas no país dos investimentos ainda em fase de planejamento.

Empresas que possuem fazendas, indústrias e estruturas comerciais em funcionamento têm compromissos que favorecem a continuidade das atividades. Já projetos de expansão, aquisição de novas propriedades ou construção de unidades industriais podem aguardar um cenário mais definido antes de receber novos recursos.

"Não acredito numa saída generalizada de investidores brasileiros, mas, sim, em maior cautela nos investimentos futuros", é a avaliação apresentada pela diretora-sócia da DASAGRO. Segundo ela, a preservação de caixa enquanto as empresas reavaliam as condições de financiamento, a demanda e o ambiente regulatório é um comportamento possível diante da incerteza.

A avaliação também considera que projetos de expansão costumam envolver desembolsos elevados e compromissos de longo prazo. Por isso, iniciativas que ainda não foram iniciadas tendem a ter maior margem para adiamento do que investimentos relacionados à manutenção das operações ou a compromissos já assumidos para a próxima safra.

Política tributária e comercial também entra no radar

Apesar da expectativa de manutenção das diretrizes econômicas no curto prazo, Esther Storch alerta que uma mudança de governo pode alterar procedimentos administrativos, fiscalização e prioridades de execução. A diretora-sócia da DASAGRO ressalta que a troca de presidente não modifica automaticamente o regime tributário paraguaio, que possui uma base legal própria, mas mudanças na equipe econômica e na condução das políticas públicas podem afetar as empresas antes mesmo de uma eventual reforma legislativa.

No longo prazo, a especialista não descarta a possibilidade de novas regras tributárias e comerciais, dependendo da orientação adotada pelo próximo governo. Entre os riscos que merecem acompanhamento estão a criação de novos impostos ou taxas sobre exportações de grãos e eventuais alterações nas regras de importação e exportação, que poderiam atingir tanto os setores produtivos quanto a indústria.

Infraestrutura e acesso a mercados também exigem continuidade

Além do crédito e da tributação, a transição política também coloca sob acompanhamento projetos de infraestrutura, logística e acesso a mercados internacionais. Esther Storch destaca que a continuidade das obras, dos desembolsos públicos e dos investimentos nos corredores de exportação será importante para manter a competitividade do agronegócio paraguaio.

Um dos exemplos citados pela especialista é o projeto do Corredor Bioceânico Sul-Oeste, apresentado em julho deste ano, com financiamento proposto de US$ 286 milhões e relevância para a produção de arroz. A continuidade de iniciativas desse tipo pode ser importante para ampliar o escoamento da produção e melhorar a conexão do Paraguai com os mercados internacionais.

A diretora-sócia da DASAGRO também aponta a necessidade de preservar as negociações comerciais, as certificações sanitárias e os serviços que sustentam as exportações, especialmente no setor de carnes. Uma eventual descontinuidade nessas frentes poderia comprometer iniciativas de abertura e consolidação de mercados para os produtos paraguaios.

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