A reviravolta histórica de Lula que Flávio pretende anular

O candidato do PL referiu que “nunca vai saber se num estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”. “É inexplicável o que aconteceu, inclusive nas palavras de algum ministro [juiz] aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram”, defendeu, acrescentando que os membros do seu partido também foram expulsos das mesas de voto: “Sacanagem”. Há quatro anos, também Jair Bolsonaro não reconheceu na íntegra a vitória de Lula da Silva — e isso deu origem à invasão da Praça dos Três Poderes, em janeiro de 2023 e à condenação judicial do ex-Presidente por tentativa de golpe de Estado.
A iniciativa inicial de adiar as eleições partiu efetivamente da candidatura de Lula da Silva, que argumentou que, em alguns estados como São Paulo, não tinha havido suficientes transportes públicos para os eleitores irem votar. Seguidamente, a campanha de Flávio Bolsonaro também não esteve contra — e lembrou que, fruto das intensas chuvas que caíram em algumas regiões, isso podia causar atrasos a possíveis eleitores. Essa sinalização do candidato do PL foi fundamental para Cristiano Zanin avançar com a decisão — o juiz, no comunicado que emitiu, reconheceu que avançou com o atraso precisamente porque as duas candidaturas estavam de acordo.
No entanto, mesmo antes de serem conhecidos os resultados, várias vozes da órbita de Flávio Bolsonaro já questionavam a decisão judicial. O deputado Nikolas Ferreira — bastante próximo do candidato — veio declarar que este adiamento ia beneficiar Lula da Silva. Comparando com o mundo do futebol, referiu que o chefe de Estado estava a usar o “prolongamento” dado pelo STF para ganhar votos. Outro deputado, Lucas Pavanato, avisou: “Entendam: nessa eleição não aceitamos ‘perder’”.
Mudar a regra do jogo no meio dele não é democrático. Que tudo seja esclarecido. Até lá, Lula não é meu presidente. pic.twitter.com/TVCutZmvr0
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) October 26, 2026
Que rumo vai tomar Flávio Bolsonaro após esta derrota ainda não é claro. O Tribunal Superior Eleitoral já legitimou esta eleição. A decisão de adiar o fecho dos locais de voto partiu para o Supremo Tribunal com o aval do PL. Tendo em conta que as instâncias judiciais brasileiras parecem ter validado a vitória de Lula da Silva, restam poucas opções para o candidato do PL. Sobram sempre as ruas e a mobilização popular: apesar de ter perdido as eleições, o candidato ainda mantém leais apoiantes.
Servindo como uma espécie de correia de transmissão informal de Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira já deixou claro que para ele — que tem milhões de seguidores nas redes sociais — Lula da Silva não é o seu “Presidente”. “Mudar a regra do jogo no meio dele não é democrático. Que tudo seja esclarecido”, pediu. Vozes idênticas do movimento bolsonarista estão a replicar esta posição, ainda que também haja quem esteja dentro do bolsonarismo — como o pastor Silas Malafaia —, que reconhece a vitória do Presidente eleito.
É o fim da linha para o clã Bolsonaro?
A derrota do filho de Jair Bolsonaro simboliza um duro revés para o movimento. Depois da derrota em 2022 e mesmo com bons resultados a níveis regionais, o Partido Liberal falhou a presidência. Nem mesmo com um candidato como Flávio Bolsonaro, que projetava alguma moderação, chegou novamente ao Palácio do Planalto. A primeira volta correu de feição — mas, na segunda, a candidatura não conseguiu responder contra a vaga de mobilização da campanha de Lula da Silva.
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