Ucrânia diz que restrições aos serviços da Starlink dificultam defesa contra ataques russos
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou neste sábado, 17, que restrições na rede de internet por satélite usada pelas forças ucranianas dificultam a defesa contra drones russos. Segundo ele, além da lentidão nas conexões, os equipamentos enviados para interceptar os ataques perdem acesso ao sistema durante o voo.
As limitações afetam o Starshield, versão militarizada do Starlink, da SpaceX. A Ucrânia depende da rede tanto para ajudar a defesa aérea a interceptar drones quanto para orientar ataques de artilharia.
Em mensagens de áudio enviadas a jornalistas pelo WhatsApp, relatadas pela Bloomberg, Zelensky disse que as restrições permanecem em vigor em todo o território ucraniano. As declarações vieram após uma madrugada de ataques russos que, segundo o presidente, atingiram 15 instalações críticas de geração e transmissão de energia.
Perda de conexão durante o voo
Segundo Zelensky, os interceptadores ucranianos perdem a conexão com a rede quando ultrapassam 161 quilômetros por hora. Os drones russos movidos a jato, por sua vez, chegam a cerca de 400 quilômetros por hora.
“Perdemos o Starlink e perdemos o interceptador”, afirmou. Para o presidente, as limitações prejudicam a proteção de militares na linha de frente e da população civil.
Zelensky disse que a Ucrânia enviou veículos equipados com Starshield à Europa para testar a velocidade das conexões. Fora do país, os equipamentos funcionaram normalmente. Na avaliação dele, isso indica que as restrições são deliberadas e estão associadas à localização, e não a uma falha técnica.
O presidente também afirmou que caças F-16 estão abatendo cerca de 60% dos drones russos a jato e que novas munições chegam a Kiev para reforçar a defesa aérea.
Trump nega ordem para restringir o sistema
Na sexta-feira, 16, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não havia ordenado limitações ao acesso ucraniano e que não acreditava que Elon Musk tivesse tomado essa decisão.
Musk, por sua vez, afirmou na quarta-feira, 14, que eventuais limites de velocidade ou de uso são decididos pelas Forças Armadas dos Estados Unidos e, em última instância, pelo presidente americano.
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