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Sunday, September 13, 2026

DNA revela parentesco inesperado do ‘guepardo’ americano com pumas

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O “guepardo americano”, felino que viveu na América do Norte até cerca de 13 mil anos atrás, tinha uma história evolutiva diferente da sugerida pelo nome. Análises de DNA antigo mostram que o animal era mais próximo dos pumas do que dos guepardos africanos.

As descobertas estão em um estudo publicado na última sexta-feira, 4, na revista científica Current Biology. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Cruz analisaram DNA antigo e isótopos preservados em fósseis para investigar a evolução e os hábitos da espécie.

Os resultados também indicam que o animal tinha uma alimentação mais diversificada do que a atribuída anteriormente. No norte do continente, há evidências compatíveis com o consumo de peixes e outros animais aquáticos.

DNA antigo revela parentesco com os pumas

O Miracinonyx trumani viveu na América do Norte durante o Pleistoceno. Fósseis encontrados nos atuais Estados Unidos e Canadá já indicavam que o animal tinha adaptações para correr.

A estrutura de seus membros e pernas ajudou a explicar a comparação com o guepardo africano (Acinonyx jubatus). A análise genética, porém, mostrou uma relação evolutiva diferente. Os pesquisadores identificaram um ancestral comum entre o M. trumani e o puma (Puma concolor). As duas linhagens se separaram há cerca de 2,6 milhões de anos.

O felino seguiu uma trajetória própria na América do Norte até desaparecer no final da última Era Glacial, há aproximadamente 13 mil anos.

Felino pré-histórico alcançou o Ártico canadense

O estudo analisou quatro espécimes do M. trumani. Três foram encontrados em regiões de alta latitude no norte do Canadá, enquanto outro veio de Wyoming, nos Estados Unidos.

Os fósseis canadenses ampliaram em cerca de 20 graus de latitude o limite conhecido para a distribuição da espécie. Os registros indicam que o animal chegou ao território correspondente ao atual Yukon, no Ártico canadense.

Essa presença em latitudes elevadas também trouxe novas pistas sobre as adaptações do felino. Os pesquisadores encontraram uma alteração em um gene associado ao ritmo circadiano nos espécimes do norte.

A mutação inativava a função desse gene. Segundo os autores, essa característica poderia ter permitido a regulação dos ciclos de sono e vigília durante períodos prolongados de escuridão.

Isótopos indicam consumo de peixes

Além do material genético, os cientistas analisaram isótopos de carbono e nitrogênio preservados nos fósseis. Essas substâncias ajudam a reconstruir aspectos da alimentação de animais do passado.

Os espécimes encontrados no Yukon apresentaram concentrações elevadas de nitrogênio. O resultado é compatível com uma dieta baseada em animais aquáticos.

Os pesquisadores não conseguiram determinar exatamente como esses recursos eram obtidos. O animal poderia ter capturado peixes vivos, consumido carcaças deixadas após a desova ou feito as duas coisas.

Já o espécime encontrado em Wyoming apresentou uma composição isotópica semelhante à observada em predadores de topo. Esse padrão é compatível com uma alimentação baseada principalmente em herbívoros terrestres.

Nome popular esconde a história evolutiva do animal

Os resultados colocam em dúvida duas associações feitas a partir do nome “guepardo americano”. A primeira é a ideia de que o animal tivesse parentesco próximo com o guepardo africano.

A segunda está relacionada à interpretação de seu corpo esguio como sinal de uma única estratégia ecológica. Os dados apontam para uma espécie capaz de ocupar ambientes e explorar recursos diferentes.

No norte, a alimentação incluía recursos aquáticos. Em regiões mais ao sul, os isótopos indicam um padrão associado a predadores de grandes herbívoros terrestres.

Para os autores, essa variedade ajuda a mostrar que o M. trumani apresentava uma flexibilidade ecológica ampla. O animal combinava características corporais semelhantes às do guepardo com uma história evolutiva ligada aos pumas.

A espécie, portanto, não corresponde diretamente a nenhum grande felino atual. Seu registro fóssil revela uma trajetória própria entre diferentes ambientes da América do Norte.

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