Tarcísio aproveita brecha da lei e faz 'visitas técnicas' a obras durante campanha
Impedido de entregar obras durante o período eleitoral, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem adotado como estratégia visitas técnicas a algumas que estão em andamento, aproveitando uma brecha na lei eleitoral.
Foram ao menos sete desde o início oficial da campanha, em 16 de agosto. Nestas visitas, o governador interage com funcionários e faz discursos.
Entre os dias 26 de agosto e 5 de setembro, Tarcísio esteve nas obras da CDHU Campo Belo (São Paulo), barragem Duas Pontes (Amparo), Novo Hospítal da Lapa (São Paulo), Metrô Linha-2 (São Paulo), Rodoanel Norte, Trem Intercidades (Vinhedo) e ponte Grajaú (São Paulo).
Ao Painel, a assessoria da campanha de Tarcísio diz que as "visitas foram escolhidas para discutir, no local e de forma concreta, projetos relevantes para São Paulo em áreas como mobilidade, habitação, segurança hídrica e infraestrutura".
Em uma delas, ele foi até as instalações do Trem Intercidades (TIC), em Vinhedo, no dia 4 de setembro. A ida rendeu imagens que foram publicadas nas redes sociais do governador.
"Estou aqui, em Vinhedo, acompanhando uma das 14 frentes de obra. Aquele sonho de décadas, aquela promessa antiga, está se tornando realidade", disse. "No futuro, as pessoas vão sair de Campinas para São Paulo numa viagem que vai durar 60 minutos."
Em visita ao canteiro da CDHU, ele enalteceu os feitos de sua gestão e fez projeções.
"A gente está aqui vendo mais uma obra do nosso programa Casa Paulista. Foi um setor da habitação que a gente deu muita prioridade nesse mandato", afirmou Tarcísio.
No local, ele afirmou que sua gestão entregou 90,5 mil unidades do programa Casa Paulista. "A gente conseguiu triplicar isso [entrega de casas], também triplicando o investimento", completou.
Advogados eleitorais ouvidos pela coluna não apontam ilegalidade, mas veem uma linha cinzenta. Estar no cargo concede ao governador acesso privilegiado a estes espaços, ao contrário dos adversários.
"O governador é candidato à reeleição e continua exercendo normalmente as funções do cargo. Pode, encerrada uma agenda oficial, participar de um ato de campanha, inclusive na mesma cidade ou região", afirma o especialista Caio Miachon Tenório.
Para o advogado Geraldo Agosti Filho, da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político), não existe uma norma que trate essa prática como contrária à lei.
"Mas a depender da intensidade da prática e considerando-se o momento eleitoral, pode-se chegar a um cenário de abuso de poder de autoridade ou político", diz
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