Punch2027: CAN disowns archbishop, restates political neutralityDaily MaverickWHAT’S COOKING: Sweet and sour pork with lycheesInquirerQuezon vice gov urges youth to emulate Hermano Puli’s patriotismThe Jerusalem PostShin Bet, police arrest senior Balad activist Abd Abu Shahada over suspected security offensesBollywood HungamaRam Kamal Mukherjee wins Best Director at the 11th International Indian Film Festival of Toronto for Lokkhikantopur LocalSky TG24Elezioni Usa Midterm 2026, chi sono gli eletti alla Camera e al Senato. FOTOBusiness AMVan Peteghem waarschuwt dat vervroegde verkiezingen België in een Griekse schuldencrisis kunnen stortenZDF heuteAktuelle Pressemitteilungen des ZDFObservador DesportoDiretor financeiro da Polícia Judiciária afastado do cargoCBS NewsDemocrats win House majority with Trump approval at historic lowRTL BoulevardTim Douwsma stelt nieuwe vriendin voor tijdens première: 'Ben altijd fan geweest'NumeramaAprès les supermarchés, une cyberattaque menace les réserves de plasma de l’Établissement français du sang
The Daily Newsstand · Free, Always
Wednesday, November 4, 2026

Filme 'O Sentido da Vida' quer dar experiência existencial ao espectador

Translate

Como em filmes anteriores de Ryūsuke Hamaguchi, também aqui o contato é essencial. No caso, em vários níveis: entre o teatro e a vida cotidiana, entre enfermeiros e pacientes, entre uma língua e outra. Em "O Sentido da Vida" —título ridículo, que remete a comédias do Monty Python— essa rede se abre em inúmeros níveis.

O da língua talvez seja o mais radical, pois o filme gira em torno das relações entre a francesa Marilou e a japonesa Mari. Elas conversam em francês ou em japonês e podem mudar de um idioma ao outro em um instante.

A antropóloga Marilou é gerente de uma clínica geriátrica que desenvolve os princípios de "humanitate", pensamento que busca colocar o paciente no centro do tratamento. Àqueles com deficiência cognitiva em vista do Alzheimer, por exemplo, os terapeutas procuram estimular as memórias e palavras, ativar os movimentos. Tratá-los, em resumo grosseiro, mais como seres vivos do que como quase mortos.

Mari é uma jovem diretora de teatro japonesa. Elas se encontram por acaso. Marilou vai assistir a uma peça que Mari está montando e a identificação entre as duas é imediata. A antropóloga e a diretora, a francesa e a japonesa.

Aqui uma informação relevante —as duas atrizes, Virginie Efira e Tao Okamoto, dividiram o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes de 2026, por este filme. Para se ter um exemplo das dificuldades que enfrentaram, a francesa Efira teve de aprender japonês até falar fluentemente, a pedido do diretor, começando pela escrita.

Assim como o francês e o japonês entram em contato, as duas mulheres começam uma relação profunda, que levará Mari a se internar na clínica de Marilou, pois sofre de câncer.

Como se pode deduzir, nem tudo o que Hamaguchi dá a ver é belo. Pelo contrário, pode ser difícil de encarar idosos enfraquecidos que os enfermeiros tentam fazer andar, por exemplo. Ou o esforço para acompanhar a agitação de Tomoki, um autista de terceiro grau.

Mas "O Sentido da Vida", título brasileiro infame, não é um filme para quem quer apenas se divertir, muito menos serve como distração. Ao contrário: seu princípio é mesmo o do contato entre os diversos.

No "humanitate", há quatro palavras que designam o contato com os pacientes: olhar, toque, palavra e verticalidade. Este último é o que leva a fazer os pacientes ficarem de pé e caminharem, pois andar é a base da liberdade humana, segundo Marilou.

Este é, então, um filme do contato, da possibilidade de ligar mundos, línguas e linguagens. Enfim, pessoas diferentes.

Seu objetivo não é ser simplesmente visto, mas produzir uma experiência. Isso é o que todo o sistema de trocas que o filme move produz no espectador. Acrescente-se a afirmação da natureza como elemento não que serve ao homem ou submetido a ele: no pensamento e na experiência de Hamaguchi é como se natureza e homens também formassem um conjunto só.

Se lembrarmos que Hamaguchi ficou conhecido por "Drive My Car", fica mais clara a ideia desenvolvida aqui: se ali havia como um pedido para alguém dirigir o meu carro, aqui é como constatar que ninguém dirige o seu carro. Ou sua existência, para ser mais claro: algo a dirige, se é que dirige, mas não nós, em todo caso.

Se em "O Sentido da Vida" as personagens parecem caminhar sobre nuvens, por um caminho de enorme pureza —com exceção de uma enfermeira, personagem importante pelas marcas que traz—, a experiência a que nos conduzem não é puramente médica, por sorte.

Em dado momento, Mari, que estudou filosofia na França, exporá, com ajuda de um desenho, uma crítica ao capitalismo que a olhos leigos é capaz de deixar de queixo caído muitos teóricos, sobretudo de esquerda, pela compreensão do mundo contemporâneo. Ali a palavra e a imagem se complementam.

Se aqui o experimental cinematográfico importa, é em grande medida pela experiência existencial que propõe e até proporciona: o olhar e a palavra, próprios do cinema, se complementam pela ideia de toque, isto é, do contato que aproxima línguas e pessoas por vezes muito distantes entre si.

View the original on UOL →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.