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Tuesday, October 20, 2026

Maiores Assembleias de Deus explicitam apoio a Flávio Bolsonaro, e Universal permanece neutra

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Nos últimos dias, a turma do pastor José Wellington Bezerra da Costa, um dos mais longevos e influentes líderes do pentecostalismo brasileiro, tem explicitado mais a predileção por Flávio Bolsonaro (PL).

O filho Paulo Freire Costa, reeleito deputado pelo PL em São Paulo, compartilhou no sábado (17) um vídeo para "tornar público o nosso posicionamento". Falando em nome da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus de São Paulo, disse que apoiaria o presidenciável porque "ele defende os nossos princípios".

No domingo (18), outra filha de José Wellington, a vereadora Rute Costa (PL-SP), divulgou uma foto no ato bolsonarista da avenida Paulista. O primogênito do clã, José Wellington Júnior, convocou "todos os irmãos que estarão na direção de cultos nesta noite" a reservar um momento "para orarmos pelo Brasil".

Que a família endosse um nome contra Lula (PT) não é espanto algum. Já em 1997, em coro pela reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), pastores gritaram "presidente, Jesus te ama" num congresso liderado por José Wellington, que presidiu por três décadas a CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil), o maior dos grupos assembleianos do país.

Em 2010, José Wellington gravou depoimento para a propaganda eleitoral de José Serra (PSDB), que rivalizava com Dilma Rousseff (PT). Oito anos depois, o pastor reconheceu no púlpito que "já estamos conscientizados que estamos polarizados", e então expressou a orientação de que "é não votar na esquerda".

Em 2022, José Wellington Júnior, filho mais velho do pastor, disse lamentar ainda ver pastores tentando fazer com que o pai recebesse algum candidato do PT. "Na nossa igreja não cabe, irmão. O inferno não tem como entrar no lugar santo", afirmou. Em 2017, Júnior substituiu o patriarca da família na presidência da CGADB.

Em abril, José Wellington pai recebeu Flávio na igreja e orou para que "o Senhor o leve para ser presidente da nossa nação".

Ele até adotou um tom conciliador em vídeo gravado às vésperas do primeiro turno. Sem sinalizar um candidato de preferência, na contramão de tantos pares que exaltaram o voto anti-Lula, disse ser preciso "reaprender a respeitar as lideranças, as instituições e uns aos outros", mensagem embalada pela passagem bíblica "bem-aventurados os pacificadores".

O segundo turno entre Flávio e Lula reforçou a demarcação de território em prol de Flávio, uma tendência amplamente majoritária entre a liderança evangélica de envergadura nacional. Até o bispo Samuel Ferreira, presidente da outra grande convenção assembleiana, a Conamad (Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério Madureira), escorou-se no bolsonarismo após se reaproximar de Lula.

Passados seis dias do primeiro turno, ele recepcionou o filho de Jair Bolsonaro (PL) na festa de cem anos do ministério assembleiano que representa, Madureira. Samuel pregou diante do evangélico Flávio que "irmão vota em irmão", bordão que ganhou tração nos anos 1980, após evangélicos passarem décadas distanciados da política, tida como celeiro de ímpios.

Um ano antes, o bispo posou e orou com Lula no Palácio do Planalto, enquanto o congressista que carregava no Legislativo o nome da igreja, Cezinha de Madureira (PL-SP), fazia gestos ao governo —isso depois de se alinhar a Bolsonaro quando era ele o presidente, inclusive andando na garupa dele durante uma motociata.

Corta para 2026, e Samuel contornou a lei eleitoral que veta pedido de voto dentro de igrejas. Disse que não o faria, mas que, caso pudesse, defenderia Flávio, adjetivando-o como honesto, sério e crente, e também "porque foi ele o indicado pelo presidente", em referência ao pai dele.

Outros blocos regionais da Assembleia de Deus, como o paraibano, também se pronunciaram. O pastor José Carlos de Lima recomendou que o fiel se oponha a partidos que queiram "ridicularizar a nossa fé", e pelo teor ficou claro que falava da esquerda.

Há líderes da velha guarda sem a potência midiática de um Silas Malafaia ou um Cláudio Duarte, para citar dois pastores que, juntos, somam no Instagram 15 milhões de seguidores e influenciam muito além da base de fiéis das igrejas que integram. Mas a ascendência no meio evangélico não pode ser subestimada.

O cientista político Vinicius do Vale, estudioso do campo, cita o nonagenário José Wellington, com um perfil mais analógico que não o impede de ser "muito ouvido". A influência dele é exercida longe de holofotes seculares.

"Ele elege filhos para cargos importantes há muitas eleições, justamente sem ocupar o centro das atenções. O ministério dele tem muitas igrejas pequenas, que chegam nos mais variados territórios em São Paulo."

Malafaia aponta o que para ele é uma novidade deste pleito, "com gente que não se posicionava se posicionando". Menciona José Wellington e Samuel, líderes dos dois maiores ministérios da Assembleia de Deus, que por sua vez é o maior grupo evangélico do país.

Ele diferencia de si próprio os líderes que só dão politicamente as caras na temporada eleitoral. "Durante quatro anos, eu me posiciono o tempo todo", diz o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Difícil, segundo Malafaia, é achar um pastor de peso que não esteja com Flávio. Claro que há exceções. "André Valadão, com o negócio do Master, ele tá quieto, certo?"

A igreja de Valadão, a Batista da Lagoinha, está implicada no escândalo protagonizado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O líder global, então, tem sido econômico nos pitacos políticos, em um contraponto a 2022, quando se engajou na campanha bolsonarista.

Em dezembro de 2025, ele recebeu Flávio na Lagoinha Orlando. O senador aproveitou a visita para pedir que Deus renovasse "nossas forças" para o pleito de 2026. Passou o Réveillon num evento de Valadão.

Já a Igreja Universal do Reino de Deus tem se mantido neutra nesta eleição. Se em 2018 e 2022 o fundador, bispo Edir Macedo, explicitou respaldo a Jair, o mesmo não aconteceu com o filho, ao menos até aqui.

A denominação orienta pastores a não apoiar publicamente nenhum dos candidatos. A neutralidade foi lida como uma postura cautelosa, sobretudo num momento em que o Digimais, banco controlado por Macedo, é alvo de investigações.

O Republicanos, fundado por nomes vinculados à Universal, aliou-se a Flávio no segundo turno. No sábado que antecedeu o primeiro turno, a igreja encerrou uma campanha que dizia ter propósito espiritual de "restauração e construção dos valores cristãos, da fé e da proteção das famílias".

O bispo Alessandro Paschoall, interface da igreja com a política, postou na semana passada um videocast em que, usando um boné onde se lia "minha bandeira é o Senhor", disse não levantar bandeiras de direita, esquerda ou centro. Se lhe perguntam onde se posiciona, responde que seu "espectro político é o espectro celestial", afirmou.

Também descartou a ideia de que todo cristão tem que ser de direita. Ele tem que ser, isso sim, "do reino de Deus", afirmou Paschoall. Quatro anos antes, o bispo Renato Cardoso, genro de Edir Macedo e uma das principais lideranças da Universal hoje, disse ser incompatível ser cristão e votar na esquerda.

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