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Friday, October 30, 2026

Seca do Rio Negro dificulta transporte em Manaus e ribeirinhos enfrentam caminhadas de até 2 km

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O Rio Negro continua baixando e atingiu a marca de 16,52 metros nesta quinta-feira (29). Para quem depende do transporte fluvial em Manaus, a seca muda a rotina, aumenta as distâncias e exige longas caminhadas até os pontos de embarque.

Ana Cláudia mora na comunidade São Sebastião, no Tarumã-Mirim, e precisa ir à capital pelo menos uma vez por mês. Com a descida do rio, o acesso pela Marina do Davi ficou mais distante e caro. Segundo ela, o trajeto agora demora mais de uma hora e custa R$ 100. O deslocamento é necessário para fazer as compras do mês.

"É 1h30 de viagem, porque eu pego rabeta taxi, fico na comunidade de Fátima e de lá a gente pega outra embarcação pra chegar até aqui na Marina."

Quem trabalha na região também relata as dificuldades enfrentadas durante o período de seca, principalmente no turismo. O marítimo João Alves afirma que a situação está cada vez mais difícil. Segundo ele, é necessário percorrer quase dois quilômetros para chegar à comunidade.

"Não tem onde a gente encostar, a estiagem é muito grande", disse.

Seca afeta rotina na Marina do Davi, em Manaus — Foto: William Duarte/Rede Amazônica

O marítimo José Silva relata uma redução de 80% no número de passageiros. Ele também afirma que navegar com o rio baixo é perigoso, pois há risco de danos às embarcações. Caso o nível baixe ainda mais, ele pretende parar de trabalhar.

"Caiu muito, 80%, porque tem dias que a gente sai com quatro passageiros, seis, oito quando você dá sorte. Se secar mais uns 80 centímetros nós vamos ter que parar porque não vai ter condições", relatou.

A descida do rio também encarece os produtos que chegam às comunidades. Antes, os comerciantes utilizavam embarcações maiores e conseguiam transportar mais mercadorias. Com o nível baixo, precisam recorrer a barcos menores, o que aumenta os custos do transporte.

O comerciante Maurício Tavares afirma que os preços dos produtos subiram. Segundo ele, a melancia, por exemplo, era vendida pela metade do preço.

"A gente tem uns barcos maiores, só que agora não dá pra navegar, então a gente diminui e acaba fazen do frete mais caro. Mais viagens todos os dias."

Seca expõe lixo e gera preocupação

A compra de produtos básicos, como gás de cozinha e água, também fica mais difícil. Na comunidade Marina do Davi, os moradores reclamam da falta de infraestrutura, principalmente dos problemas no fornecimento de energia elétrica. O descarte de lixo também é motivo de preocupação.

A Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) informou que realiza a coleta de resíduos por meio de balsas três vezes por semana. No entanto, os moradores afirmam que o serviço precisa ser reforçado.

A líder comunitária Sara Guedes também cobra melhorias na coleta de lixo. Ela afirma que a comunidade precisa de uma balsa maior para atender à demanda, que, segundo ela, está aumentando.

"A comunidade, eu costumo dizer que ela se reeducou, então ela dá um descarte correto ao nosso lixo, mas e esse monte de lixo na água, na beirada? Esse lixo vem todo da cidade, o igarapé do gigante desemboca aqui, de onde esse lixo todo vem, e as pessoas que moram na cidade ainda não tiveram o bom senso de dar o descarte correto."

Mesmo acostumados com o período de estiagem, os ribeirinhos enfrentam dificuldades todos os anos durante a vazante. Para os moradores, quando o rio está cheio, a rotina nas comunidades é mais fácil.

Seca do Rio Negro expõe lixo nas proximidades da Marina do Davi, em Manaus. — Foto: José Lima/Rede Amazônica

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