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Friday, September 25, 2026

Dani Buarque, da The Mönic, relembra show que ‘mudou o jogo’ para a banda

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Artista falou à Rolling Stone Brasil sobre apresentação no Knotfest e as dificuldades de viver de música

Karla Sthefany

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The Monic - Foto: Reprodução/Instagram
The Monic - Foto: Reprodução/Instagram

Dani Buarque, da The Mönic, passou pela redação da Rolling Stone Brasil, em Copacabana, para relembrar um dos shows mais marcantes da trajetória da banda: a apresentação no Knotfest. Para a artista, o festival representou um momento de virada e até hoje é lembrado por fãs de diferentes regiões do país.

“Eu acho que foi um show que mudou o jogo pra gente”, contou Dani. Segundo ela, aquela apresentação também foi uma das poucas ocasiões em que sentiu um nervosismo capaz de paralisá-la nos primeiros momentos.

‘Tinha todo aquele medo’

A participação no festival trouxe uma série de desafios para a The Mönic. A banda transitava por diferentes sonoridades e tinha algumas músicas próximas do metal, mas não se considerava uma banda do gênero. Além disso, era a primeira vez que as integrantes tocariam em um estádio diante de um público tão grande.

“Era um festival de metal e a gente transita, algumas músicas a gente tem um pezinho lá, mas não somos uma banda de metal”, explicou. “Então tinha todo aquele medo, medo de tocar num estádio pela primeira vez, medo de ser um festival muito pesado, medo de não ter ninguém.”

O receio, porém, não se confirmou. A banda abriu o festival diante de um público numeroso, experiência que Dani ainda carrega na memória.

“Eu lembro da sensação, só de falar me vem até hoje, de olhar aquele paredão e saber que eu estava no palco, que eu vi tanto show surreal ali, sei lá, Paul McCartney, enfim”, relembrou.

Dois anos depois, o impacto da apresentação ainda aparece no contato com o público. Dani conta que, por onde a The Mönic passa, pessoas relatam ter conhecido a banda naquele festival.

“Qualquer lugar do Brasil que a gente vai, do Nordeste ao Sul, as pessoas param muita gente pra falar: ‘Olha, eu conheci a banda lá, eu estava lá’”, contou.

Viver de música: ‘Só fica quem é maluco mesmo’

A experiência também se conecta a uma realidade menos glamourosa da carreira musical. Para Dani, existe uma expectativa de que, depois de determinado momento, uma banda possa simplesmente parar de fazer shows para se dedicar à produção de um disco. Na prática, porém, as contas continuam chegando.

“O sonho de princesa de bandas underground é aquela coisa chique, que os artistas param de fazer show e agora eu vou fazer um disco e isso não acontece, porque a gente precisa pagar as contas, precisa fazer show, senão não paga as contas”, afirmou.

Ela explica que parte das integrantes da banda concilia a música com outros empregos. A rotina, segundo Dani, é justamente equilibrar a carreira artística com as responsabilidades financeiras.

“Grande parte da banda tem dois, três empregos, né? A gente tá aí na luta da música também, mas também tem outros empregos”, disse.

Para a artista, essa realidade torna especialmente difícil se dedicar exclusivamente à música quando é preciso lidar com aluguel, trabalho e outras despesas. “Quando você tá ali na luta da CLT é difícil, então dá um nó na cabeça e eu acho que só fica quem é maluco mesmo”, declarou.

Apesar das dificuldades, Dani afirma que continua encontrando na música uma razão para seguir em frente. Para ela, racionalizar os sentimentos e compreender tanto os lados positivos quanto os negativos da profissão ajuda a lidar com os momentos de maior desgaste.

“Você tem que dar tudo pra música, absolutamente tudo, o seu tempo, a sua energia e mesmo você dando tudo, não é garantia que você vai receber, mas se você não der tudo você não recebe nada”, refletiu.

E é justamente essa relação intensa com a banda que, segundo Dani, mantém sua vontade de continuar. “Eu não acordaria com vontade de viver o que eu tenho tendo uma banda, vivendo os dois lados tanto as coisas ruins como as coisas boas, é o que me faz todo dia acordar com vontade de fazer o bagulho acontecer”, concluiu.

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Karla Sthefany

Karla Sthefany é formada em jornalismo e já foi repórter em diversos sites de entretenimento, como o Observatório dos Famosos, Entretê Spin OFF e NerdWeek. Hoje atua como repórter na CARAS Brasil, na Contigo! e na Rolling Stone Brasil. Apaixonada por música, cinema e livros. Críticas ou sugestões: [email protected]

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