Inquirer78-year-old Piston member hospitalized while leading transport strikePunchMorning recap: Workers threaten October strike, Igbo traders urged to move beyond Chinese competition, Obi praised for supporting El-Rufai, other top storiesCNN Türkİsmail Kartal'dan yeni düzen: Fenerbahçe'de beklenen isim Marco AsensioESPNTransfer rumors, news: USMNT defender Richards to move to Inter?Bollywood HungamaVashu Bhagnani hospitalised in London amid Income Tax searches at 12 locations linked to him, Rakul Preet Singh, and Panorama Studios: ReportNOS SportDriehoek Alkmaar laat geen Israëlische uitsupporters toe in Europa League-duel bij AZNumeramaLe film d’horreur Kraken est-il le digne héritier de Vermines ?BBC عربيمكتب نتنياهو يستبعد اختطاف طائرة فلاي دبي المتجهة إلى تل أبيب، مع هبوطها في السعوديةRFIInfluences étrangères: « Nous allons amener ceux qui ne sont pas encore inscrits à s’inscrire », assure le président de la HATVPNOSGrote politie-actie in Duitsland tegen witwasnetwerk en leden Hells AngelsFootball ItaliaToday’s Papers – Juventus capital injection, generation KayodeOnetAtak Rosji na Ukrainę i kolejne alerty w Polsce. Jest komunikat wojska
The Daily Newsstand · Free, Always
Wednesday, September 30, 2026

Pedalar em Viseu: José Maria Dionysio Júnior

Translate

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Olá, seja muito bem-vindo à História das Histórias. Eu sou o João Paulo Sacadura e hoje, como nós prometemos ontem, ficamos aqui à espera do Jorge Adolfo Marques, historiador, professor. É o mestre arqueólogo que desta vez parece que vem de bicicleta. Vamos falar em pedalar em Viseu, vamos evocar José Maria Dionísio Júnior. Olá, Jorge, bem-vindo. Então quem foi este José Maria? O que ele nos traz com a sua bicla?

Ora, o José Maria Dionísio Júnior, para me antecipar, foi um grande campeão de ciclismo português. Mas hoje ninguém conhece. A não ser, verdadeiramente, os especialistas, os historiadores destas temáticas. Mas nós hoje, daqueles grandes ciclistas que já partiram, lembramo-nos do Joaquim Agostinho.

Exatamente.

Que morreu tragicamente numa corrida. Aliás, evocou-se agora, penso que os 40 anos do seu falecimento, recentemente. E eu hoje pensei talvez contar aqui uma história que começa no início do século XX, ou melhor, começa ali pouco antes do início do século XX, nos finais do século XIX, e que se liga muito à modernização da sociedade portuguesa. E a modernização da sociedade portuguesa teve muitos aspectos. Não é só nos transportes, não é só naquilo que se fabricava. Tem também pequenos grandes aspectos, como a bicicleta. Não sabemos com rigor quando é que as bicicletas circularam pela primeira vez nas ruas e rucos de Viseu. Nós não sabemos. E eu vou me cingir apenas aqui a Viseu, embora esta história se pudesse replicar em muitos sítios do nosso país, sobretudo nas cidades. Datado de janeiro de 1888, o registro mais antigo surge-nos no jornal local A Liberdade, sob a forma de publicidade à loja Centro Comercial de Manuel Hipólito Ferreira, então representante de várias marcas inglesas do cada vez mais popular veículo, porque a bicicleta era uma novidade. A bicicleta, como nós a conhecemos hoje, começa a ser muito popular. E então, no centro comercial deste senhor, ele vendia bicicletas. No estabelecimento comercial deste senhor havia todo tipo de novidades neste gênero, nomeadamente as marcas Canguru, Fácil e Gérard. Ora, se o cliente não encontrasse o modelo que pretendia, sempre podia consultar os modernos catálogos ilustrados com os seus preços e fazer a sua encomenda. Portanto, repare, nós hoje também consultamos os catálogos. Não tem, consultamos. Vamos à internet. Pois, isto começou nesta altura.

Já nesta altura havia.

Manuel Ferreira também comprava bicicletas usadas, que certamente depois revendia a um preço mais acessível.

Restaurava e revendia.

Exatamente.

Fazia o seu negócio, muito bem.

Fazia o seu negócio. Na década de 1890, já havia na cidade de Viseu pelo menos mais duas lojas que também vendiam bicicletas. Uma chamava-se Herculano Beirão e Companhia, que era na Praça de Camões, que agora é a Praça Dom Duarte, atualmente, representante das Clément, Brennabor e Diana. E a João Soares Pereira, na Rua Grão Vasco, é uma rua que ainda existe ali no centro histórico de Viseu, com as inglesas Hobarts. Portanto, havia muitas marcas para todos os gostos.

Exato.

Simultaneamente, a partir de 1893, a cidade passou a contar com corridas de bicicletas.

Ah, que isso.

No programa das festas da cidade, em honra de Santo Antônio. A paixão pelo velocipedismo crescia. É também num número desse jornal que eu fiz referência há bocadinho, A Liberdade, mas em 1891, olha, o ano da primeira tentativa de revolução republicana, que é publicado um interessante artigo a sugerir a constituição em Viseu de uma agremiação para a propaganda e aperfeiçoamento do velocipedismo, à semelhança do Clube de Velocipedistas de Lisboa. Portanto, havia o Clube de Velocipedistas em Lisboa e em Viseu: "Alto lá, nós também queremos ter uma coisa semelhante". E esse clube olisiponense tinha sido fundado há muito pouco tempo. O autor, desconhecido deste texto, justificava que a criação deste clube em Viseu, com a necessidade de facultar por aluguer os aparelhos precisos Aos que se sentissem tentados pelo prazer do velocípede e muito provavelmente não tivessem capacidade financeira para comprar um.

Pois, porque devia ser caro, novidade que era.

Não era para todos. Ora, para trás ficava definitivamente o tempo vitoriano das gigantescas e pouco práticas penny farthing, aquelas bicicletas que nós costumamos ver nos filmes do tempo da era muda, em que tem uma roda muito grande à frente, onde o ciclista vai sentado, o banquinho vai lá em cima dessa roda gigante e atrás uma rodinha pequenininha. Não é fácil. As penny farthing. Montadas por elegantes cavalheiros de fraque e cartola negra. Os novos tempos tinham na bicicleta um importante veículo, não só para o trabalho, como também para o lazer e para a competição desportiva. Era o tempo do triunfo das massas, sempre a pedalar. E repare-se que a bicicleta é um veículo que tem essa dupla componente: lazer e trabalho. Ainda hoje. Provavelmente, nenhum dos nossos ouvintes saiba do que se trata esta bicicleta, esta grande bicicleta, mas certamente já viram essas bicicletas. Quem é esse tal José Maria Dionísio Júnior de que falamos? Esse homem que está ligado às bicicletas. É um homem que nasceu em 1875, em Carregal do Sal. No seio de uma família até muito numerosa e que se veio a tornar, ele, um dos pioneiros do ciclismo português. E ele como amador, correu a partir de 1893. Era um jovem e correu corridas de bicicletas logo em 1893. Logo na prova de estreia, que foi em Oliveira do Hospital, sagrou-se campeão. Facto para um atleta de 18 anos de idade, aquilo foi extraordinário. As façanhas de Dionísio Júnior foram, a partir dessa data, notícia mais ou menos regular em várias publicações, não só periódicas, locais, mas nacionais, de que destacamos, por exemplo, o órgão do esporte nacional, o Tiro Civil. É uma publicação muito ligada ao desporto nacional. Eu não vou aqui fazer publicidade de nenhum dos jornais que saem agora, mas todos nós conhecemos, era do gênero. Neste jornal encontramos alguns retratos do ciclista Carregalense, equipado e acompanhado da sua bicicleta, ostentando orgulhosamente ao peito medalhas e mais medalhas conquistadas em diversas competições.

É extraordinário. Mas ele era um grande atleta com 18 anos, atenção.

Ele era um grande atleta e na modalidade não dava hipótese.

Sim, incrível.

Dionísio Júnior atingiu o ponto mais alto da sua carreira entre 1902 e 1904, em que se sagrou campeão nacional da modalidade. Portanto, já foi há muito tempo.

Sim.

Em 1906, já retirado-

Jorge, desculpa interromper. Eu recomendo às pessoas que puderem, que vão à internet ver a fotografia que está lá.

Sim, dele.

Sim, dele, muito garboso, com o bigode revirado. E depois a frente da camisola nem existe, é só medalhas penduradas, parece aqueles generais russos antigos, ou soviéticos.

Exatamente, exato.

É extraordinário.

Quase que caem pra frente com o peso da chapa.

Vale a pena ver, sim, senhora. Mas lá, desculpa.

Em 1906, ele já estava retirado das competições, encontrava-se estabelecido aqui na cidade de Viseu. Portanto, abriu uma lojinha na Rua Direita, que já falamos aqui várias vezes da Rua Direita. A Rua Direita era a rua principal, era a rua comercial por natureza, onde vendia o quê? Bicicletas. Mas também outros artigos que estavam na vanguarda tecnológica da época, como por exemplo, peças para automóveis e para motociclos, combustíveis e óleos de diversos tipos, óleos para motores. Não é óleos para fritar.

Sim, óleos alimentícios.

E também uma coisa muito interessante: máquinas falantes, isto é, gramofones.

Outra novidade.

Era uma loja, tudo que era tecnologia de ponta, de lazer.

Eram os gadgets da altura.

Exatamente. Que nós fomos à loja dos computadores, etc. E telemóveis. Na altura, era tudo isto. Homem das máquinas a pedal, de motor de combustão interna e elétricas. Foi um dos primeiros residentes da cidade a possuir um automóvel. Provavelmente uma marca Dion Bouton, de quatro lugares, que colocou à venda em 1906. Portanto, o nosso José Maria Dionísio Júnior, em 1906, tinha esta loja que vendia tudo isto, tinha um automóvel. Portanto, o homem ganhou bom dinheiro com as suas vitórias nas provas de ciclismo. E tem um automóvel. Ora, quantos automóveis havia numa cidade como Viseu, que até apesar de ser capital de distrito, etc. Mas era uma cidade pequena, uma cidade muito do interior. Havia meia dúzia de automóveis e um deles era do ciclista, o tal Dion Bouton, que ele coloca à venda em 1906.

Do campeão nacional.

O fim da sua vida foi trágico Ele pôs termo à vida. Em 43, onde tinha nascido, na sua terra. Foi um homem que teve a fama e a glória na juventude. Com o passar dos anos, o nosso campeão dos velódromos e das estradas foi caindo no esquecimento, quase absoluto. E hoje, começámos esta conversa aqui, poucos conhecem e se calhar essa é a segunda morte deste grande campeão.

A pessoa só morre, no fundo, quando é esquecida. Isso é a outra morte, de facto.

E de alguma maneira, eu ou falar ou conversarmos aqui um bocadinho sobre o José Maria Dionísio Júnior, era lembrar esses heróis, esses homens destas máquinas, destes primeiros tempos, que efetivamente foram homens que estiveram no cume do mundo, que foram grandes campeões e que hoje ninguém se lembra deles.

Estão esquecidos. Fica então esta belíssima homenagem, Jorge, que fizeste aqui ao José Maria Dionísio Júnior, este campeão de Carregal do Sal, aqui mercidamente lembrado. E é mais uma maneira de prolongar a sua memória e os seus feitos, porque de facto é uma história muito curiosa e de grandes peripécias, de factos curiosos e que infelizmente com um fim trágico, um fim triste, mas que não apaga tudo o que ele conquistou e conseguiu. Portanto, aqui fica esta lembrança.

Vão ver as fotografias dele.

Vale a pena ver. Sim, senhora. Jorge Adolfo Marques, um grande abraço. Marcamos encontro amanhã e vamos continuar a evocar corridas e motociclos. Já lá vamos. Amanhã sabemos mais, acompanhe-nos. Até amanhã, Jorge.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.