Em discurso na ONU, Delcy agradece Trump por retomar relações diplomáticas
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, por "retomar relações diplomáticas" com Caracas.
Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta quarta-feira (23), Rodríguez afirmou que Caracas "aspira construir relacionamentos com os EUA e seus vizinhos".
A presidente interina também disse que a Venezuela busca "renascer" após dois golpe sofridos neste ano: primeiro, o "estrangulamento de sua vida política interna e a intensificação do confronto com os Estados Unidos"; segundo, o duplo terremoto de 24 de junho, que causou a morte de mais de 6.500 pessoas e extensos danos materiais.
"A Venezuela aspira, com os Estados Unidos, com seus vizinhos, com todos os países do nosso continente e com a comunidade internacional, a reconstruir e manter relações de cooperação, respeito e igualdade", afirmou.
Rodríguez também afirmou que haverá um processo eleitoral para determinar o novo presidente do país.
Segundo a presidente interina, o governo de Caracas iniciou o diálogo com a oposição, e deve conduzir o processo "à plena democracia". Ela ainda afirmou que as "instituições estarão prontas para esse processo".
A relação entre a Venezuela e os EUA
Em 3 de janeiro, forças dos EUA realizaram uma operação de alto risco para capturar o ditador venezuelano Nicolás Maduro em um complexo em Caracas e levá-lo aos EUA para responder a acusações criminais.
A vice-líder de Maduro, Delcy Rodríguez, assumiu o cargo de presidente em exercício.
Desde então, Rodríguez — figura central tanto no governo de Hugo Chávez quanto no de Maduro — tem trabalhado para conquistar o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, ao mesmo tempo em que mantém vivo o chavismo.
Rodríguez tem supervisionado concessões táticas a Washington, incluindo posições favoráveis em setores estratégicos como o petróleo e a permissão para uma maior supervisão e presença dos EUA no país. Enquanto isso, muita coisa permaneceu inalterada na Venezuela sob sua gestão, e houve pouco progresso em direção à realização de eleições democráticas.
Em agosto, o governo venezuelano reuniu-se com figuras da oposição para iniciar negociações apoiadas pelos EUA, visando uma transição democrática. Em 2 de setembro, Trump afirmou que a Venezuela "não estará pronta" para eleições democráticas, mas que espera realizá-las "em breve".
Em junho, Rodríguez enfrentou a maior crise de seu mandato até o momento, quando terremotos catastróficos mataram milhares de pessoas e deixaram dezenas de milhares de feridos e desalojados. O Departamento de Estado dos EUA anunciou que forneceria US$ 150 milhões em ajuda à Venezuela após a tragédia.
A evolução dessa relação foi destacada mais recentemente por um acordo entre os dois países que concedeu aos EUA o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo da Venezuela, segundo Trump.
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