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Sunday, October 18, 2026

Cinco pistas e uma fatura: a TAP vai ter aterragem forçada?

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Temos o "E o Vencedor É?" agora na Rádio Observador nas manhãs 360 de fim de semana, com a moderação de Luís Soares.

E hoje com Mafalda Pratas e o José Manuel Mestre. Bem-vindos os dois a este "E o Vencedor É?" Hoje vamos olhar para o negócio de venda da TAP, mas começamos pelas manifestações pela habitação e com uma pergunta, Zé Manuel: um Tesla antigo também pode voar?

Pode voar se criar um caldo de cultura para isso acontecer. Perguntas-me tu quem é o Tesla antigo, não sei se estão a ver, estamos a falar de política e pensem lá que Tesla antigo é que se quer ligar à corrente. Ora, o que é que temos aqui com esta história que começou com a Carmen em Espanha, com as manifestações agora nas ruas pelo direito à habitação e um caldo de cultura explosivo, que é o crescimento exponencial das rendas? A história da carga policial no Porto é, para já, na noite seguinte, houve o milagre da multiplicação dos manifestantes. Não é dos pães, mas o efeito dessa carga policial é que veio logo muito mais gente pra rua. Agora, já chegou a Lisboa, não quer dizer que não chegasse, mas os governos têm muita dificuldade, agora ainda por cima com o valor securitário que a extrema-direita veio trazer às sociedades, em ver o risco de uma carga policial. E o risco de uma carga policial é acordar os demônios, que neste caso não são demônios, são pessoas que vivem com extremas dificuldades, com dificuldades em pagar a renda, em viver, em ter casa, em ter uma vida. E quando, com ou sem razão, não interessa para este caso, para uma carga policial, quando isso é resolvido pela lei da força, o efeito é a multiplicação dos pães que protestam. E é isso que está a acontecer. E desde logo, com esta mistura explosiva entre a falta de habitação, o preço das casas, o preço das rendas, sobretudo ao nível das rendas, porque há apoios para as casas que vão custar muito em termos de juros mais tarde, mas as pessoas vão pra única hipótese que têm. Tudo isto, juntamente com a guerra, está a criar uma cultura altamente explosiva, que é como quando em Física e em Química, eu sou de Letras, portanto até ao nono ano, fazíamos aquelas experiências e havia algumas que provocavam explosões. E aqui o governo está um bocadinho como nós no ensino preparatório, que é arriscar coisas muito complicadas quando já tem muitos problemas que não são da sua culpa, são da culpa do estado do mundo. E eu aqui diria que temos umas eleições americanas. Se correrem muito mal a Donald Trump, é possível que ele, para ir a tempo das próximas, as intercalares, para ir a tempo dos republicanos não perderem as próximas presidenciais, ponha rapidamente fim às guerras, no Irã pra ele é relativamente fácil, mas se calhar também pode ser relativamente mais acessível para qualquer outro conseguir um entendimento com Putin na Ucrânia. É mais difícil, mas se as guerras acabam, vem aí um período, provavelmente, de prosperidade. E aí Luís Montenegro pode respirar fundo. Mas se as guerras continuam, se os preços, a escalada não para, isto com mais o problema da habitação e todos os outros de uma sociedade onde os salários não acompanharam nem de perto nem de longe a inflação, tirando o salário mínimo, e onde os salários médios estão a ser comidos pelo salário mínimo, isto é muito complicado. E é aí que aparece o tal Tesla, que não voa porque é um Tesla que não era elétrico, que é de 2011, quando chegou ao governo uma troika chamada Passos Coelho, mas que agora diz que ou Luís Montenegro tem condições para entregar o poder em 2029, nas próximas eleições legislativas, para entregar o PSD em condições de continuar no poder, ou então, se não entrega, ele tem que repensar. E não me admirava nada que se o governo se deixar cair nestas armadilhas, a maior das quais não depende dele, depende da situação internacional, independentemente de governar bem ou mal em Portugal, como eu digo, não quer dizer que haja problemas em Portugal, isso tem um risco enorme. E aí, há muita gente que acha que Pedro Passos Coelho vai querer ser primeiro-ministro. Não. Pedro Passos Coelho vai desafiar, se as coisas correrem mal a Luís Montenegro, atenção, é esse o cenário. Passos Coelho não vai avançar se as coisas correrem bem a Luís Montenegro e vai dizer que ele foi responsável com os alertas que fez para que isso acontecesse, porque ele fez uma declaração de amor ao PSD e, portanto, vai sair de cena como entrou. Se calhar ele entrou em grande força e sai mais levemente, mas se Montenegro estiver em condições de ganhar as próximas eleições, nada acontecerá, não teremos Passos Coelho. Se as coisas correrem mal, ele vai desafiá-lo para um congresso extraordinário ou então vai ao congresso de 2028. Podem ter a certeza que ele não irá suceder a um Luís Montenegro derrotado em eleições legislativas para ser vice-primeiro ministro de André Ventura. Há quem ache que Passos Coelho só está a pensar no pós-legislativas. Não, ele está a pensar no pré-legislativas. E se as coisas correrem bem a Luís Montenegro, então não é depois de uma vitória de Luís Montenegro que se vai candidatar. Portanto, muita atenção ao ano que vem e a 2028. E aí o governo tem que ter cuidado. Ainda não se percebeu qual foi o papel do ministro da Administração Interna e do novo comandante-geral da PSP na carga policial do Porto, mas não pode Achando que ganha com o securitarismo, não pode jogar por aqui. Eu lembro-me dos secos e molhados de 1989, era ministro Silva e Gudinho, polícias contra polícias, e a seguir, o governo de Cavaco veio por ali abaixo, perdeu as europeias, ainda foi a tempo de recuperar para uma maioria absolutíssima de 50% em 1991. Mas Luís Montenegro não tem o cenário favorável que Cavaco tinha, não tem a aura que Cavaco granjeou, o homem ainda por cima que veio do interior, puro e que queria salvar o país, e isto não lhe é favorável. Tem que pensar muito bem nos riscos do que está a fazer e não pode, uma vez mais, deixar o ministro da Administração Interna à solta, se é que foi isso que aconteceu no Porto com a situação resolvida da pior maneira possível. Não é com cargas policiais que se resolvem os conflitos, sobretudo quando eles não têm a dimensão de França e a nossa realidade não é igual à francesa. E tenho dito.

Mafalda, queres também falar aqui das manifestações? Não sei se para fazer estas ligações todas políticas que o José Manuel acabou por fazer, ou se queres centrar, sobretudo naquilo que têm sido estes protestos que ganharam maior dimensão no Porto e que agora chegam também a Lisboa.

Sim, bom dia. Bem, eu não sei se sou capaz de fazer essas ligações todas que o José Manuel Mendes fez. Ele é de fato um mestre.

É da idade, no meu caso.

Exato. A fazer essas ligações todas.

Foi cidade da Mafalda que não viveu estes momentos.

Exato. Eu vou me cingir um bocadinho mais à questão das manifestações, mas principalmente, eu diria, do problema da habitação, porque sobre as manifestações em si, eu penso que as manifestações em Portugal tendem a ser pacíficas. Portanto, especialmente se compararmos com aquilo que nós, por exemplo, estamos a observar em França. E muitas vezes observamos noutros países, tendem a ser pacíficas. Obviamente que as manifestações têm sempre um problema, e isto acontece quer à esquerda, quer à direita, que é que grupos mais extremistas tendem a tentar usar estas manifestações para capturar, digamos assim. Aproveitam as manifestações para: "este é o nosso momento para brilhar", digamos assim, "porque não temos durante o resto do ano hipótese de o fazer e, portanto, vamos tentar causar alguns danos ou vamos tentar causar mais visibilidade mediática fazendo alguma coisa com a manifestação", e acabam por instrumentalizar também, às vezes, a maior parte dos manifestantes que está lá por outras razões, nomeadamente neste caso, pelas razões da habitação. Outra coisa que também me parece interessante é que quer do ponto de vista dos manifestantes, quer do ponto de vista do governo, muitas vezes, este tipo de manifestações acabam a transcender um bocadinho, do ponto de vista dos manifestantes, o problema da habitação em concreto. Portanto, obviamente que as manifestações acabam por ter uma perspectiva mais ideológica. Eu acho que, por exemplo, neste caso, as manifestações da habitação parece-me ser uma manifestação mais do ponto de vista da esquerda e até da extrema-esquerda, mas mais da esquerda do que da direita, quando nós sabemos, por exemplo, que muita gente de centro e de centro-direita e direita também se queixa em relação à habitação e tem problemas da habitação. A questão é que depois isso acaba por influenciar a perceção pública que se tem das manifestações e neste caso também, por exemplo, o governo tenta, no fundo, colar a manifestação a um grupo de extremistas ou muitas vezes, por exemplo, o fato de nas manifestações deste gênero se incluírem bandeiras de outro tipo de movimentos, como por exemplo, movimentos de apoio à Palestina ou movimentos de bandeiras LGBT, essas coisas todas que acabam por ligar o problema fundamental da manifestação a outras causas, muitas vezes também outras causas até mais fraturantes e que facilitam o trabalho de políticos de tentar associar a manifestação a outros problemas, e esse é que é o problema fundamental, possibilitam que os políticos não respondam ao problema fundamental, digamos assim, que neste caso é a habitação. E portanto, por exemplo, aquela manobra, que foi uma manobra comunicacional, essencialmente, em que o primeiro-ministro, o gabinete do primeiro-ministro, liberta aquele vídeo a mostrar que há, no fundo, uma pessoa mais, digamos, não sei se é um hooligan, mas uma pessoa mais acirrada a dizer: "bem, agora vão atirar um tijolo à casa do primeiro-ministro." Obviamente que isto é inaceitável, mas obviamente que o gabinete do primeiro-ministro sabe destrinçar quando este tipo de ação é real e apresenta uma ameaça real versus quando é apenas um lobo solitário sem grande influência e impacto. E no fundo, aliás, nenhum de nós saberíamos que isso teria acontecido se não fosse o próprio gabinete do primeiro-ministro a libertar esse vídeo. E o que acaba por acontecer, neste caso, por exemplo, é que parece-me que o governo está a tentar transformar a manifestação nesse outro tipo de coisa, de nós não podemos ter manifestações não pacíficas, não podemos ter, se calhar, manifestações vindas de grupos que não representam a sociedade ou de grupos mais extremistas, e acaba por possibilitar que não respondam ao problema fundamental, que é o problema da habitação, e que me parece que até do meu ponto de vista É surpreendente que não tenha havido mais manifestações em Portugal ao longo dos tempos. E não falo apenas destes acampamentos, falo de manifestações clássicas. Manifestações em relação a este assunto, porque de facto Portugal, em termos dos números, dos dados, é o país da Europa com a relação entre rendimento e renda média nas grandes cidades de Lisboa e do Porto mais elevada. Para além disso, Portugal tem ainda nas grandes áreas metropolitanas, principalmente de Lisboa, do Porto é um pouco melhor, mas de Lisboa, tem uma grande falta também de transportes públicos que possibilitem que as pessoas vão viver para mais longe e comutar para o centro da cidade. Portanto, isto é um problema em evolução há muito tempo e que até me admira não ter vindo um pouco antes.

É o país dos grandes costumes, não é?

Pois, e isso acaba também por possibilitar que nenhum dos governos, nem os governos de António Costa, nem os governos de Luís Montenegro, conseguiram propriamente apresentar pacotes fortes que tentem responder ao problema. E não sei, de facto, como é que vamos sair disto e não sei como é que o governo vai sair disto.

Vamos ter a saída deste tema. Entretanto, Mafalda, as notas para quem queres dar nota neste tema.

Sim. Eu vou dar nota para os manifestantes pacíficos, que eu dou um 14, porque acho que de facto manifestantes pacíficos devem ter lugar na nossa democracia, especialmente considerando que este tema é importante. Vou dar um cinco, aliás, até dou mais baixo, se calhar um três, aos manifestantes não pacíficos, que muitas vezes acabam por contaminar o discurso público e acabam a distrair dos assuntos fundamentais, e vou dar também um sete ao governo que eu acho que não tem respondido de forma muito feliz a estes protestos.

Zé Manel, a quem queres dar nota ao tema?

Eu dava obviamente menos 10 aos manifestantes não pacíficos, nota abaixo de zero. Se desse nota ao governo, dava ao ministro da Administração Interna menos de cinco.

Menos que cinco ou menos cinco?

Não, menos de cinco acima de zero. Uma nota positiva, mas muito má, porque depois das informalidades, agora aquela carga policial parece ter tido arbitrariedade. A Mafalda tocou exatamente no ponto, que é não tínhamos muitas manifestações e aquela carga policial veio despertar todos os que têm este problema. E portanto o ministro é o responsável pela atuação das forças de segurança e teria uma nota muito má. Mas o resultado disto eu quero deixá-lo claramente para Pedro Passos Coelho, porque finalmente disse ao que vinha e portanto vai levar um 15, mas que é um 15 que lhe pode correr mal, se se precipitou no tempo, mas de qualquer maneira, agora sabe-se o que é que Pedro Passos Coelho quer. Quer que o governo tenha sucesso, se não tiver sucesso, ele vai desafiá-lo antes das próximas eleições em sede de PSD.

Vamos agora ter que acelerar um pouquinho no tema da venda da TAP e começava por ti, Mafalda. Foi o negócio que marcou a semana. Acabou mais ou menos como esperavas?

Eu acho que o negócio, sim, na medida em que eu esperava que fosse a Lufthansa a vencer, digamos assim, por uma série de razões, porque apesar de tudo, eu acho que os portugueses tinham há muitos anos e eu também tenho um pouco essa percepção de que é o grupo aéreo mais sólido da Europa. E porque especialmente considerando que o grupo da British Airways e da Iberia não iria ser o grupo selecionado por causa da questão estratégica da competição entre os aeroportos de Madrid e Lisboa. E portanto, eu estava à espera que entre a KLM Air France e a Lufthansa, vencesse a Lufthansa. Agora, eu acho que, apesar de tudo, o valor se calhar foi um pouco acima do que eu estava à espera, o valor que eles deram à companhia aérea, e nesse sentido, foi uma semana com uma boa notícia e uma boa notícia para o governo ter conseguido privatizar assim. Agora, eu acho que temos também que ter alguma cautela numa série de coisas. Em primeiro lugar, o fato da privatização não ter sido total faz com que este valor tenha que ser ponderado, ou seja, uma coisa é o que nós vamos receber já, outra coisa o Estado vai receber já, eu digo nós, o Estado, não é? O Estado vai receber já versus aquilo que está projetado que o Estado receba se houver uma privatização total e o que o Estado vai receber com os 5% da Lufthansa até 2040, tudo isso são projeções que podem, obviamente, não se vir a realizar. Especialmente no caso da TAP, por exemplo, eu não descarto a hipótese de, tendo o Estado ainda uma parcela muito grande e sendo este negócio tão dependente da construção do novo aeroporto de Lisboa, que eu acho de facto que é fundamental, porque a própria Lufthansa disse isso no dia em que comprou, este aeroporto não é compatível com uma estratégia de crescimento e com uma estratégia maior de hub para que a Lufthansa queira fazer em Portugal. E portanto, se por exemplo, o aeroporto estiver muito atrasado em relação às perspectivas que a Lufthansa tenha, isso pode vir a diminuir o valor da TAP no futuro e quando se fizer eventualmente uma privatização posterior total. E de fato eu acho que nós temos que ser um pouco cautelosos também com os festejos que foram feitos esta semana sobre: "Ah, então dado que tudo acabou por correr bem no final, compensou Todo o dinheiro que o Estado gastou na TAP ao longo dos anos. E eu, de facto, não estou convencida disso. Acho que não. Acho que houve muitas decisões muito más feitas pelo Estado, não apenas recentes, mas também até durante o início dos anos 2000, com a questão dos negócios no Brasil, com a questão de privatizar, mas depois renacionalizar 51%. Depois a questão que fizeram com o Neeleman, que foi obviamente uma peça fundamental para a valorização da TAP e que foi tudo um bocadinho estranho, o dinheiro que pusemos durante a pandemia. Portanto, foi muito dinheiro que ao longo dos anos os portugueses puseram e esse dinheiro, apesar de tudo, não vai ser totalmente recuperado ou pelo menos não há a perspectiva que seja totalmente recuperado. E, portanto, eu dou uma nota positiva, porque é bom que tenha sido um valor bom e elevado. É bom que estejamos finalmente a tentar encerrar este capítulo, mas ainda há muita coisa em aberto que pode vir a correr pior do que aquilo que está anunciado. E eu sou sempre um bocadinho, não vou dizer pessimista, mas eu prefiro dizer realista, que as coisas podem não correr exatamente como estão planeadas para o futuro. Já sabemos que neste dossiê da TAP, muitas vezes isso aconteceu. Uma coisa era o que estava planeado, outra coisa foi o que veio a acontecer.

O que aconteceu na prática.

Exatamente. Portanto, eu vou dar um 14.

Um 14. Zé Manel, percebemos que a TAP afinal voa e que neste pequeno retângulo temos espaço para cinco aeroportos. Zé Manel? Zé Manel Mestre? Acho que o José Manel...

Estou cá.

Ah, agora sim. Já pensava que tinhas voado.

Estive um bocadinho no mudo, entretanto.

Pensei que tinhas voado entretanto com este negócio.

Exato. Estava aqui bem ligada a voz. Ora bem, a TAP voa e voa bem, ao contrário do Tesla, que não se sabe se vai voar, o Tesla antigo, mas a TAP provou que voa. E aqui há uma parte onde eu discordo da Mafalda, há várias outras onde estou de acordo, e se calhar vamos começar pelo passado. O negócio do Brasil, que nunca se percebeu o voo e ainda não foi explicado totalmente, tem uma coisa que eu só soube contado por terceiros um dia, que é: as rotas do Brasil são o ouro da TAP, um dos Estados Unidos e África, mas no Brasil a Varig ofereceu o negócio à TAP ficar com as rotas do Brasil. E isso era ouro. E depois disseram para a TAP ficar com isso, também tinha que ficar com a VEM, a manutenção, o buraco, o problema. Mas só ficava com as rotas se ficasse com a VEM. E nunca se olhou para a VEM nessa perspectiva, porque a VEM era um buraco monumental, a empresa de manutenção da Varig no Brasil. E agora percebe-se aqui que esse negócio tinha essa mais-valia e portanto ficou-se com o ativo tóxico para se ficar com o bom e isso valorizou a TAP. Depois, a TAP durante muito tempo tinha que ser fechada, não tinha futuro, estava morta, estava falida e tinha que ser aberta como uma Itália ou uma ITA. A ITA é uma ITAzinha, porque a Alitalia foi fechada. Isto vem provar que afinal a TAP tinha valor. E vem provar que Pedro Nuno Santos, quando decidiu investir na TAP para que ela fosse um ativo, afinal tinha razão. Também vem provar outra coisa, que as avaliações da TAP, desde a privatização de 2015, a Neeleman ao resto, foram sempre por baixo, sendo que Neeleman, eu aí discordo da Mafalda, porque Neeleman comprou a TAP com o dinheiro da TAP e quis fazer do Estado português gato e sapato, aproveitando a situação que tinha ficado da Troika. E aí Miguel Pinto Luz, que só pôs uma assinatura, agora redimiu-se. E agora a TAP foi valorizada. É certo que é um ativo tóxico, que é a TAP SGPS, que foi transformado noutra empresa e onde estão problemas por resolver. Mas isto prova que a TAP, enquanto companhia aérea, tem uma potencialidade enorme. E há aqui um outro vencedor, chama-se Aníbal Cavaco Silva, e até José Sócrates indiretamente, que obrigou José Sócrates a fazer um estudo que levou o aeroporto, na altura em 2008, à escolha do Campo de Tiro de Alcochete. E isso prova que um grande aeroporto faz sentido, que a TAP faz sentido. Fica aqui um problema, que é um desarincance deste governo, que é resolver uma escola de pilotos com uma pista em Tancos. Mas nós vamos ter um aeroporto no Porto, outro em Tancos, outro no Campo de Tiro de Alcochete, outro em Beja e outro em Faro? Cinco aeroportos? Sendo que Beja fica a 140 km, pouco mais de uma hora, o caminho mais rápido do Campo de Tiro de Alcochete e Tancos fica a 130 km pelo caminho mais rápido, em linha reta são cerca de 100 km. E justifica-se ter ali um aeroporto?

Vamos terminar, Zé Manel.

Não se pode ir de comboio para Fátima. Isto eu acho que é um jogo para obrigar a ANA a fazer Alcochete rapidamente. E, portanto, a ameaça: não fazem rapidamente, nós fazemos um aeroporto em Tancos. E era essa parte que eu queria desconstruir. A nota vai para a TAP, vai para um 18, porque afinal a TAP tinha muito valor.

Notas positivas no final deste "O Vencedor É". Zé Manel, Mafalda, obrigado por terem vindo. E o Vencedor É está de regresso amanhã, depois das 08h30 nas Manhãs 360.

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