Lula corteja evangélicos, Flávio no Rio Grande do Sul

Lula, que enfrenta resistência de grande parte dos eleitores dessa confissão religiosa, diz na carta que é cristão, que respeita todas as religiões, cita valores da família, faz menção a Deus e usa várias expressões de fé numa tentativa de aproximação com os evangélicos.
Uma sondagem da Quaest divulgada em 28 de setembro mostrou Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto entre os evangélicos na primeira volta, e Lula, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), com 27%.
Evangélicos e católicos representam 79% da população brasileira com 16 anos ou mais, sendo que 50% se declaram católicos e 29% evangélicos, segundo uma pesquisa recente do Instituto de Estudos da Religião (ISER), em parceria com a Quaest.
“Cheguei até aqui com a proteção divina, orientado por um propósito e missão. Tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei”, escreveu Lula.
“Guiado por Ele estou aqui, mais uma vez, fazendo a defesa das famílias brasileiras com ações concretas, como tenho feito ao longo de toda a minha jornada política, e não com discursos vazios, como muitos outros fazem. As famílias são a base do Brasil que queremos”, realçou.
Ainda na carta, Lula exaltou alguns feitos da sua gestão que “abençoam” as famílias evangélicas e listou a proibição e o combate às apostas online, iniciativas de proteção às mulheres, combate à violência e ao crime organizado, e fez ainda referência à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da redução da jornada de trabalho, a ser votada ainda esta quarta-feira no Senado brasileiro.
“As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração”, completou.
Já o senador e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para ironizar sobre a carta do seu adversário na corrida a Presidente do Brasil às famílias evangélicas, e escreveu: “Lula escreve para evangélicos e diz: ‘Eu não sou o Lula!'”.
Lula escreve para evangélicos e diz: “Eu não sou o Lula!” https://t.co/tdUtmGBGQQ
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 14, 2026
Flávio falava num comício no Rio Grande do Sul, ao lado do governador eleito pelo Partido Liberal (PL), Luciano Zucco, para reforçar a presença no reduto bolsonarista antes da segunda volta das eleições, marcada para dia 25.
Como teve 2,2 milhões de votos a mais que Lula na primeira volta em todo o Brasil, o objetivo da agenda é não desmobilizar os apoiantes e evitar o clima de “já ganhou”, perante a intensificação das marchas e grandes comícios realizados pela esquerda em todo o país nos últimos dias.
Além do comício, Flávio também terá uma reunião com empresários e líderes da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Também pelas redes sociais, o candidato presidencial do PL recuou e anunciou esta quarta-feira que irá ao debate organizado pela TV Band no próximo domingo onde promete “esfregar a verdade” na cara do adversário.
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