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Friday, September 18, 2026

Morre Peter Max, ícone da Pop Art dos anos 1960, aos 88 anos

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O artista ficou conhecido por suas composições com cores vibrantes, referências cósmicas e imagens psicodélicas

Gabriela Nangino (@gabinangino)

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Peter Max em 2012
Peter Max em 2012 (Foto: Simon Russell/Getty Images)

Peter Max, artista alemão-americano fundamental do movimento Pop Art, morreu na última segunda, 14, aos 88 anos. A notícia foi confirmada por Michael Pagnotta, amigo próximo e porta-voz com quem Max trabalhava desde a década de 80. Segundo Pagnotta, o artista faleceu em um hospital em Manhattan, após uma longa batalha contra o Alzheimer. Max deixa dois filhos, Adam e Libra.

Nascido em Berlim, em 1937, Max pintou desde a Estátua da Liberdade até aviões e o Super Bowl com cores vibrantes, referências cósmicas e imagens psicodélicas. Sua arte ajudou a definir a estética associada à contracultura e ao movimento hippie.

“Ele tinha uma mente muito expansiva. Assim como os Beatles forneceram a trilha sonora para aquela época e para aquela geração, Peter a visualizou e simplesmente explodiu na cena no final dos anos 1960”, refletiu Pagnotta.

Nos anos 1980, o artista criou o primeiro logotipo da MTV, e, em 1994, foi escolhido como “artista oficial” da Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos. Ele também está por trás dos retratos de diversos presidentes dos Estados Unidos e celebridades, como Bob Dylan, Ringo Starr, Jimi Hendrix, Obama e Taylor Swift.

Qualquer que fosse o otimismo do pós-guerra que existia no país, mesmo em tempos turbulentos, Peter foi capaz de capturá-lo e uni-lo a essa espécie de mistério mágico e espiritual oriental, e funcionou perfeitamente. E ele acreditava no apelo popular do que estava fazendo. Ele acreditava em tornar a arte acessível às pessoas.

A vida de Peter Max

Nascido Peter Max Finkelstein, filho de pais judeus, a família de Max fugiu da perseguição nazista quando ele ainda era bebê. Eles passaram cerca de uma década vivendo em Xangai antes de se mudarem para Israel, Paris e, finalmente, se estabelecerem no Brooklyn em 1953, quando o artista tinha 16 anos.

Após o ensino médio, Max iniciou seus estudos na Art Students League de Nova York, que tinha importantes artistas do pós-guerra entre seus ex-alunos, como Roy Lichtenstein, Robert Rauschenberg e Cy Twombly. A evolução desses artistas, do expressionismo abstrato para a pop art, ajudou a inaugurar o movimento que Max incorporaria em suas obras.

Em 1962, Max fundou, ao lado de um amigo, o The Daly & Max Studio em Manhattan, com foco em design gráfico e colagens. Suas obras oníricas com cores ousadas, flores fluorescentes, arco-íris e planetas tornaram-se o rosto da contracultura e da era Woodstock.

Na década de 1970, o governo federal dos EUA contratou Max para criar uma série de placas de “Bem-vindo aos EUA” para as fronteiras do país com o Canadá e o México. Seus designs foram arquivados depois que alguns funcionários questionaram a “atmosfera alucinante” das obras. O presidente Jimmy Carter retomou o projeto mais tarde e, em 1978, mais de cem placas foram instaladas nas passagens de fronteira.

Apesar de ser frequentemente associado à capa do álbum dos Beatles de 1969, Yellow Submarine, que apresenta características semelhantes à sua obra, Max não é responsável por essa produção. A capa foi criada pelo ilustrador tcheco-alemão Heinz Edelmann.

Em sua autobiografia visual de 2013, The Universe of Peter Max, o artista agradeceu à diversas figuras que o influenciaram, incluindo o mestre de ioga Swami Satchidananda, “que me ensinou a arte de me desapegar e estar em sintonia com o fluxo”.

“Para mim, o universo em si é a expressão máxima da criatividade. O fato de nós, como seres humanos, termos sido dotados da capacidade de canalizar essa criatividade me enche de admiração e encantamento. Quando me conecto com meu cosmos interior — esse núcleo de criatividade dentro de mim — ele se torna uma fonte de possibilidades em constante expansão, me permitindo ir de uma aventura mágica a outra”, escreveu.

O astrofísico Neil deGrasse Tyson escreveu a introdução do livro, elogiando Max por reconhecer as “maravilhas do  universo” e capturar “a alma do cosmos na tela”.

Antes da morte de Max, sua filha Libra tornou pública uma disputa judicial em curso. Max sofria de demência avançada decorrente do mal de Alzheimer e, desde 2016, foi colocado sob custódia monitorada pela justiça de Nova York. A partir de 2019, a advogada Barbara Lissner foi nomeada pelo tribunal como sua tutora pessoal.

Libra alegou que a tutela seria abusiva e exploratória, pois Lissner estaria “isolando” seu pai da família e dos amigos e ocultando informações sobre sua saúde. Pagnotta se recusou a comentar sobre a disputa quando contatado nesta quarta, 16.

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Gabriela Nangino (@gabinangino)

Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, Gabriela é mineira e apaixonada por arte e cultura. Ela também já foi dançarina e seu principal hobbie é conhecer todos os cinemas de rua de SP. Foi estagiária no Jornal da USP e, na Rolling Stone Brasil, fala sobre música, filmes e séries.

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