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Sunday, September 27, 2026

Com fim das bets, governo prepara socorro de R$ 20 bilhões para clubes de futebol

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O Ministério da Fazenda acelerou, após a proibição das bets na sexta-feira, 25, a negociação de uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes e SAFs. O programa permitiria trocar dívidas caras por financiamentos de até 20 anos, com dois anos de carência, sem perdão dos débitos. O modelo ainda não foi formalizado.

O fim anunciado das bets no Brasil deixou um buraco de mais de R$ 1 bilhão por ano no orçamento do futebol brasileiro — e o governo já trabalha para tapá-lo.

Segundo o UOL, o Ministério da Fazenda acelerou as negociações para criar uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões voltada a clubes de futebol e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), batizada de Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional.

A proposta já vinha sendo discutida havia meses, mas ganhou urgência depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na sexta-feira, 25, a Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe a operação e a publicidade das casas de apostas no país.

O desenho em discussão não prevê perdão de dívidas. A ideia é permitir que clubes e SAFs troquem passivos mais caros — como dívidas trabalhistas, débitos com a Receita Federal, o INSS e o FGTS, e empréstimos bancários — por um financiamento de longo prazo, com juros vinculados às condições do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O prazo de pagamento discutido é de até 20 anos, com dois anos de carência antes do início das parcelas. O risco das operações ficaria com as instituições financeiras que operarem o crédito, não diretamente com a União, e o dinheiro não poderia ser usado para salários correntes, contratação de jogadores ou despesas rotineiras.

Uma reunião sobre o tema já reuniu dirigentes de clubes — entre eles, representantes do Internacional e do Corinthians — com integrantes do governo, e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) participa das articulações, embora não conduza diretamente o programa.

Quanto as bets realmente pagavam ao futebol?

Segundo levantamento da consultoria Sports Value, as casas de apostas pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país em 2025 — o equivalente a 34% de toda a receita de marketing desse grupo, e um salto de 85% em relação aos R$ 618 milhões pagos em 2024. Na ponta mais dependente, o São Paulo tinha 73% de sua receita de patrocínios vinda de casas de apostas.

O Flamengo era quem mais recebia, com R$ 269 milhões por ano, seguido por Corinthians (R$ 150 milhões) e o próprio São Paulo (R$ 113 milhões), segundo o projeto "Quanto o Clube Perde", do Lance! Dados. Em ritmo diário, eram cerca de R$ 3,1 milhões saindo das bets para os clubes todos os dias — ou pouco mais de R$ 2 mil por minuto.

O impacto vai além da publicidade na camisa. A lei que regulamentava o setor até então destinava cerca de R$ 324 milhões por ano a clubes, entidades esportivas e atletas pelo uso de nomes, símbolos e imagens, além de R$ 1,6 bilhão por ano ao esporte brasileiro como um todo — recursos que também somem com a proibição.

As duas principais competições do país, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, têm seus naming rights vinculados à Betano, uma das maiores plataformas de apostas do mercado, contrato agora sob risco.

Em entrevista à CNN Brasil, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o "Bap", chegou a estimar que o futebol brasileiro pode perder cerca de R$ 2,5 bilhões em receitas no próximo ano com a medida.

Um mercado que cresceu rápido demais para sumir sem custo

O tamanho do estrago reflete a velocidade com que as bets tomaram o espaço comercial do futebol brasileiro. Em 2022, os 20 clubes de maior receita do país somavam R$ 1,426 bilhão em receitas de marketing ao todo; em 2025, esse total mais que dobrou, para R$ 3,166 bilhões — um crescimento puxado, em boa parte, pelos contratos com casas de apostas firmados desde a regulamentação do setor, em 2018.

Clubes, federações e entidades esportivas já vinham se mobilizando contra mudanças abruptas no modelo regulado, argumentando que a retirada das bets afetaria contratos já assinados, o planejamento financeiro, o futebol feminino, categorias de base e competições de menor apelo comercial — segmentos que, segundo esse argumento, dependiam de patrocínios que empresas de outros setores dificilmente pagariam pelo mesmo valor.

Ainda não há, porém, garantia de que o crédito de R$ 20 bilhões saia como planejado.

O modelo segue em discussão e pode sofrer alterações antes de ser formalizado, e o programa prevê mecanismos de controle: se um clube usar os recursos fora das finalidades autorizadas ou deixar de pagar o financiamento, a dívida pode ter o vencimento antecipado e a equipe pode ser excluída do programa.

Na prática, os clubes continuariam responsáveis pelo pagamento integral dos valores — a diferença é que trocariam dívidas caras e de curto prazo por uma estrutura de financiamento mais longa e barata.

'Perguntas frequentes'

O que é a linha de crédito de R$ 20 bilhões para clubes de futebol? +

É uma proposta de financiamento para clubes e SAFs, chamada Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional. Segundo apuração de diferentes veículos, o Ministério da Fazenda acelerou as negociações após a proibição das bets, mas o programa ainda não foi formalizado.

A linha de crédito perdoará as dívidas dos clubes? +

Não. Os clubes continuariam responsáveis pelo pagamento integral, mas poderiam substituir dívidas caras e de curto prazo por um financiamento de até 20 anos, com dois anos de carência e juros vinculados às condições do banco público BNDES.

Quais dívidas poderão ser refinanciadas pelo programa? +

A proposta inclui dívidas trabalhistas, débitos com a Receita Federal, o INSS e o FGTS, além de empréstimos bancários. Os recursos não poderão ser usados para pagar salários correntes, contratar jogadores ou cobrir despesas rotineiras.

Quanto os clubes recebiam em patrocínios das bets? +

As casas de apostas pagaram R$ 1,143 bilhão aos 20 clubes de maior receita do Brasil em 2025, segundo a consultoria Sports Value. O valor representou 34% da receita de marketing desse grupo e ficou 85% acima dos R$ 618 milhões registrados em 2024.

Quais clubes mais recebiam dinheiro das casas de apostas? +

O Flamengo liderava, com R$ 269 milhões por ano, seguido por Corinthians, com R$ 150 milhões, e São Paulo, com R$ 113 milhões, segundo o projeto Quanto o Clube Perde, do Lance! Dados. No São Paulo, as bets respondiam por 73% da receita de patrocínios.

Quanto o futebol brasileiro pode perder com a proibição das bets? +

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, estimou à CNN Brasil uma perda de cerca de R$ 2,5 bilhões no próximo ano. Além dos patrocínios, deixariam de existir repasses anuais de aproximadamente R$ 324 milhões pelo uso de nomes e imagens e de R$ 1,6 bilhão ao esporte brasileiro, segundo a reportagem citada na matéria.

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