Portugal X Gales. "Com a Noruega temos de crescer mais"

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Na estreia na Liga das Nações 2026, Portugal venceu o País de Gales por um a zero. Estreia também de Jorge Jesus e a primeira vez que João Félix marca o gol da vitória ao serviço da seleção nacional. Muitas novidades numa noite onde a ideia de ordem, apesar de uma primeira parte que não começou da melhor forma, é de que já se vai vendo um dedo de Jorge Jesus, Gabriel Alves, e também aqui, de alguma forma, ainda muita coisa para trabalhar neste contexto.
Aliás, Jorge Jesus disse que Portugal vai fazer melhor. Obviamente, tem que fazer melhor. Tem que fazer melhor, pura e simplesmente. E também disse algo que eu já aqui hoje tive a oportunidade de referir: com a Noruega, temos que crescer mais. E é o jogo já a seguir. Portanto, com a Noruega, tem que crescer mais. O lado positivo disto, em relação ao jogo, é a vitória. É bom começar vencendo, principalmente quando se entra num novo ciclo de treino, de trabalho, de objetivos, de projeto para objetivos e, portanto, começar a vencer, obviamente, que é um lado extremamente positivo. Quanto ao mais, daquilo que me perguntas, Vicente, sobre o dedo de Jorge Jesus. Sim, temos um futebol, pelo menos já à partida, naquilo que é a posição dos jogadores. Vamos falar já a partir da parte dianteira. A situação do um mais um entre João Félix e Cristiano Ronaldo, que funcionou, foi bem articulado.
João Félix marcou o gol e Ronaldo esteve na primeira parte muitas vezes perto de fazer.
Três vezes teve a hipótese de marcar. Ronaldo, que também funcionou bem naquilo que é o aspeto assistivo, mas que na definição hoje esteve aquém daquilo que se lhe exige em função da sua capacidade e da sua competência na função. Passes longos às costas dos galeses, portanto, tirar partido do futebol de profundidade e a forma como a equipa se montou. Portanto, o caso do Bruno Neves sobre o lado esquerdo vir para jogo interior, que teve mais jogo interior. O caso do Neto, que foi o jogador de profundidade na linha, um médio-ala, com os dois laterais subindo, quer o Mendes, quer o Cancelo. E depois, a função do Bruno Neves.
O Bruno Fernandes, neste caso.
Não, eu estou a falar do Bruno Neves cá atrás. O Bruno Fernandes, sim, na zona do lado esquerdo para dentro do terreno.
Está a falar de Rúben Neves, neste caso.
Claro. Falei do Bruno Fernandes primeiro, na sua função do lado esquerdo. Agora estou a falar do Rúben Neves. Portanto, colocado cá atrás, naquilo que é a posição no apoio aos defesas centrais e depois com o Vitinha, aquela posição, aquele duplo pivô, aquela dicotomia, naturalmente, na casa das máquinas, que é obviamente um fator de interligação extremamente importante na conjugação dos esforços e nas dinâmicas, porque é evidente, se o Nuno Mendes sobe, alguém tem que ir fazer a cobertura dessa subida do Nuno Mendes. Sobe o Cancelo, alguém tem que ir fazer a cobertura dessa subida. Tu, para teres profundidade, também tens que ter a contenção, tens que saber conter, porque tu podes perder a bola adiante e obviamente que o adversário tira partido dos espaços que tu lhe ofereces na zona de makeup e da retaguarda. Portanto, tivemos nesse aspeto um jogo, sem ser completamente conseguido, tiveste hoje a hipótese de ver, pelo menos, uma dinâmica diversa. Mas como digo, e como diz o Jorge Jesus, eu já o tinha dito durante a transmissão e no pós-jogo, Portugal tem que fazer melhor, ele disse que vai fazer melhor e com a Noruega, que é já o jogo a seguir, que é um jogo fortíssimo, Portugal tem que crescer mais.
E Jorge Jesus disse também que estava, apesar de não ter feito muitos gols e apesar de este resultado ser sempre um resultado perigoso, feliz com a vitória, mas também com o desempenho defensivo da equipa, que, na opinião do treinador, concedeu muito pouco e o único que concedeu foi aquele lance em que Rúben Dias acabou por salvar a parada inteira, mas o que é facto é que provavelmente seria anulado o gol por uma receção de mão do jogador do País de Gales. Tirando isso, Portugal nada ou pouco concedeu, também contra uma seleção de outra valia. Podemos reproduzir esse comportamento defensivo e vamos manter a nossa baliza a zero frente a uma Noruega com um Erling Haaland daquela natureza na frente de ataque?
A minha questão é esta: não é só a linha de defesa. Jesus gabou essa linha de defesa, e bem. A minha perspectiva é o modus vivendi da equipa no terreno, como ataca no seu coletivo, na sua conjugação, e como defende também na sua conjugação. Porque se a bola chega à defesa completamente controlada pelos jogadores adversários, a defesa terá sempre mais dificuldades em suster. Portanto, há um trabalho coletivo, e não é por acaso que Jorge Jesus falou, e bem. Uma das razões porque Gonçalo Ramos, aliás, aqui foi tratado também durante a transmissão com o João Castro. Uma das razões que o Gonçalo Ramos entra não é só o fator de ponta de lança, não. É um jogador fresco para fazer pressão junto da defesa contrária naquilo que é a fase da organização ofensiva, portanto, de saída com bola, não os deixando trabalhar com à vontade, que já o vinham fazendo e criando dificuldades no meio-campo de Portugal. É naturalmente aquilo que é o coletivo de jogo da seleção que se tem que fazer sentir a todo o terreno e em todo o espaço. Quanto aos jogadores, sim, ele certamente ficou satisfeito com o desempenho dos dois centrais e com o desempenho dos dois laterais, que jogaram bem, é verdade. Nuno Mendes e Cancelo.
E só não falamos do desempenho de Diogo Costa porque não foi obrigado.
Foi o espetador, que naturalmente estará sempre presente para aquilo que é necessário, porque é de facto um enormíssimo guarda-redes e que também dá confiança a essa defesa. Atenção, teres um guarda-redes capaz dá-te confiança, dá confiança aos jogadores que ele tem na sua frente para o desempenho e para o rendimento a ter. Quanto a Tavares.
Entrou para render Nuno Mendes.
Sim, mas não tem nada a ver uma coisa com a outra. Percebo que o José Jesus o tivesse gabado e fez bem, porque é dar incentivo ao futebolista, mas a verdade é que Nuno Tavares entrou com a fogosidade toda. Quis mostrar serviço. Não. Tudo aquilo que ele tem de dimensão ofensiva, de capacidade atlética, de caráter, de intensidade e de atitude, nada a dizer, 20. Mas depois no último passe, naquilo que é no momento certo definir futebol para outro tipo de situação, de criar espaço adversário, no último terço adversário, tem que ter outra clarividência e tem que ter outra dimensão e não ser tão impetuoso. Quanto a mais, também ainda falando de Bruno Fernandes, foi um jogador que hoje, e nisso também tivemos a oportunidade e vimos, estávamos a assistir ao jogo durante a partida, que nesta posição tática, que ele conhece, é verdade, sentiu algo amarrado. Não esteve à altura daquele Bruno Fernandes.
Bruno Fernandes gosta de ser, pelo menos no Manchester United, um radical livre, ocupa a parte do terreno que bem entende.
Não, ele aqui tem que ter disciplina tática, porque o treinador diz-lhe: "É naqueles metros que jogas, é ali que vais jogar." Aliás, há muitos treinadores que são assim, e não é só o José Jesus. Eu estou a olhar para o Pep Guardiola, estou a olhar para o Arteta, estou a olhar para o Klopp. Olha, estou a olhar para o Taffarel ali no Bancora.
Eu recordo umas palavras de Guardiola sobre Bruno Fernandes, precisamente sobre ser um jogador que, apesar de ser muito bom, era um jogador que Guardiola não gostaria de ter na sua equipa precisamente porque pisa quando quer, onde quer, dentro do terreno e isso para a manobra de um treinador às vezes pode ser problemático.
Não, e há treinadores que pura e simplesmente não. E quem lidera os processos são os treinadores e os jogadores aceitam ou então não aceitam, mas isso já são questões de outra ordem. Para já aqui tem que aceitar, mas certamente Bruno Fernandes, como é um excelente futebolista e naturalmente vai rotinar-se nesta nova função, dentro daquilo que são os novos companheiros que ele tem para esta dimensão de jogo.
Gabriel, o que foi nesta noite de vitória de Portugal sobre o País de Gales por uma bola a zero, estreia de Jorge Jesus, o que foi o pior? Houve alguma coisa que possa ser considerada suficientemente negativa para merecer uma menção?
A questão é esta: a equipa ainda não está completamente rotineada, ainda não tem a dimensão dos movimentos, todos eles bem definidos. Também há a questão do índice físico. Notou-se que a equipa sentiu dificuldade física. Essas são situações que naturalmente vieram ao de cima e ali na casa das máquinas houve ali um momento que foi obviamente completamente perdido. Depois, há que definir, porque Portugal pode construir muitas jogadas de golo, mas tem que ter mais definição e o próprio Ronaldo tem que estar mais concentrado com aquilo que é o futebol entre paus. Os remates entre paus e criar aos guarda-redes as dificuldades, para isso eles lá estão. São situações que, para já, e acima de tudo, ganhar entrosamento naquilo que é a dimensão do jogo que o Jorge Jesus pretende. E volto a chamar a atenção, porque ele voltou aqui a dizê-lo, os jogadores que têm uma função no clube, para ele, respeita-se no clube. Ali é a função que ele lhes dá.
E para fechar este relatório de jogo da estreia de Jorge Jesus, Gabriel Alves, o que foi o melhor nesta vitória de Portugal frente ao País de Gales por uma bola a zero?
Toda esta expectativa, este ar fresco que naturalmente chega. Naturalmente que eu acho que quem vai ao futebol queria hoje ver, se calhar, uma goleada sobre o País de Gales. Não, as coisas não são assim, as coisas levam o seu tempo a construir. O País de Gales não é bem uma equipa para treino, não é bem uma equipa para se fazer um jogo de treino, como tem havido aí vários jogos no decorrer desta temporada ao nível de equipas. É uma equipa com outro tipo de estofo e outro tipo de dimensão, uma equipa de técnica da força, mas com a cultura tática, até porque são jogadores que trabalham naquilo que é a Premier League e que têm dimensão num jogo altamente competitivo. Mas aquilo que de facto deixou na retina foi a boa combinação entre Félix e Ronaldo naquilo que é o jogo, a qualidade de João Félix, que é um jogador que vai marcar muitos pontos nesta seleção, e Nuno Mendes.
Jorge Jesus disse inclusive que mesmo quando já não está a produzir muito e quando aparentemente é momento de o tirar, que vai deixar João Félix, porque ele a qualquer momento pode, e passo a citar: "Inventar qualquer coisa."
Intempestividade no futebol, que é fantástico. E a verdade é outra coisa. É verdade o que ele disse. Ele teve uma pequena quebra, principalmente quando o Ronaldo sai. Ele não se entendeu tão bem com o Gonçalo Ramos, há que articular situações com o Gonçalo e com outro jogador que seja colocado na posição. Mas há uma coisa que ele faz E não fazia. Defende. Sabes o que é? Cumpre ordens do treinador. Estar um ano com ele, aprendeu, porque é assim hoje em dia. Qual é a principal crítica que se faz a um grande jogador que é Mbappé? Não defende. E essa é a grande crítica. Basta ler, ouvir treinadores, todos falar.
Luiz Enrique, aliás, a maneira como falou de Mbappé.
Não, tem Arsène Wenger, há três, quatro dias atrás, quando o Real Madrid perde com o Atlético de Madrid, há uma expulsão de um jogador do Real Madrid, que é o central Alisson. E Arsène Wenger estava à noite entrevistado num canal espanhol a dizer: "Mbappé não ajudou ao esforço dos outros jogadores." Quando a equipe fica com 10, o esforço dos 11 tem que ser dividido pelos 10. Naquele jogo, o esforço dos 11 foi dividido por nove. Mbappé não esteve lá.
Não me parece que com o Jorge Jesus possa haver uma postura dessa natureza.
Não. E a verdade é que João Félix vai crescer nesse sentido. E a montra principal não é a Arábia Saudita, a montra principal é a seleção nacional. Portanto, se Félix mantiver esta cultura, esta competitividade e este entendimento.
Ainda vai ser feliz.
Ainda vamos ouvir falar dele. Quanto ao Nuno Mendes, fantástico. É um jogador de grande e enormíssimo perfil. Aguardemos por aquilo que a Noruega nos vai trazer.
Sim, à parte o bacalhau, que esse pode continuar a vir independente do resultado.
Sim, nós aqui gostamos, há mil maneiras de o fazer. Mas vamos aguardar que, de facto, Portugal cresça e não tenhamos pressa.
Um abraço, Gabriel Alves. Está feito e entregue o relatório de jogo deste Portugal 1, País de Gales 0.
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