As vitórias e derrotas de Moedas na pressão ao Governo

A ideia de que este choque de posições à frente das câmaras entre executivos do PSD revela um clima de tensão entre as partes é rejeitada entre sociais-democratas na capital. O presidente da concelhia do PSD/Lisboa nega que esteja em causa uma “lógica confrontacional” do presidente da Câmara com o Governo e lembra que foi Bruxelas que impôs esta solução.
Por outro lado, Ricardo Mexia deixa claro, em declarações ao Observador, que não acompanha a exigência de acabar com o sistema Volta, apesar de concordar que este “veio acrescentar mais uma camada de dificuldade” ao problema da higiene urbana. “Tem de se encontrar uma solução que permita acautelar as dificuldades e que tenha simultaneamente em conta aquilo que é uma orientação nacional”, defende o presidente da junta de freguesia do Lumiar. Ainda assim, Mexia não acredita que o pedido de Moedas ao Governo tenha sido feito numa lógica de “aproveitamento político” ou utilizar o Volta como “bode expiatório” para um problema que tarda a ser resolvido em Lisboa, a higiene urbana.
Um outro dirigente local do PSD explica ao Observador que a pressão popular que Moedas encontra todos os dias pode explicar a sua exigência. “É normal que um presidente de câmara sinta a transpiração, enquanto o Governo tem de olhar para o problema como um todo”, defende. Entre as estruturas sociais-democratas em Lisboa, não se censura a posição assumida por Moedas neste caso, por ser reflexo de uma postura “reivindicativa” própria dos autarcas.
Além disso, sublinha-se que o eleitorado não vai valorizar um autarca nas urnas por estar alinhado com o Governo, ou seja, que os votos nas autárquicas estão desligados das legislativas. Exemplo: António Costa ganhou uma maioria absoluta um ano depois de Moedas ter reconquistado a Câmara de Lisboa para o PSD, após 14 anos de governação socialista. “Acho que há muita tática. Daí a que haja um conflito institucional…”, resume o mesmo social-democrata.
Segurança e descentralização
Esta não é a primeira vez que Moedas torna públicas as suas divergências políticas com membros do Governo. O exemplo mais evidente disso tem sido as divergências — principalmente no tom mas também no conteúdo — com o ministro da Administração Interna em matéria de segurança. A pressão de Moedas junto de Montenegro levou o primeiro-ministro a anunciar em maio um aumento de 200 agentes da PSP na área metropolitana de Lisboa. Porém, o autarca não se satisfez com o anúncio e em final de agosto disse que “chegou a hora” de o Governo cumprir a sua promessa.
O gabinete de Luís Neves disse então ao Observador que o reforço policial “já estava a acontecer” em Lisboa e acrescentou que a resposta à insegurança “não depende apenas de uma medida” — leia-se, dos novos 200 agentes da PSP. Apesar das declarações dissonantes, Moedas rejeitou a ideia de que estaria em conflito com o Governo. “Eu não estou em guerra nem com o Governo, nem com nenhum ministro, a minha guerra é a segurança em Lisboa. Em 2010, tinha 8 mil polícias, hoje tem menos de 6 mil. Não nos faltam 200 polícias, faltam 2 mil polícias”, disse na Universidade de Verão do PSD, dias depois de reunir com Luís Neves.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.