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Saturday, September 26, 2026

Dave Mustaine explica por que decidiu encerrar o Megadeth: ‘Vivo cada dia como se fosse o último’

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Durante lançamento de sua autobiografia em Nova York, líder do Megadeth falou abertamente sobre o futuro da banda e revelou problema na mão

Rolling Stone

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Dave Mustaine explica por que decidiu encerrar o Megadeth 'Vivo cada dia como se fosse o último' (Alison BuckGetty Images for The Recording Academy)

Dave Mustaine mostrou fisicamente aos fãs a razão pela qual o Megadeth está encerrando as atividades durante um evento de lançamento de sua recém-publicada autobiografia, In My Darkest Hour, realizado em Nova York no início deste mês.

Quando Kory Grow, redator sênior da Rolling Stone e mediador da conversa, perguntou se os fãs deveriam acreditar quando Mustaine diz que sua banda está realmente chegando ao fim, o músico levantou a mão esquerda para que o público pudesse vê-la.

“Tenho uma lesão na mão”, mostrou às cerca de 200 pessoas presentes no Kaufman Music Center, em Nova York. “Alguns de vocês conseguem ver. Tenho o que é chamado de contratura de Dupuytren. No centro da minha mão, os tendões cresceram juntos e estão puxando meu dedo para baixo. Então, tenho a opção de, em algum momento, fazer uma cirurgia, e pensei que faria esta turnê e a divulgação deste disco e, nesse momento, veremos como estará a tecnologia. […] Eu penso: ‘Eu conseguiria continuar se apenas cantasse?’. Eu não gostaria de fazer isso. Eu gostaria de tocar guitarra, porque esse é o meu amor.”

Em agosto de 2025, Mustaine anunciou que o veterano grupo de thrash metal se aposentaria em algum momento após o lançamento de Megadeth. “Se alguma vez houve um momento perfeito para fazer uma turnê pelo mundo, é agora”, escreveu na ocasião. “Este também é o momento perfeito para dizermos a vocês que este é o nosso último álbum de estúdio.”

Quando chegou ao mercado, em janeiro deste ano, o disco estreou no primeiro lugar da Billboard 200. Questionado no lançamento do livro sobre como se sentiu com a conquista, Mustaine colocou o microfone próximo à virilha, inclinou-o para cima e brincou: “Boiiiing”, arrancando risadas do público. “É uma sensação ótima”, completou.

Durante o evento, Mustaine também afirmou não ter interesse em gravar um álbum solo de Dave Mustaine, porque, para ele, isso seria simplesmente outro disco do Megadeth.

Segundo o músico, a turnê final da banda tem sido agridoce até agora. “Há momentos em que pegamos as escadas nos bastidores e, subindo as escadas […] eu digo: ‘O palco é seu’, e subo lá e faço o meu trabalho”, contou.

Ao longo da conversa, Mustaine ainda deu a entender que gravações da turnê poderão servir de base para um futuro álbum ao vivo. “Se quiséssemos, digamos, ter algumas gravações ao vivo nossas tocando músicas para o futuro, talvez fosse uma boa ideia gravar um monte de faixas diferentes ao vivo”, explicou. “Mas, sim, vamos nos divertir fazendo isso, independentemente do que formos fazer.”

O Megadeth também poderá lançar novas gravações de estúdio no futuro. “Há pedaços e partes e pequenas coisas assim”, revelou. “Há algumas músicas completas do último álbum com James [LoMenzo, baixo], Teemu [Mäntysaari, guitarra] e Dirk [Verbeuren, bateria] que ainda não lançamos. Mas acho que elas deveriam ser faixas bônus para a gravadora ou algo assim. […] Pode haver uma música ou alguma coisa, mas não sei.”

Mustaine também revelou que outro livro que havia escrito, detalhando as histórias por trás de todas as músicas compostas por ele, acabou se perdendo após o fechamento de uma gravadora.

“Esse livro foi escrito e entregue à Sanctuary Records muitos, muitos anos atrás, e a Sanctuary faliu”, contou. “Era um livro chamado Score, e cobria os primeiros 20 anos das músicas do Megadeth. Eles devolveram o livro e eu não sei o que aconteceu com ele. […] Só não sei se quero escrever outro livro agora.”

Questionado sobre como seria o “plano de aposentadoria de Dave Mustaine”, o músico afirmou que gostaria de continuar envolvido com música de alguma maneira, “seja algo tão simples quanto ouvi-la ou fazê-la”. Mustaine também disse esperar que avanços tecnológicos possam ajudá-lo a recuperar a mão.

Em outro momento da conversa de cerca de uma hora, Mustaine falou sobre o diagnóstico de câncer na língua, como enfrentou a doença e o que aprendeu com a batalha — experiência que serve de base para In My Darkest Hour. O músico relembrou desde o momento em que ouviu de um médico, de maneira que considerou grosseira, que estava com “o grande C” até como a disciplina adquirida por meio das artes marciais o ajudou durante o tratamento.

“Levantar de manhã é uma escolha para todos nós, assim como o que vamos fazer com aquele dia”, afirmou. “Especialmente quando você sabe que tem apenas uma determinada quantidade de dias restantes. É importante usar esses dias com sabedoria. Para mim, tento viver cada dia como se fosse o último, porque não sei quando ele será, e quero ter certeza de que seja um bom dia para todos ao meu redor, minha família, meus amigos.”

Quando perguntado sobre o que lhe dá esperança, Mustaine resumiu sua atual maneira de encarar a vida.

“Sei que só preciso continuar vivendo a vida”, disse. “Tenho vivido a vida, tentando sempre fazer a coisa certa porque é a coisa certa a fazer. Estou ansioso pelo que quer que esteja reservado para mim, as turnês, tocar, a música nova, se houver alguma, os momentos que podemos compartilhar fazendo coisas como esta. […] Nós simplesmente gostamos de fazer coisas legais. Não quero ser uma dessas pessoas que rastejam para dentro de uma caverna e morrem. Quero viver intensamente e quero tocar intensamente.”

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