Após quatro décadas no setor de energia, executivo explica por que decidiu estudar IA
A carreira de Reginaldo Vinha foi construída em um setor marcado por mudanças tecnológicas e regulatórias: o de geração de energia. Engenheiro mecânico, ele começou a trajetória profissional na área de energia e utilidades e, desde 2000, é sócio-diretor da Servitec Energia.
Antes de empreender, Vinha passou cerca de uma década em uma empresa do setor, onde teve uma ascensão rápida e chegou a liderar mais de mil funcionários. A mudança para o empreendedorismo aconteceu quando percebeu que seguir avançando na estrutura corporativa exigiria uma atuação mais política, o que não o agradou.
A alternativa encontrada foi empreender em uma área que ainda dava os primeiros passos no Brasil: a eficiência energética. Vinha criou uma empresa especializada no segmento e permaneceu cerca de dez anos nesse mercado. Também participou da criação da Abesco, associação da qual foi o primeiro presidente.
Da eficiência energética à geração de energia
A entrada na geração de energia ocorreu posteriormente, quando Vinha foi convidado a participar da expansão de uma empresa originalmente ligada ao setor de ar-condicionado.
A estratégia inicial era levar aos clientes uma solução completa, com investimento, equipamentos, operação, manutenção e geração de energia em contratos de longo prazo. A oportunidade ganhou escala durante a crise de energia de 2001.
Naquele momento, a empresa participou de um programa emergencial de geração e conquistou um contrato de 120 megawatts. O projeto envolveu a construção de sete pequenas usinas no Ceará em 90 dias.
Depois, uma nova crise de abastecimento levou a empresa ao Amazonas, onde foi firmado outro contrato, desta vez com duração de 15 anos.
A trajetória continuou acompanhando novas tecnologias e oportunidades do setor. A empresa participou do início da expansão da energia eólica no Brasil e, nos últimos anos, também passou a atuar em projetos de geração solar.
Por que um executivo de energia decidiu estudar IA
A relação de Vinha com tecnologia não começou com a inteligência artificial. Ao longo da carreira, ele acompanhou mudanças que transformaram o setor e a própria forma de trabalhar, da chegada dos computadores à expansão da internet e da telefonia celular.
Quando a inteligência artificial ganhou espaço, o executivo começou, como muitos profissionais, experimentando as ferramentas disponíveis. O uso inicial, porém, trouxe uma questão mais estratégica: como aplicar a tecnologia aos negócios?
“Como é que se utiliza essa inovação no negócio? Qual a fórmula para começar a implementar?”
Foi justamente para responder a esse tipo de questão que Vinha decidiu buscar uma formação específica. Ele cursou o PIACC, programa de inteligência artificial da Saint Paul voltado a profissionais em posições de liderança.
Segundo o executivo, a decisão veio da necessidade de compreender melhor uma tecnologia que poderia afetar diretamente os negócios. “Eu comecei a entender que eu tinha que me preparar melhor para esse novo cenário.”
Vinha afirma que o programa ajudou a ampliar sua compreensão sobre a tecnologia, seus usos e os desafios de implementação. “O que eu queria era enxergar melhor a tecnologia, as dificuldades, os seus usos. E o programa me trouxe essa visão.”
O conhecimento do PIACC na atuação em conselhos
A formação não ficou restrita ao conhecimento teórico. Vinha afirma que passou a utilizar o que aprendeu no PIACC em sua atuação profissional e, principalmente, nas discussões que mantém como conselheiro de empresas de geração de energia.
Segundo ele, uma das questões centrais é entender como estruturar um programa de IA, quais caminhos seguir e quais dificuldades podem surgir durante a implementação.
“Eu tenho defendido que devemos implantar um programa de inteligência artificial bem articulado.”
O executivo também identifica resistência e desinformação como obstáculos para a adoção da tecnologia nas organizações. Nesse contexto, o conhecimento adquirido no programa passou a servir como base para suas discussões com conselhos e empresas.
O desafio da IA na indústria
Na avaliação de Vinha, o potencial da inteligência artificial na indústria e na geração de energia ainda depende de uma etapa anterior: organizar os dados.
Empresas podem ter grandes volumes de informações, mas isso não significa que estejam preparadas para aplicações de IA. Os dados podem estar desestruturados, sem sincronização ou sem uma governança adequada.
Na geração de energia, o volume potencial de informações é significativo. Uma usina pode gerar dados continuamente, permitindo acompanhar indicadores relacionados a eficiência, custos, manutenção e disponibilidade.
Para Vinha, esse cenário mostra uma diferença entre utilizar IA apenas para aumentar a produtividade de determinadas tarefas e aplicá-la para analisar processos e identificar tendências.
A trajetória do executivo reúne diferentes momentos de transformação tecnológica no setor de energia. Da engenharia ao empreendedorismo e, posteriormente, à atuação em conselhos, o estudo da inteligência artificial passou a integrar sua preparação profissional para discutir como a tecnologia pode ser incorporada às decisões e aos negócios.
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