Como sucesso de vacinas reduz percepção do risco de doenças
Depois de décadas de vacinação, o Brasil recebeu, em 2016, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a certificação de eliminação do sarampo. Naquele ano e em 2017, não houve casos confirmados no país.
A conquista, porém, não significava que o vírus havia desaparecido. A partir de 2018, o sarampo voltou a circular no Brasil, em um cenário associado à entrada de casos importados e à redução da cobertura vacinal. Em 2019, depois de mais de 12 meses de transmissão contínua, o país perdeu a certificação de eliminação da doença.
Entre 2018 e 2022, foram registrados mais de 39,8 mil casos de sarampo no país, com o maior número em 2019, com 21,7 mil registros. Depois disso, os números caíram de maneira acentuada: foram 41 casos em 2022 e nenhum caso confirmado em 2023. Em 2024, cinco casos foram registrados. Já em 2025, a situação mudou e foram 38 e neste ano já são 24 casos confirmados.
Paralelamente a vacinação contra o sarampo teve queda. Dados do Ministério da Saúde mostram que em 2015 e 2016, mais de 95% da população tomou ao menos a primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. No entanto, no ano seguinte esse número caiu para 86% e atingiu o menor patamar em 2020, com 80% da população vacinada.
"É necessário esclarecer e explicar à sociedade de forma clara que enquanto existir o agente infeccioso causador da doença no mundo é necessário continuar a vacinar para manter a proteção imunológica alta da população, de tal forma a prevenir a doença. A queda da cobertura vacinal determina aumento da população não protegida e, portanto, suscetível a se infectar, adoecer ou mesmo morrer”, enfatiza Akira Homma, assessor científico sênior do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos - Bio-Manguinhos/Fiocruz.
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