Lula fala em 'briguinha' com Congresso por tarifa zero para transporte com financiamento por emendas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (19) que a PEC (proposta de emenda à Constituição) que enviará ao Congresso Nacional propondo transporte público gratuito aos finais de semana pode gerar "briguinha" com o Legislativo, mas que os parlamentares vão acabar cedendo.
A proposta de Lula é que os custos para implementar a tarifa zero sejam arcados com emendas parlamentares, verba repassada por deputados e senadores a seus estados.
"Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional, mas isso faz parte da democracia. Todo deputado vai querer fazer uma concessão das suas emendas para permitir que seus eleitores possam passear no fim de semana e visitar parente. Eu sinceramente acho que não vai ter problema", disse em entrevista ao SBT.
De acordo com o presidente, o transporte gratuito será um complemento para que o trabalhador desfrute devidamente dos dois dias de descanso garantidos com a aprovação da nova jornada de trabalho pelo Senado.
Aliados do presidente já sugeriam que a tarifa zero fosse colocada entre as pautas prioritárias da agenda de campanha. A proposta acabou sendo anunciada a cerca de uma semana do segundo turno, se somando a outras ações lançadas pelo presidente às vésperas da votação decisiva.
Somente ao longo da última semana, ele anunciou a ampliação do Pé-de-Meia Universitário e propôs o perdão a dívidas dos MEI (microempreendedores individuais).
Questionado sobre o porquê de as ações terem ficado apenas para o final da corrida eleitoral, Lula disse que não iria deixar a população sem as medidas para evitar impressão eleitoreira.
"A gente tem eleições, mas tem dois meses pela frente [até o fim do ano] e eu não vou deixar de dar um benefício que eu posso dar porque tem eleição", disse.
"Tudo que está sendo aprovado está nas possibilidades fiscais do Orçamento. Estamos entregando um Orçamento com superávit primário. Não sei de onde você tirou essa ideia de que é uma bomba que vai estourar. Não é", declarou.
"Estamos gastando aquilo que sabemos que é possível fazer e vamos fazer. E vamos continuar tratando com muita responsabilidade."
Outra ação do pacote de bondades de Lula das últimas semanas foi o reajuste do Bolsa Família. Em sabatina à Globo, o presidente disse que o reajuste só foi feito a essa altura do mandato porque não sabia que o valor atual estava defasado.
"O pessoal da área econômica achou que, portanto, não precisava dar um outro aumento no ano seguinte, mas, na medida que apareceu um espaço fiscal, eles me procuraram. Eu fiquei muito nervoso, porque reposição de inflação é obrigação em qualquer lugar do mundo. Não pode deixar de ter e colocamos", disse.
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