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Monday, September 21, 2026

Em Portugal, pagar IRS já é um sinal exterior de riqueza

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

As escolhas de Miguel Pinheiro todas as manhãs na Rádio Observador, para hoje mais uma edição de "O Bom, o Mau e o Vilão". Muito bom dia, Miguel. Bem-vindo.

Bom dia.

Quem é o bom desta segunda-feira? Começamos bem a semana?

Começamos bem. O bom é António Costa. Esta semana, Mário Centeno publica um livro de memórias sobre os seus anos no governo e faz algumas revelações. Há uma que me pareceu especialmente interessante. Ele diz-nos que depois das eleições legislativas de 2019, foi procurar o primeiro-ministro para lhe fazer uma proposta. Ele, Mário Centeno, deixaria o Ministério das Finanças e ficaria no governo como ministro do Estado, com aquilo que descreve como um papel transversal que, entre outras coisas, lhe permitiria, vou citar: "Olhar para a área da saúde e promover mudanças na interação entre o financiamento do setor e a sua gestão." E segundo o próprio Centeno, António Costa simplesmente ignorou esta proposta. Ignorou, nem sequer voltou ao assunto, limitou-se a mantê-lo nas finanças. E como é óbvio, António Costa teve toda a razão. Parece-me que ao fim destes anos todos, Mário Centeno ainda não percebeu o que aconteceu. O que aconteceu é que Centeno o que realmente queria era ser vice-primeiro-ministro e António Costa mostrou-lhe que não estava disponível para partilhar o poder. Acho que é tão simples de perceber, mas Mário Centeno ainda não digeriu bem isto.

Mas não foi a forma mais elegante de António Costa lhe dizer isso, não é? Que é não lhe dizendo nada e basicamente ele só soube quando viu a lista do governo.

Eu percebo, Paulo, mas a dada altura também é preciso ter uma grande dose de lata. Portanto, Mário Centeno queria ficar ali como ministro de Estado e repare-se, ele tinha poderes transversais. Eu imagino que a saúde seja apenas um exemplo, senão seria ministro da Saúde. Vou dar uma interpretação benigna. António Costa não quis ser desagradável e então a maneira de não ser desagradável era não voltar ao assunto. Estou a imaginar.

Sim, e ignorar o assunto.

E o mau de hoje, Miguel, quem é? Quer fixar preços, não é?

O PCP quer fixar preços. Paulo Raimundo defendeu este fim de semana a receita de sempre, que é a receita do PCP para tudo: fixar preços. O líder do PCP já tinha defendido a fixação dos preços dos produtos do cabaz alimentar essencial e agora insistiu que é preciso fixar os preços dos combustíveis. Para os comunistas, nós só temos um aumento do custo de vida, não é por causa de mais nada, é por causa dos grandes grupos económicos portugueses, é por causa da Galp portuguesa, é por causa da banca portuguesa e é por causa das grandes empresas de distribuição portuguesas. E eu vou citá-lo. Ele diz que é preciso fixar os preços, regular os preços e beliscar aquilo que são os lucros dos grandes grupos económicos. Há dias o PCP tinha apresentado um projeto de lei precisamente para fixar uma série de preços e propunha a criação daquilo a que chamou uma unidade de execução e fiscalização. Nós íamos, portanto, ter uma nova polícia, a polícia dos preços fixos. E o mundo muda, mas as soluções do PCP são sempre as mesmas. Nós já ouvimos estas coisas em algum lado.

Até em Cuba já chegaram à conclusão que isto não funciona. Pode ser.

Paulo, não me fales de pessoas contrarrevolucionárias.

Exato.

Contra revolucionários, não, Paulo, por amor a Deus.

Miguel, vamos ao vilão de hoje?

É José Luís Carneiro. O líder do PS continuou este fim de semana a criticar as medidas tomadas pelo governo contra o custo de vida e fez muito bem, atenção, esse é o papel de quem faz oposição, como é óbvio. Parece-me que só há dois problemas. O primeiro é que José Luís Carneiro continua a dizer que exige a redução do IVA dos combustíveis, quando já admitiu que isso é impossível, porque vai contra as políticas da União Europeia, mas ele insiste que quer a redução do IVA dos combustíveis. O segundo problema é que o líder do PS critica cada descida do IRS com o argumento de que dois milhões de portugueses não pagam esse imposto porque têm salários muito baixos e que, portanto, não são abrangidos por qualquer redução do IRS. E chegamos a um novo patamar de pobreza enquanto país. Para o PS, pagar IRS já é um sinal exterior de riqueza. Quem paga IRS são os privilegiados e quem reduz o IRS está apenas a querer ajudar os ricos, porque quem paga IRS é rico. Paulo, tu há bocado falaste em Cuba, foi?

Sim, lembrei-me sim, por acaso. Certo. Não tem nada a ver.

Cuba. Nada.

Lá devem ser poucos que pagam IRS.

Pois, exato. É capaz de ser isso. E que bem que aquilo está resolvido, já viste.

Miguel Pinheiro com o bom, o mau e o vilão desta segunda-feira. O bom é António Costa, o mau o PCP, o vilão José Luís Carneiro. Amanhã as novas escolhas do Miguel pelas 08h20. Até amanhã, Miguel.

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