As notícias das 00h
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Meia-noite. As notícias com Martim Madeira.
Boa noite. Vamos começar este jornal da meia-noite com as manifestações em Lisboa e no Porto, duas cidades que já têm as tendas montadas. Vamos começar por Lisboa. Uma manifestação que começou no Marquês às 15h e já chegaram ao destino final, à Praça Dom Pedro IV, no Rossio. É lá que está o jornalista do Observador, David Biléu. David, boa noite. Estava agendado para as 22h uma reunião para decidir como os manifestantes vão reagir à entrada das forças de segurança no recinto. Entretanto, já se passaram duas horas. Já se sabe alguma coisa?
Neste momento, Martim, ainda aguardamos aqui informações sobre qual vai ser a reação destes manifestantes à intervenção da PSP. Isto porque, de facto, houve uma assembleia popular às 22h, mas não ficou muita coisa decidida. Passou agora para uma nova reunião às 23h30, que ainda decorre. Portanto, os manifestantes, neste momento, estão a decidir como vão reagir a esta intervenção. Isto porque a PSP já deixou a garantia de que, à 00h30, vai exigir que estes manifestantes retirem as tendas aqui da Praça do Rossio. Os manifestantes poderão continuar pela noite, em pé, mas não podem acampar pela noite. Na assembleia popular que houve nas 22h, ouvimos vários apelos por parte das pessoas da organização para que as pessoas mantivessem a calma com esta intervenção, avisando que a polícia vai ter primeiro que fazer um aviso prévio. Portanto, neste momento, Martim, ainda não temos muita informação, temos apenas aqui o número apontado pela organização de 130 tendas e de 300 campistas, que pode, entretanto, ter aumentado, mas ainda aguardamos informações sobre qual vai ser a reação dos manifestantes, Martim.
Jornalista David Biléu, em direto do Rossio, a dar-nos conta desta manifestação e de que podem entrar as forças policiais à 00h30. Ainda está por tomar uma decisão sobre quais vão ser os procedimentos no Rossio, relativamente à entrada das forças de segurança. Vamos também agora passar pelo Porto, onde também há uma manifestação na Praça Dom João I. É lá que está o jornalista do Observador, Miguel Pinheiro Correia. Boa noite, Miguel. Estávamos a falar com o David há pouco, que está em Lisboa, sobre as medidas a tomar numa possível intervenção policial. E aí no Porto, também há decisões tomadas ou por tomar?
Ao contrário, Martim, do que era relatado pelo David, em Lisboa, aqui não houve propriamente uma reunião a explicar o que é que deveriam fazer esses manifestantes se a polícia atuar e se houver essa atuação que se espera da polícia, mas na assembleia popular que decorreu esta noite, houve essa indicação, surgiu essa indicação, explicações para os manifestantes perceberem como devem atuar, o que devem fazer, como devem organizar esse cordão de segurança, se a polícia chegar aqui à praça e pedir que sejam retiradas as tendas, ou se houver mesmo uma ação mais presente, mais musculada da polícia. E a mensagem principal é de que essa reação deve ser pacífica e, em primeiro lugar, deve estar sempre assegurada a segurança dos manifestantes. Foi essa a mensagem que se passou na assembleia popular que acabou aqui há instantes. Entretanto, a praça continua cheia, ainda com muitas pessoas a preencher a Praça Dom João I, com algumas pessoas em convívio, algumas danças, é isso que temos reparado nos últimos momentos, já com 50 tendas montadas e algum movimento aqui junto de estruturas, tanto do posto médico como uma cantina aqui montada. E depois de um longo dia, que começou com uma manifestação na Praça da Batalha e que Pedro Manuel, um dos porta-vozes deste movimento, descreveu como um dia cheio e que trouxe muitas pessoas a este movimento.
Nós temos aqui mais do que suficientes tendas, cobertores, colchões, sacos-cama, para receber todos estes que, dia após dia, juntam-se a nós, justamente, acredito, por mais pessoas perceberem que esta é uma luta de todos, que é uma luta importante, que é uma luta necessária. Hoje foi um dia lindo, tivemos uma manifestação que também foi a maior de todas estas ondas de protesto até agora, a maior assembleia.
E essa assembleia, como eu dizia, além dessas questões de segurança sobre como devem atuar se a polícia aparecer aqui, surgiu também essa decisão de que vão pernoitar, mas foi uma decisão um bocado acidentada, porque primeiro votou-se essa pernoita aqui na Praça Dom João I, poucas pessoas levantaram o braço e, entretanto, pouco depois, depois de alguns discursos a apelar a essa presença na praça, votaram outra vez e aí já mais pessoas decidiram que querem dormir e por isso montaram as tendas, mas, como dava conta também este porta-voz, Pedro Manuel, a decisão da organização já era de que deveriam pernoitar aqui na praça.
A questão, se íamos ficar ou não, sempre foi ponto assente de que ficaríamos. Era só uma questão apenas de quantos e como. E estamos cá, somos muitos e temos tendas e a luta continua.
Esta promessa de que a luta vai continuar, com já 50 tendas montadas. A expectativa é de que, entretanto, a polícia também comece a pedir esta desmobilização. Estaremos aqui a acompanhar como será esse diálogo entre manifestantes e polícia e esses manifestantes que prometem, como ouvimos aqui, que a luta vai continuar.
Jornalista Miguel Pinheiro Correia, em direto da Praça Dom João I, do Porto, a dar aqui conta de que a polícia pode mesmo intervir na praça a partir da meia-noite e meia, a hora em que passa a ser desobediência civil e que pode mesmo retirar as tendas. Essa decisão também foi tomada por parte da Assembleia Popular do Porto, de que vão pernoitar na praça e que também vão ver o que vão fazer relativamente à entrada da polícia para a retirada das tendas. O líder do Partido Socialista diz que está em solidariedade com os manifestantes e José Luís Carneiro critica o silêncio do primeiro-ministro. O secretário-geral do PS falava aos jornalistas em Coimbra. Carneiro diz que Luís Montenegro devia dar a cara ao país.
Aquilo que eu tenho ouvido desses manifestantes é que, fundamentalmente, querem que o primeiro-ministro meta na gaveta a nova lei das rendas, porque as pessoas perceberam, como qualquer pessoa percebe que olhe para aquela lei, que esta é uma lei que vai facilitar os despejos. É incompreensível, sobretudo o silêncio do primeiro-ministro. Era muito importante que o primeiro-ministro aparecesse ao país, dar a cara, explicar quais são os seus objetivos para responder à crise da habitação.
São as declarações de José Luís Carneiro à boleia da RTP. O líder dos socialistas rejeitou também responsabilidades dos anteriores governos do PS no setor da habitação e do arrendamento. Não houve só protestos em Lisboa e no Porto. As manifestações estiveram um pouco espalhadas por todo o país. Cerca de duas centenas de pessoas em Coimbra, na Praça 8 de Maio, pedem que a nova lei do arrendamento não avance. Além da concentração, está ainda agendada para hoje uma assembleia popular organizada pela Plataforma Habitação Coimbra, uma assembleia que já foi realizada. Já em Faro, cerca de uma centena de pessoas desceram à Avenida 5 de Outubro. Os manifestantes estiveram na Praça da Liberdade para realizar uma acampada e também uma assembleia popular, à semelhança do que tem acontecido por todo o país. Também em Évora foi realizada uma manifestação com cerca de 50 pessoas, que atraiu vários turistas. E as manifestações estão a surgir em toda a Europa. Na Catalunha, em Barcelona, os manifestantes partiram lojas e vandalizaram a cidade. São atos de vandalismo que resultaram em 100 detidos, 27 desses detidos a serem menores de idade, é o que indica o jornal "El Confidencial". Os distúrbios tomaram conta da Plaça Catalunya. Por causa desta violência das manifestações, várias pessoas ficaram presas dentro de uma loja do El Corte Inglés de Barcelona, depois da loja fechar por razões de segurança. Entretanto, o presidente da Generalidade da Catalunha, Salvador Illa i Roca, condenou os atos de violência nas redes sociais. Afirma que protestar é um direito democrático, mas que cometer atos de agressão, intimidação ou destruição, não é. E em França, quase mil pessoas foram detidas hoje nas manifestações. Um número adiantado pelo governo francês, o ministro do Interior, Laurent Nunez, acusou grupos de extrema-esquerda de procurarem confrontos com a polícia no final da manifestação em Paris e de estarem também a saquear lojas. De acordo com o governante, foram cerca de 500 pessoas. As forças de segurança tiveram de recorrer a canhões de água, a bombas de gás lacrimogéneo, para responder aos ataques dos manifestantes, que, segundo a Polícia de Paris, já foram dispersos. Durante a tarde, mais de 400 mil pessoas saíram às ruas da capital francesa, não tendo havido incidente de maior a registrar até ao final da marcha. Para além disso, o jogo do Paris Saint-Germain frente ao Lyon, no Parque dos Príncipes, em Paris, foi adiado por razões de segurança. E noutra cidade francesa, em Nantes, foi imposto um recolher obrigatório para os jovens. Ainda falamos da Europa, falamos de Itália, nove pessoas foram detidas e 371 foram levadas para a esquadra, sendo que 110 desses mais de 300 levados pela polícia são menores de idade. São informações do Departamento de Segurança Pública de Itália. Em Milão, 10 mil pessoas saíram à rua. Já em Roma, os protestos foram um pouquinho mais acesos do que os de Milão, que foram mais pacíficos, com jovens a invadirem o Coliseu de Roma, depois a serem retirados pela polícia e também pelas seguranças do histórico Coliseu. Falamos agora do desporto. O Futebol Clube do Porto venceu hoje o Gil Vicente por 1 x 0. Soma assim a nona vitória em nove jogos na liga, a primeira vez desde que as vitórias valem três pontos, portanto, está aqui um recorde estabelecido. Os azul e brancos vinham de dois jogos seguidos a perder para a Liga dos Campeões e o gol do Borja Sáenz, na segunda parte, evitou agravar a tal crise que se fala muito do Futebol Clube do Porto. Francesco Farioli assume que era importante a vitória, ainda mais contra uma equipa difícil como o Gil Vicente.
"Foi muito importante ter uma boa reação após a derrota na Liga dos Campeões, com uma performance com muita atitude, mas acima de tudo, conseguir mais três pontos e chegar aos 27."
Declarações de Francesco Farioli depois da vitória do Futebol Clube do Porto em Barcelos por 1 x 0. Ainda dar conta que amanhã joga o Sporting, no domingo, às 20h30, frente ao Académico de Viseu, no Estádio José Alvalade, um jogo que vai ter relato e análise aqui na Rádio Observador. Notícia de fecho deste jornal da meia-noite. A noite informativa está terminada por agora, por aqui e, portanto, agora nos próximos espaços noticiários, será a jornalista Maria Miguel Marques a dar todas as notícias e toda a informação durante toda a madrugada. Tenha uma boa noite.
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