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Friday, October 30, 2026

Astrônomos descobrem possível planeta-anão, a 7,1 bilhões de quilômetros do Sol

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Em 2006, a União Astronômica Internacional (UAI) retirou de Plutão o status de planeta e o colocou em uma nova categoria: planeta-anão. Hoje, esse termo descreve corpos grandes o suficiente para serem arredondados, mas não para exercerem domínio gravitacional sobre outros objetos em suas órbitas.

Duas décadas depois, o Observatório Vera C. Rubin apresentou indícios daquele que pode ser o mais novo planeta-anão, a cerca de 7,1 bilhões de quilômetros do Sol.

"Esperamos que essa seja apenas a primeira de muitas descobertas", disse Mario Jurić, cientista-chefe do sistema solar no Observatório Rubin, durante uma entrevista coletiva concedida na última terça-feira (27), em uma reunião da divisão de ciências planetárias da UAI, em Spokane, no estado de Washington.

A descoberta não constitui, por si só, um argumento a favor ou contra a existência do Planeta Nove, um corpo de tamanho entre o da Terra e o de Netuno que, segundo alguns astrônomos, existiria ainda mais longe no Sistema Solar.

"Mas é uma prova de que temos capacidade para encontrar coisas e de que ainda há coisas incríveis a serem descobertas", disse Matthew Holman, astrofísico do Centro de Astrofísica, em Cambridge, Massachusetts.

Mesmo que se conclua que o Planeta Nove não existe, "é perfeitamente possível que haja por aí um objeto do tamanho de Marte, ou maior, que simplesmente ainda não tenha sido encontrado", afirmou.

Operado pela Fundação Nacional de Ciências e pelo Departamento de Energia americano, o Observatório Rubin varre repetidamente o céu noturno a partir do topo de uma montanha no Chile. Jurić disse que o observatório já descobriu em torno de 2.300 objetos além de Plutão. "Isso representa um aumento de cerca de 50% na população conhecida."

O mais recente, com a designação provisória de 2026 ED138, é o maior do grupo.

"Em certo sentido, não chega a ser uma grande surpresa", afirmou Holman. "Mas isso não significa que não seja empolgante."

De fato, simplesmente detectar o ED138 não exigiu um telescópio de ponta como o Rubin. "Na verdade, ele é brilhante o suficiente para que astrônomos amadores muito experientes consigam encontrá-lo com seus equipamentos", disse Holman.

Em cada imagem isolada, o ED138 parecia simplesmente uma estrela brilhante. Alguém que observasse imagens da mesma região do céu feitas em noites diferentes dificilmente perceberia que um dos pontos luminosos havia mudado de posição.

Mas um software de computador desenvolvido por Holman e seu colega Kevin Napier percebeu isso algumas semanas atrás, ao analisar imagens captadas pelo Rubin entre março e julho.

O software relacionou um ponto observado em uma noite a outros registrados em noites posteriores e concluiu que se tratava do mesmo objeto em movimento. O padrão dos pontos revelou a órbita do ED138, inclinada em quase 25 graus em relação às órbitas dos planetas. O brilho indicava que era um objeto bastante grande.

"Uma das coisas que você precisa fazer ao descobrir algo potencialmente desse tamanho é tentar verificar se é verdade", disse Holman.

Ao reconstituir a trajetória orbital no passado, a equipe descobriu que o mesmo ponto aparecia em imagens anteriores captadas por outros telescópios, confirmando a descoberta.

"Quando se sabe onde procurar, é fácil encontrar", afirmou Holman. "Mas, antes disso, é como procurar uma agulha no palheiro."

Com base no brilho, na distância e em suposições sobre a refletividade da superfície do ED138, os astrônomos puderam estimar seu tamanho. Se o ED138 for relativamente claro e brilhante, seu diâmetro pode ser de 595 quilômetros, estimou Holman. Se for escuro, pode chegar a 1.500 quilômetros.

Segundo a definição da UAI, um planeta-anão precisa ser grande o suficiente para que sua gravidade o tenha moldado em uma forma arredondada. No caso de corpos gelados como os do Sistema Solar exterior, os cientistas esperam que objetos com mais de 400 quilômetros de diâmetro provavelmente atendam a esse requisito. No entanto, o ED138 e outros candidatos a planeta-anão estão distantes demais para que seja possível confirmar seus formatos.

A entidade não acrescenta nenhum nome à lista de planetas-anões desde que nomeou os cinco primeiros, em 2006. São eles Ceres; Plutão; Éris, o mundo que levou ao rebaixamento de Plutão; e dois objetos além de Netuno, chamados Haumea e Makemake.

No limite superior das estimativas de tamanho, o ED138 rivalizaria com Haumea e Makemake. Tanto Plutão quanto Éris são consideravelmente maiores, com mais de 2.200 quilômetros de diâmetro.

No limite inferior das estimativas de tamanho, o ED138 ficaria por volta da 20ª posição entre os maiores planetas-anões e candidatos a planeta-anão.

Holman especulou que o ED138 tenha se formado originalmente mais perto do Sol, em algum ponto nas proximidades de Júpiter e Saturno, e depois tenha sido lançado para longe ao passar perto de um dos planetas gigantes.

Nos próximos anos, os astrônomos poderão aprender mais sobre o ED138 conforme outros instrumentos, como o Telescópio Espacial James Webb, da Nasa, permitam medições mais detalhadas.

Caso se confirme que o ED138 tenha uma lua —algo comum entre muitos desses objetos no Sistema Solar exterior—, o período orbital desse satélite permitiria medir a massa total dos dois corpos.

Os astrônomos também poderão obter mais informações com base no que não conseguirem observar. O ED138 atualmente atravessa uma região movimentada do céu, onde provavelmente passará diante de estrelas distantes da Via Láctea, bloqueando brevemente sua luz. Isso permitirá estimar com maior precisão o tamanho do ED138 e poderá até fornecer indícios sobre a existência de uma atmosfera.

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