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Monday, September 14, 2026

Mega-central solar Sophia encolhe um terço

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A redução da potência permitiu diminuir outros impactes pela forma como os painéis serão distribuídos no território, com uma diminuição da área de cada núcleo — o maior será de 50 hectares, o que equivale a 25 megawatts. Foi ampliada a distância face a áreas sensíveis, como o dormitório do abutre negro e povoações, e reduzido o impacte em terrenos ocupados por azinheiros, com a consequente redução do abate de árvores de grande dimensão. Segundo explicou Pedro Fernandes, diretor de planeamento ambiental da Lightsource BP, o eucalipto será a espécie mais afetada pelo projeto, mas trata-se de um povoamento em fim do ciclo de exploração.

Está prevista a manutenção de corredores ecológicos entre os painéis e programas de incentivo ao pastoreio e a instalação de cortinas arbóreas para reduzir o impacto visual. O número de árvores a plantar como medida de compensação foi revisto em alta para 39 mil, o que está muito acima do previsto na lei. E houve a preocupação de evitar áreas da rede natura, reserva agrícola nacional e habitats sensíveis, com a eliminação de uma zona de carvalho negral, bem como núcleos populacionais — Mata da Rainha no concelho do Fundão.

“O que vamos ganhar com isso?” Promotor propõe luz mais barata para locais e banco de ovelhas merinas

Este conjunto de alterações é “quase uma cocriação do projeto” nas palavras de Paulo Pinto, responsável pelas comunidades locais do promotor, e visa responder às principais preocupações manifestadas. Não só na consulta pública, mas também nos contactos no terreno com organizações locais, juntas de freguesia e população. Entre as queixas e receios estão os impactos no ambiente e na ocupação de solo agrícola e no aumento da temperatura — os responsáveis da Lightsource BP dizem que os estudos feitos não demonstram a existência de uma relação direta entre a presença de painéis fotovoltaicos e a subida da temperatura nesses locais. Mas uma das dúvidas mais recorrentes era — “o que vamos ganhar com isso?”

Esse é outro dos fios condutores da nova Sophia, que vem acompanhada de um pacote de 10 iniciativas de impacto local avaliadas em 20 milhões de euros (verba para os 40 anos de exploração do parque), além das compensações financeiras legalmente previstas para os municípios — 5,6 milhões de euros do Fundo Ambiental e 630 mil euros do promotor.

Entre os mais relevantes está um programa de luz partilhada que oferece aos habitantes e entidades das freguesias diretamente impactadas eletricidade mais barata proporcionada pela instalação de pequenos parques solares locais com baterias (para assegurar o fornecimento no período noturno). O programa orçado em um milhão de euros promete poupanças na fatura que começam em mais de 30% e podem chegar aos 45%.

A iniciativa mais avultada em valor — oito milhões de euros — é o fundo de investimento social local para financiar organizações e iniciativas locais. Há medidas mais ambiciosas, como um programa para incentivar o pastoreio e a produção de mel no espaço do parque solar, com especial atenção para uma espécie ovina da região que tem vindo a perder relevância — a ovelha de raça merina da Beira Baixa que produz um queijo premiado. Este plano, de 1,8 milhões de euros, está a ser trabalhado em parceria com um parceiro que já promove o pastoreio rotativo em parques no Alentejo, e passa pela criação de um banco de cabeças de merino com centros de maneio para mais de 500 animais e pastoreio no parque para 2.000 animais. E inclui incentivos para jovens agricultores.

A criação de um banco de energia para combater a pobreza energética, apoios aos bombeiros, promoção de empregos qualificados ligados à sustentabilidade e de programas turísticos fazem parte do pacote que inclui ainda um projeto para promover pontos de atração através do envolvimento de 25 jovens influencers.

O diretor-geral da Lightsource BP rejeita a ideia de que a empresa só está a pôr agora em cima da mesa estes benefícios para tentar ultrapassar a forte rejeição local. Miguel Lobo defende que a sua existência sempre esteve prevista, mas foi decidido antecipar o calendário da sua apresentação. Sublinha também que estes projetos “não fazem sentido para o território se não partilharmos os benefícios para quem lá vive”.

Construção não arranca antes de 2029

O promotor explica ainda que o redesenho da central que tanta oposição suscitou é mais um passo de um caminho que demora alguns anos até ao início da construção. Mesmo que agora o processo corra sem obstáculos, a central solar Sophia terá de passar por outras etapas antes de se iniciar a construção, que nesse pressuposto arrancaria em 2029 para iniciar a produção em 2031. E diz que vai manter o diálogo com as comunidades locais.

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