Análise: Bahia domina o Remo para engatar a quarta vitória seguida e voltar ao G-4 da Série A


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Os onze jogos sem derrota fazem o Bahia igualar sua segunda maior sequência invicta na história da Série A, alcançada na edição de 1976. Diante de tantas notícias boas, a parte ruim do jogo ficou na conta das muitas chances desperdiçadas pelo ataque tricolor, que criou para vencer por placar mais elástico.
No primeiro jogo depois da venda de Ramos Mingo, então titular absoluto desde o início de 2025, Rogério Ceni escolheu o destro Kanu para a vaga de zagueiro pela esquerda. Sem canhotos da função no elenco, o camisa 4 é quem mais está familiarizado com esse lado da dupla de defesa.
Kanu corta para o meio em Bahia x Remo — Foto: Catarina Brandão/EC Bahia
Só que o pé dominante de Kanu foi um problema para a saída de bola do Bahia nos primeiros minutos. O Remo explorou a fragilidade e fechava as linhas de passe para Nestor e Pulga, opções à esquerda, e o zagueiro, sem ângulo para abrir o jogo, ficava restrito aos passes de retorno para David Duarte ou tentativas de ruptura pelo meio.
Foi possível notar muitas conversas entre Kanu, Pulga e Nestor sobre o problema até que ele fosse resolvido. A alternativa - bem explorada pelo zagueiro, diga-se - foi a diagonal longa para inverter a jogada, em geral para Kike Olivera. Por outro lado, a estratégia fez com que o jogo do Bahia praticamente não passasse pelo lado esquerdo, e o time ficou desbalanceado.
Por falar em Kike Olivera, ele foi o principal responsável pelo gol que abriu o placar ao explorar justamente a característica que o fez reassumir a titularidade depois do imbróglio com o Nacional-URU. Em mais uma pressão na saída de bola adversária, o uruguaio roubou a bola de Tchamba, arrancou pela direita e fez bom passe para trás para Jean Lucas bater de primeira e marcar aos 20 minutos [assista abaixo].

Aos 19 min do 1º tempo - gol de dentro da área de Jean Lucas do Bahia contra o Remo
Neste cenário o Bahia construiu domínio com a bola no primeiro tempo, quase não cedeu chances e levou perigo principalmente a partir de Kike, que fez bons cruzamentos desperdiçados por Alejo e Pulga.
Jean Lucas comemora em Bahia x Remo — Foto: Walmir Cirne/AGIF
No segundo tempo, o meio de campo tricolor perdeu controle, e o jogo passou a ter mais transições. Embora Kike e Pulga tenham conseguido arrancar em velocidade, faltou capricho nas decisões ou nas finalizações. O resultado foi o crescimento dos paraenses, que finalizaram quase duas vezes mais que os baianos no segundo tempo.
Já nos minutos finais, houve tempo para Juba converter pênalti sofrido por Alejo e Vitor Bueno fazer o mesmo depois de Everton Ribeiro, de volta aos gramados depois de quase 50 dias, cometer falta dentro da área.
Juba comemora gol de pênalti em Bahia x Remo — Foto: Jhony Pinho / AGIF
No fim das contas, a vitória por vantagem mínima é justa porque o Bahia foi superior, mas deu chances ao azar ao desperdiçar oportunidades e dar margem ao crescimento do Remo. Por outro lado, a quarta vitória seguida e o retorno ao G-4 colocam o time dentro da zona de classificação direta para a fase de grupos da Libertadores e fazem a comemoração superar qualquer apreensão.
O próximo compromisso é o confronto direto com o Athletico na Arena da Baixada, marcado para as 19h30 (de Brasília) deste domingo. Os dois têm 46 pontos, e quem vencer fica com a terceira posição (o empate favorece os paranaenses porque têm uma vitória a mais).
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