Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência da República, desembarca nos EUA depois de fugir do Brasil

A viagem de Flávio Bolsonaro foi cercada de mistério. Os rumores da saída do Brasil começaram a circular desde terça-feira (27) de manhã, mas o senador só pousou nos Estados Unidos às 9h24 desta quarta-feira (28), no horário local – 10h24 em Brasília.
O jatinho particular da companhia aérea argentina Baires Fly pousou no Aeroporto Executivo Opa-locka, em Miami, no estado americano da Flórida. Foi lá que o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, votou no domingo (25) - apesar de viver no Texas, outro estado americano.
Ao desembarcar, Flávio Bolsonaro cumprimentou policiais e seguiu com a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as filhas do casal, de 11 e 14 anos, para o posto da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos. A família ficou lá dentro por cerca de 20 minutos, enquanto três pessoas colocavam as malas no carro que aguardava ainda na pista.
Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência da República, desembarca nos EUA depois de fugir do Brasil — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Em seguida, a família entrou no carro e deixou o aeroporto. O comboio com três veículos seguiu para a direção norte, contrária ao Centro de Miami. Logo depois, do outro lado do prédio da alfândega, no estacionamento do aeroporto, a imprensa registrou a saída de mais uma pessoa. Com guarda-chuvas, agentes americanos protegeram o homem que saiu do prédio, e não foi possível identificá-lo.
Na terça-feira (27), o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que permitiria a entrada da família no país e que iria conceder os vistos à família, mas ainda não identificou que tipo de visto os quatro receberão ou quando. Informações disponíveis no site da agência alfandegária mostram que Flávio Bolsonaro e a família entraram no país nesta quarta-feira (28) com um registro classificado como "DT" - uma autorização de entrada temporária usada, em geral, por razões humanitárias. Ela é cedida no momento da chegada e autoriza a permanência por um ano.
Outra página do governo americano confirma que Flávio Bolsonaro apresentou dos dois passaportes brasileiros - o comum e o diplomático - para entrar no país, mesmo depois de os documentos terem sido cancelados pela Polícia Federal, por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência da República, desembarca nos EUA depois de fugir do Brasil — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Mais cedo, na madrugada, quando a família ainda estava sobrevoando a América do Sul, o presidente americano disse que aprovaria a ia de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. Donald Trump voltou a insinuar, sem provas, que houve fraude na eleição brasileira:
“Bem, eu aprovaria. Acho que são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, achei terrível. Não tomei partido, sabe, conheço os dois. Conheço Lula. Conheço Flávio um pouco. Conheço o pai muito bem. O pai foi tratado muito mal. Eu acho, mas não estava envolvido. Isso é Brasil. Ouvi dizer que ele estava na Argentina. Mas certamente aprovaria a presença dele aqui".
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado ao Partido Democrata, de oposição, criticou a decisão do governo americano de conceder vistos ao senador Flávio Bolsonaro e a seus parentes, ao mesmo tempo em que rejeita pessoas que fogem de conflitos em seus países.
No fim da tarde desta quarta-feira (28),Donald Trump disse que ainda não conversou com Flávio Bolsonaro. Ele repetiu que autorizou a entrada dele no país, mas que não vai se envolver e que achava que tinha sido uma eleição estranha.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.