Empresa belga lança uma cerveja preta antirracista

Uma cervejeira belga lançou uma cerveja preta batizada de “Não sou racista, mas…” para denunciar, com humor e um rótulo irreverente, os preconceitos que costumam esconder-se por detrás desta expressão, frequentemente utilizada antes de comentários discriminatórios.
A iniciativa partiu da Dok Brewing Company, uma cervejaria artesanal de Gante (noroeste da Bélgica), que colocou à venda uma cerveja do tipo “American Porter”, com 6,8% de teor alcoólico, sob o nome original em holandês: “Ik ben geen racist maar”.
A protagonista do rótulo é Julie Omoregie, uma funcionária da cervejaria de origem nigeriana, que surge a mostrar os dois dedos médios, um gesto de desafio contra a discriminação.
“Não queremos provocar, queremos apenas chamar a atenção para uma frase utilizada por muitas pessoas. É uma expressão que todos conhecem, pois é empregue com muita frequência, mas que revela uma forma de preconceito”, explicou na terça-feira à agência Efe Janos De Baets, mestre cervejeiro da Dok Brewing Company.
A ideia surgiu durante uma das sessões de cinco minutos em que os funcionários do estabelecimento procuram nomes para as novas cervejas que produzem praticamente todas as semanas.
[Duarte Lima chega ao Brasil 45 horas antes de Rosalina Ribeiro ser assassinada. Tinha encontro marcado com a milionária no Rio de Janeiro mas aterra em Belo Horizonte. Na reconstituição dos movimentos dele, a polícia percebe que o advogado nunca usou o telemóvel pessoal no Brasil. Mas foram detetados contactos a partir de dois telefones portugueses e um suiço. Um deles liga várias vezes para a casa da milionária. Já pode ouvir o terceiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
Numa dessas sessões, Omoregie pediu que lhe dedicassem uma cerveja. Os seus colegas começaram a brincar, dizendo que, embora ela não goste de cervejas pretas, isso não significava que as discriminasse.
“Com as suas raízes nigerianas e o pedido de uma cerveja própria… juntando as coisas, chegámos à ideia. Ela não queria uma cerveja preta porque não gosta delas, por isso, o nome acaba por ser ainda mais divertido para nós. Na nossa cervejaria, não aceitamos a discriminação”, explicou De Baets.
Daí surgiu o nome de uma cerveja que, segundo os seus criadores, convida a refletir sobre os preconceitos raciais sem abdicar do sentido de humor.
“No início, ficámos na dúvida se deveríamos lançar uma cerveja com um nome destes, porque não queremos provocar ninguém. Por fim, decidimos fazê-lo, pois não se trata de uma provocação contra ninguém, mas sim de uma forma de colocar um espelho à frente das pessoas”, observou o mestre cervejeiro.
A empresa defende que o humor pode servir para transmitir mensagens sérias e lembra que muitos dos seus produtos têm nomes criados para provocar o riso.
“A nossa cervejeira está aberta a todos. Aqui não há espaço para o racismo, a discriminação de género ou qualquer outra forma de discriminação”, apontou.
A nova cerveja, lançada há poucas semanas, apresenta notas de cacau, café, toffee e chocolate, além de um final lupulado, características que a tornam uma bebida “perfeita para o outono”, segundo os seus criadores.
A receção foi positiva entre os clientes da sua cidade natal, Gante, descrita pelos responsáveis como um local “muito progressista”, embora um cliente da vizinha Bruges se tenha recusado a vender a cerveja por não se identificar com o design do rótulo.
A iniciativa não está ligada a nenhuma organização antirracista, campanha de sensibilização ou projeto de beneficência e o objetivo é, simplesmente, transmitir uma mensagem aos consumidores, resumiu De Baets.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.