BNDES libera R$ 18 milhões para projeto agroflorestal em Roraima
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) liberou R$ 18 milhões para a primeira etapa do projeto da Courageous Land Roraima SPE S.A., que prevê a implantação de sistemas agroflorestais em 2 mil hectares de áreas degradadas no sul de Roraima. O recurso integra um financiamento de R$ 116 milhões contratado com o Fundo Clima, enquanto o investimento total estimado para a iniciativa chega a R$ 340,8 milhões.
Com base em Rorainópolis, o projeto prevê a recuperação produtiva das áreas por meio do cultivo integrado de espécies agrícolas e florestais. Entre as culturas previstas estão café, cacau, açaí, banana, pimenta-do-reino e coco, além de espécies madeireiras nativas como castanheira, cumaru, angelim, ipê e pau-de-balsa.
A proposta prevê o plantio de aproximadamente 9,7 milhões de mudas ao longo da implantação dos sistemas agroflorestais. A combinação de diferentes espécies e estratos de vegetação busca conciliar a recuperação das áreas com a produção de alimentos, madeira e geração de créditos de carbono.
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A expectativa é que os 2 mil hectares recuperados contribuam para a remoção de aproximadamente 33,9 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano. O projeto também estima a geração de 603 empregos diretos e indiretos durante a fase de implantação. Depois que os sistemas estiverem implantados, a previsão é de 682 postos de trabalho, sendo 602 diretos e 80 indiretos.
Além do plantio, os recursos serão destinados à aquisição de insumos, contratação de mão de obra, obras civis e agroindustriais, máquinas e equipamentos e capital de giro associado aos investimentos. Do total de R$ 340,8 milhões previstos para o projeto, R$ 116 milhões serão financiados pelo BNDES e os outros R$ 224,8 milhões virão de fontes adicionais.
O projeto também inclui a instalação de viveiros próprios, estruturas para beneficiamento da produção, capacitação de trabalhadores e parcerias com universidades e instituições de pesquisa. A intenção é estruturar uma cadeia produtiva que combine a recuperação de áreas degradadas com atividades agrícolas e florestais na região.
A operação com a Courageous Land faz parte da estratégia BNDES Florestas, que reúne diferentes instrumentos de apoio à restauração ecológica, aos sistemas agroflorestais, à conservação e às atividades produtivas associadas à floresta. A estratégia utiliza recursos reembolsáveis e não reembolsáveis, além de participações e investimentos.
Segundo o banco, o BNDES Florestas já mobilizou R$ 14,6 bilhões no país, sendo R$ 8,7 bilhões em financiamentos e R$ 5,9 bilhões em participações e investimentos. O conjunto das iniciativas está associado ao plantio equivalente a 354 milhões de árvores, à geração de 89 mil empregos verdes e à captura de 68 milhões de toneladas de carbono.
A estratégia tem como objetivo estruturar uma cadeia econômica ligada à restauração, conectando atividades como produção de sementes, viveiros, capacitação, crédito de longo prazo e capital para ampliar projetos de recuperação e produção sustentável.
Segundo o chefe do Departamento de Meio Ambiente do BNDES, Marcus Cardoso, a estratégia busca integrar diferentes etapas dessa cadeia para permitir que projetos de restauração ganhem escala. De acordo com ele, redes de sementes podem abastecer diferentes iniciativas, enquanto viveiros e programas de capacitação ajudam a formar a infraestrutura e a mão de obra necessárias para novos projetos.
Para a Courageous Land, o projeto em Roraima tem como objetivo transformar áreas de pastagem degradadas em sistemas produtivos com diferentes espécies agrícolas e florestais. O cofundador e CEO da empresa, Philip Kauders, afirmou que a iniciativa pretende combinar retorno econômico, geração de empregos, produção de alimentos e madeira e captura de carbono.
O arranjo agroflorestal de referência será formado por 13 espécies distribuídas em diferentes estratos de vegetação. A empresa também prevê a produção de madeira nativa e o desenvolvimento de atividades de beneficiamento, além da capacitação de trabalhadores locais.
A primeira liberação de R$ 18 milhões marca o início do desembolso do financiamento do Fundo Clima para o projeto, que terá como foco a implantação gradual dos sistemas agroflorestais no sul de Roraima.
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