Brasil impressiona por insistir na tese errada, diz Sergio Vale, novo colunista do C-Level
O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, entra para o time de colunistas da Folha, com artigos quinzenais para o C-Level, que reúne uma cobertura voltada aos principais temas econômicos do Brasil. A primeira coluna será publicada nesta terça-feira (15) no site e na quarta (16) na edição impressa.
O C-Level traz análises exclusivas, alertas de notícias, curadoria especializada e entrevistas com protagonistas da política e da economia.
Sobre sua coluna na Folha, Vale adianta que a temática principal será o desafio imposto ao Brasil e ao mundo diante de um cenário internacional em ebulição.
"A ideia será focar temas de macroeconomia, políticas fiscal e monetária, além de crescimento. Não apenas do Brasil, mas também do exterior. Assunto não falta."
Segundo Vale, a economia brasileira é fértil o suficiente para que os assuntos nunca se esgotem, mas os desafios crescem porque o país insiste em velhos erros, especialmente na área fiscal.
"Era para termos avançado com tanto conhecimento acumulado, mas impressiona a insistência em teses equivocadas", diz.
Formado pela FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo) e mestre em economia pela mesma instituição, Vale conta que se enveredou pela área levado pela curiosidade de tentar entender a bagunça da economia brasileira no período da hiperinflação.
"Assistia ao jornalista Joelmir Beting na TV e ficava instigado. O Plano Collor [de 1990] e as crises sequenciais reforçaram a vontade de entender mais o que acontecia."
"Acabei sendo aprovado para engenharia civil na UFG [Universidade Federal de Goiás], mas a economia falou mais alto", diz ele, que mais tarde fez mestrado em economia pela Universidade de Wisconsin (Madison), nos Estados Unidos, e doutorado e pós-doutorado pela USP.
Vale, de 50 anos, costuma se dedicar à análise da conjuntura econômica. Ao longo da carreira, foi pesquisador da Fipe e colaborou com diferentes veículos da imprensa, além de ter sido professor do Ibmec-SP.
Ele tem artigos publicados em revistas científicas como a Revista Brasileira de Economia, a Economia Aplicada, a Revista Brasileira de Política Internacional e o Journal of Political Power, entre outras.
Também é autor dos livros "Impacto da Economia e das Instituições no Soft Power e no Hard Power" (ed. Appris; 140 págs.; R$ 54,77) e "Travessia sem Fim: Economia e Política em Transformação no Mundo e no Brasil" (ed. Appris; 195 págs.; R$ 70,07).
Em 2023, foi eleito economista-chefe do ano pela Ordem dos Economistas do Brasil, e integra o corpo técnico da MB Associados desde 2004, onde também é sócio.
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O economista relata ainda que o interesse por temas além da macroeconomia surgiu do trabalho ao lado dos cientistas políticos Lourdes Sola e Eduardo Viola.
"Por trabalhar em conjunto com Lourdes e Eduardo em um projeto da Fapesp no IEA-USP [Instituto de Estudos Avançados], também me interessei mais pelos temas de política e meio ambiente."
A afinidade com esses assuntos levou o goiano a fazer um segundo doutorado, desta vez em energia, no IEE-USP (Instituto de Energia e Ambiente), com estudos relacionados aos impactos na economia da emissão de CO₂.
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