ESPN DeportesRays supera a Yankees para ganar título del EsteDaily MaverickZelensky says Russia planning new mass attack on UkraineInquirerPolice: No fatalities in Sept. 21 martial law protestsThe Jerusalem PostIDF detains 14 HaBashan Pioneers attempting to infiltrate into Syria, establish settlementsESPNOhtani 'considerably' healthier, expected back in Dodgers' lineup Wednesday한겨레교도소 혐오·기피는 옛말…제천·보은 유치전, 영덕 검토 중Straits Times SportItaly football hopes for new dawn under returning ManciniSportstarIndia A vs Australia A, 1st unofficial Test, Day 2: Live score and updates from Puducherry; Kotian departs as Australia A strike early on Day 2The Indian ExpressOpenAI expands GPT-6 lineup with cheaper Sol and Luna modelsالنهارإيران تقدّم "شروط إنهاء الحرب" لواشنطن... ماذا تضمّنت؟Premium TimesUK joins call to limit UN Security Council vetoسكاي نيوز عربيةاكتمال الاستعدادات لانطلاق "خليجي 27"
The Daily Newsstand · Free, Always
Wednesday, September 23, 2026

Ainda há uma alternativa ao caos global

Translate

Em novembro de 2016, em Nova York, fui à Assembleia Geral das Nações Unidas para assistir à eleição oficial de António Guterres como secretário-geral da ONU. A decisão já vinha encaminhada do Conselho de Segurança mas, ainda assim, o ambiente era de expectativa.

Num banco a poucos metros de mim, Samantha Power, então embaixadora dos Estados Unidos, rascunhava o seu discurso para a ocasião, em que falou de Timor-Leste e do malogrado diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello. Outros representantes falaram da reforma da instituição, de direitos humanos ou dos objetivos de desenvolvimento do milênio.

Era outro mundo. Poucos dias depois, fui ao Museu de História Natural da cidade, onde um especialista em estatística garantia que Hillary Clinton seria eleita presidente dos EUA. Sendo assim, caberia a ela nomear para a Suprema Corte o substituto (ou substituta) do juiz conservador Antonin Scalia.

Falava-se da possibilidade de que essa nova composição, mais progressista, pudesse vir a aplicar uma moratória federal na pena de morte. O ambiente na cidade era de otimismo. Cinco sedes de campanha de Hillary distribuíam ingressos para o que imaginavam ser a sua festa de vitória. Tentei também, por interesse histórico, conseguir bilhetes para a festa de Donald Trump; mas foi impossível, a própria campanha parecia não acreditar na sua vitória.

Colunas

Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha

Na verdade, não acreditei. Como europeísta, tinha vivido a fundo a história do referendo do brexit e da surpresa da vitória de última hora, no fio da navalha, da opção de saída da União Europeia, que então todos julgavam impossível. A partir daí, a minha atitude perante a história da nossa última década foi sempre de "otimismo trágico": a cada passo esperando o pior e tentando dele extrair algum sentido.

Quer isso dizer que houve ali uma bifurcação na história. O planeta para que foi eleito António Guterres, e no qual ele teria sido um extraordinário secretário-geral, não é o mundo que aconteceu na prática. Este é o mundo de Vladimir Putin, Binyamin Netanyahu e outros genocidas. As Nações Unidas acabaram por se resumir a um papel defensivo.

E agora? A comparação com outros ciclos históricos sugere-me que o pior ainda está para vir. Afinal, estamos ainda nos anos 20. É nos anos 30 que as piores tragédias acontecem.

Os líderes autoritários ainda estão em ascendência, e a partir do momento em que estão no poder, o conflito acaba por ser inevitável. Como sugeri numa coluna de há uns meses, já vivemos numa terceira guerra mundial, mas aos pedaços. Aqui há uns tempos, Bret Stephens, no New York Times, escreveu o mesmo: a terceira guerra mundial já começou, só que ainda não demos por isso.

E daí, a história muitas vezes ainda arranja maneira de nos surpreender. Um cenário bondoso para o nosso futuro começaria por uma vitória do Estado de Direito no Brasil, já nas próximas semanas, e na continuidade da estratégia de poderes médios que Mark Carney, premiê do Canadá, tem apresentado.

O artigo recente de Lula, Carney, António Costa (Conselho Europeu) e William Ruto, presidente do Quênia, sugere uma boa via de futuro para o multilateralismo.

Ainda há esperança. Por uma nesga, que nos cabe alargar.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

View the original on UOL

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.